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25 de julho de 2007

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PAN

O síndico
dos jogos

Faltou luz? Sumiu o celular?
Chame o general Laranjeira,
o prefeito da Vila do Pan

Fátima Sá


Fernando Lemos
O general reformado Laranjeira: fôlego de fundista para gerir a vila dos atletas

A credencial, com livre acesso, não deixa dúvidas sobre o papel de Paulo Roberto Laranjeira Caldas. Aos 66 anos, o general reformado do Exército tem carta branca para circular por todos os locais do Pan. Ainda assim, periga chegar ao fim dos jogos sem ter visto uma competição sequer. Nomeado prefeito da Vila do Pan.– complexo de dezessete prédios construído para abrigar os atletas, na Barra da Tijuca –, Laranjeira, como é conhecido, mudou-se para lá no início do mês. E não saiu mais. "Desde que a vila foi aberta, no dia 3, só vi a minha mulher uma vez", conta. "O pior é que minha casa fica a dez minutos daqui." Instalado num apartamento do complexo, ele passa os dias recebendo delegações – fez 42 discursos de boas-vindas em três dias – e resolvendo os mais variados problemas, de falta de luz a elevador enguiçado. Ex-comandante da escola de educação física do Exército e ex-adido militar no Chile, Laranjeira não foi escolhido ao acaso. Gosta de desafios e tem intimidade com os esportes. De 1977 a 1980 integrou a comissão técnica da seleção masculina de vôlei. Em 1984, chefiou a comissão da seleção feminina. Esteve nas Olimpíadas de Moscou e de Los Angeles e sentou praça em várias cidades do Brasil durante 43 anos de vida militar. "Já comandei 15.000 homens na 1ª Divisão do Exército", lembra. "Mas este é sem dúvida meu maior desafio."

Garantir o bom funcionamento da vila, com seus 370 000 metros quadrados e mais de 7 700 hóspedes – entre atletas e funcionários –, não é tarefa simples. Primeiro, as obras atrasaram. Depois, surgiram transtornos como o afundamento do terreno em frente ao condomínio. Tão logo as primeiras delegações chegaram, começou a circular o rumor – que o Comitê Organizador nega – de que uma faxineira fora flagrada dormindo com um atleta cubano. Em seguida, uma falha no esquema de segurança permitiu a entrada de penetras no condomínio. Não bastasse, três camareiras foram demitidas após ter sido flagradas com objetos roubados de quartos de hóspedes da vila. Perfeccionista, Laranjeira sofreu, mas não acusou o golpe. Atribuiu as ocorrências ao alto número de pessoas e disse que estava tomando todas as providências necessárias. Continuou encerrando o expediente depois das 23 horas e metendo-se em reuniões já às 8 horas. "Caminhamos para um grau de satisfação muito alto, mas sempre podemos melhorar", dizia, na semana passada, enquanto notava, inconformado, que alguns atletas haviam estendido roupas na janela de um dos apartamentos. Fazer o quê? O general aprendeu que, às vezes, a disciplina tem de se render à diplomacia.

 

Raio X da microcidade

São 17 prédios com 1 480 apartamentos, numa área de 370 000 metros quadrados.

A população é de 7 700 atletas e oficiais técnicos.

Reúne policlínica, agência de viagens, lanchonetes, lojas, mini-spa e academia de ginástica com 100 aparelhos.

Totaliza 4 022 aparelhos de ar-condicionado, 7 952 camas e 15 568 toalhas brancas.

Estima-se que até o fim dos Jogos sejam consumidos
1 610 280
copos descartáveis e 271 080 sabonetes.

Aberto 24 horas, o restaurante tem capacidade para
2 250 pessoas.

A boate funciona das 18h30 às 23 horas.



Comer, comer, é o melhor para poder crescer...

 

Divulgação

O restaurante 24 horas: com 2 250 lugares

...e vencer, como na antiga novelinha mexicana Chispita. Para dar conta de tanto movimento, o restaurante da Vila do Pan nunca fecha. A previsão é que ele sirva 440 000 refeições até o fim da competição, incluindo café-da-manhã, almoço, jantar e lanches. São 24 horas por dia atendendo 7 700 atletas, técnicos e auxiliares das 42 delegações. O movimento começa às 5 horas, com o desjejum. Popular na refeição matinal, o suco de laranja ganhou concorrentes à altura na preferência dos freqüentadores. "Goiaba e manga fazem sucesso com os atletas estrangeiros", conta Estér Leite, nutricionista e gerente-geral da casa. Ela comanda uma equipe de 800 profissionais, que chegam a atender 2 200 pessoas ao mesmo tempo.

Das 200 toneladas de suprimentos, alguns itens já foram repostos. É que certos pratos caíram nas graças dos atletas. O pão de queijo é um exemplo. Diariamente são devorados 60 quilos da iguaria – logo que a vila foi aberta, eram 20 quilos diários. Goiabada com queijo-de-minas e farofa também tiveram grande aceitação. Mas o primeiro lugar do pódio gastronômico do restaurante é ocupado pelo pudim de leite. São produzidas, por refeição, 7 200 porções do doce à base de leite condensado – quase uma por hóspede.

Alguns reparos nos cardápios foram feitos para atender a hábitos alimentares tão díspares. "Incluímos leite no almoço. É um costume canadense", exemplifica Estér. A medalha de ouro para os glutões ficou com a delegação de Cuba. "Vi um atleta devorar dezessete hambúrgueres numa única refeição, fora acompanhamentos e bebidas", jura um funcionário.

 
Pudim de leite e pão de queijo: medalha de ouro e de prata

 

         
     

 

 
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