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25 de outubro de 2006

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Dez motivos para...

ir ao Tim Festival, que acontece de sexta (27) a domingo

Gustavo Autran


1
Novo endereço. A programação do Tim Festival (leia sobre dias, preços e horários na coluna Shows) acontece, pela primeira vez, na Marina da Glória – cartão-postal da cidade, com vista da Baía de Guanabara ainda mais exuberante que a dos jardins do Museu de Arte Moderna, antiga sede do festival. O evento vai ter quatro palcos: Tim Stage, o principal; Tim Club, o mais intimista; Tim Lab, espaço experimental; e o MotoMix Tim Village, misto de pista de dança com badalação.

 
Divulgação

2 Na sexta (27). Daft Punk. Sem fazer grandes turnês internacionais há dez anos, a dupla francesa é a grande atração da noite de estréia do festival, no Tim Stage. O primeiro impacto das apresentações de Thomas Bangalter e Guy-Manuel é visual: além dos efeitos de luz, os dois costumam tocar com capacetes metálicos para criar um clima de fantasia em torno de suas identidades secretas. Bom, a má notícia é que os ingressos estão esgotados. O jeito é correr para os outros destaques da noite. O riponga-fã-de-Caetano Devendra Banhart é a principal atração do Tim Lab. À frente da orquestra que leva seu nome, a pianista americana Maria Schneider, ganhadora do Grammy 2005 com o disco Concert in the Garden, toca no Tim Club. A cantora paulista Céu, que abre os trabalhos no Tim Lab, pode ser uma grata surpresa.

 
Divulgação

3 No sábado (28). Chance única de conferir ao vivo os vocais viscerais, o anarquismo e a história da roqueira Patti Smith, uma das precursoras do punk, que conserva até hoje a veia poética e a coerência política. Seu primeiro disco, Horses, foi lançado em 1975 e hoje é clássico. Ela toca no Tim Stage antes do trio Yeah Yeah Yeahs, novo ícone do rock de garagem nova-iorquino. Não se atrase: o bom grupo pernambucano Mombojó abre a noite. No palco Tim Lab, a grande atração, a dupla americana de música eletrônica Thievery Corporation, já está com ingressos esgotados.

 
Danny Clinch

4 No domingo (29) a coisa complica. As grandes atrações da noite já estão com ingressos esgotados. Quem comprou, comprou. Vai se esbaldar com os rappers branquelos do Beastie Boys e com o DJ Shadow, no Tim Stage, ou degustar o jazz dos pianistas Ahmad Jamal e Herbie Hancock, no Tim Club. Uma boa alternativa pode ser apostar em desconhecidas atrações – vale lembrar que o show da numerosa banda canadense de rock Arcade Fire ofuscou muitos bambas do ano passado. Às apostas, todas do palco Tim Lab: o gaúcho Marcelo Birck, que mistura rock dos anos 60 com música de vanguarda, o trio americano de jazz The Bad Plus e o trio nova-iorquino Black Dice, conhecido por incendiárias performances ao vivo, com direito a quebra-quebra de instrumentos. 5 O Tim Village, área de convivência do festival, desta vez vai agregar o espaço afterhours, animado por DJs nacionais e estrangeiros a partir de 1h. Nos anos anteriores, os sets mais disputados rolavam no Tim Stage, após a programação de shows. É muito comum dar de cara com atrações do festival batendo perna neste espaço destinado à badalação e ao entretenimento. Em edições anteriores passou por lá gente como a cantora Beth Gibbons, vocalista do Portishead, e o ator, diretor, músico e figuraça Vincent Gallo. Neste ano, o complexo que abrange o espaço Motomix e o Tim Village será ocupado por estandes de bares e restaurantes, como Botequim Informal, Manekineko, 00, Felice Gelatto, Caroline Café, Pizzaria Stravaganze e Bar Sagatiba.

6 As tendas que abrigam as atrações nacionais e internacionais receberam tratamento acústico especial para evitar vazamento de som – o que inclui o palco Tim Club, dedicado aos shows intimistas e considerado o calcanhar-de-aquiles do festival nesse quesito. Em 2003, a cantora e pianista americana Shirley Horn foi uma das vítimas. O espaço, com capacidade para 960 pessoas, vai contar com proteção extra: será vedado com paredes duplas de madeira.

 
Antonio Augusto Fontes

7 O Rio é a matriz. A versão completa do festival, com mais de trinta atrações, só vai acontecer na Marina da Glória. Alguns dos artistas escalados vão esticar por edições menores do evento em São Paulo, Vitória e Curitiba.

8 O evento tocado pela Dueto Produções desde 1985 – quando começou como Free Jazz Festival – tem tradição. Nos primórdios, preocupava-se em trazer à cidade artistas relevantes do jazz. Mais tarde a programação agregou medalhões do pop, do rock, e artistas do segmento alternativo, pouco conhecidos no Brasil. O cardápio democrático já abrigou do jazz sussurrante de Chet Baker à vanguarda estridente da islandesa Björk. O time de estrelas que já passaram por aqui reúne ainda Ray Charles, Sarah Vaughan, Nina Simone, John Lee Hooker, Dizzie Gillespie, James Brown, Stevie Wonder, Jamiroquai, Cake, Orbital, Sonic Youth, Kraftwerk, Jay Jay Johanson, Primal Scream, The Strokes, The Arcade Fire, Peaches, The Rapture e The White Stripes. Ufa...

9 Os curadores do Tim Festival dão consistência e credibilidade à programação. A equipe passa o resto do ano pesquisando artistas já consagrados ou que sinalizam novas tendências no Brasil e no exterior. O time, que contava com a experiência do prestigiado produtor Paulinho Albuquerque, falecido no início do ano, só tem bambas: o crítico de música Zuza Homem de Mello, o saxofonista Zé Nogueira, o antropólogo Hermano Vianna e o advogado Ronaldo Lemos, diretor do projeto Creative Commons no Brasil (que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais).

10 A produção não quer deixar a desejar nos quesitos estrutura e organização. A Marina ganhará quarenta banheiros químicos, instalados na área de convivência. A segurança será garantida por uma equipe de 400 homens, sem contar os efetivos da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Haverá dois postos médicos no Tim Village e três UTIs móveis disponíveis por dia. A idéia, desta vez, é evitar a confusão de carros estacionados por perto. Será oferecido serviço de transporte gratuito entre 19h e 5h. As vans partem do Edifício Argentina (Praia de Botafogo, 226, com entrada pela Rua Farani), do estacionamento da Infraero (Praça Senador Salgado Filho, s/nº, Aeroporto Santos Dumont), do estacionamento subterrâneo da Cinelândia (Praça Mahatma Gandhi, s/nº) e do Edifício Mourisco (Praia de Botafogo, 501). Haverá ponto de táxi na entrada principal, com 270 veículos credenciados. Para evitar atrasos nos shows, a Dueto elabora uma agenda previamente aprovada por todas as atrações e fixada em todos os palcos.

     
   

 

 
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