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PAN
O síndico
dos jogos
Faltou luz? Sumiu o celular?
Chame o general Laranjeira,
o prefeito da Vila do Pan
Fátima Sá
Fernando Lemos
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| O general reformado
Laranjeira: fôlego de fundista para
gerir a vila dos atletas |
A credencial, com
livre acesso, não deixa dúvidas sobre o papel de Paulo
Roberto Laranjeira Caldas. Aos 66 anos, o general reformado do Exército
tem carta branca para circular por todos os locais do Pan. Ainda
assim, periga chegar ao fim dos jogos sem ter visto uma competição
sequer. Nomeado prefeito da Vila do Pan. complexo de dezessete
prédios construído para abrigar os atletas, na Barra
da Tijuca , Laranjeira, como é conhecido, mudou-se
para lá no início do mês. E não saiu
mais. "Desde que a vila foi aberta, no dia 3, só vi a minha
mulher uma vez", conta. "O pior é que minha casa fica a dez
minutos daqui." Instalado num apartamento do complexo, ele passa
os dias recebendo delegações fez 42 discursos
de boas-vindas em três dias e resolvendo os mais variados
problemas, de falta de luz a elevador enguiçado. Ex-comandante
da escola de educação física do Exército
e ex-adido militar no Chile, Laranjeira não foi escolhido
ao acaso. Gosta de desafios e tem intimidade com os esportes. De
1977 a 1980 integrou a comissão técnica da seleção
masculina de vôlei. Em 1984, chefiou a comissão da
seleção feminina. Esteve nas Olimpíadas de
Moscou e de Los Angeles e sentou praça em várias cidades
do Brasil durante 43 anos de vida militar. "Já comandei 15.000
homens na 1ª Divisão do Exército", lembra. "Mas
este é sem dúvida meu maior desafio."
Garantir o bom funcionamento
da vila, com seus 370 000 metros quadrados e mais de 7 700 hóspedes
entre atletas e funcionários , não é
tarefa simples. Primeiro, as obras atrasaram. Depois, surgiram transtornos
como o afundamento do terreno em frente ao condomínio. Tão
logo as primeiras delegações chegaram, começou
a circular o rumor que o Comitê Organizador nega
de que uma faxineira fora flagrada dormindo com um atleta cubano.
Em seguida, uma falha no esquema de segurança permitiu a
entrada de penetras no condomínio. Não bastasse, três
camareiras foram demitidas após ter sido flagradas com objetos
roubados de quartos de hóspedes da vila. Perfeccionista,
Laranjeira sofreu, mas não acusou o golpe. Atribuiu as ocorrências
ao alto número de pessoas e disse que estava tomando todas
as providências necessárias. Continuou encerrando o
expediente depois das 23 horas e metendo-se em reuniões já
às 8 horas. "Caminhamos para um grau de satisfação
muito alto, mas sempre podemos melhorar", dizia, na semana passada,
enquanto notava, inconformado, que alguns atletas haviam estendido
roupas na janela de um dos apartamentos. Fazer o quê? O general
aprendeu que, às vezes, a disciplina tem de se render à
diplomacia.
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Raio
X da microcidade
São 17 prédios
com 1 480 apartamentos,
numa área de 370 000
metros quadrados.
A população é de 7
700 atletas e oficiais técnicos.
Reúne policlínica, agência de viagens,
lanchonetes, lojas, mini-spa e academia
de ginástica com 100 aparelhos.
Totaliza 4 022 aparelhos
de ar-condicionado, 7 952 camas
e 15 568 toalhas brancas.
Estima-se que até o fim dos Jogos sejam consumidos
1 610 280 copos
descartáveis e 271 080
sabonetes.
Aberto 24 horas, o restaurante tem capacidade para
2 250 pessoas.
A boate funciona das 18h30 às
23 horas.
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Comer, comer, é
o melhor para poder crescer...
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Divulgação

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| O restaurante 24 horas:
com 2 250 lugares
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...e vencer, como na antiga
novelinha mexicana Chispita. Para dar conta de tanto
movimento, o restaurante da Vila do Pan nunca fecha. A previsão
é que ele sirva 440 000 refeições até
o fim da competição, incluindo café-da-manhã,
almoço, jantar e lanches. São 24 horas por dia
atendendo 7 700 atletas, técnicos e auxiliares das
42 delegações. O movimento começa às
5 horas, com o desjejum. Popular na refeição
matinal, o suco de laranja ganhou concorrentes à altura
na preferência dos freqüentadores. "Goiaba e manga
fazem sucesso com os atletas estrangeiros", conta Estér
Leite, nutricionista e gerente-geral da casa. Ela comanda
uma equipe de 800 profissionais, que chegam a atender 2 200
pessoas ao mesmo tempo.
Das 200 toneladas de suprimentos,
alguns itens já foram repostos. É que certos
pratos caíram nas graças dos atletas. O pão
de queijo é um exemplo. Diariamente são devorados
60 quilos da iguaria logo que a vila foi aberta, eram
20 quilos diários. Goiabada com queijo-de-minas e farofa
também tiveram grande aceitação. Mas
o primeiro lugar do pódio gastronômico do restaurante
é ocupado pelo pudim de leite. São produzidas,
por refeição, 7 200 porções do
doce à base de leite condensado quase uma por
hóspede.
Alguns reparos nos cardápios
foram feitos para atender a hábitos alimentares tão
díspares. "Incluímos leite no almoço.
É um costume canadense", exemplifica Estér.
A medalha de ouro para os glutões ficou com a delegação
de Cuba. "Vi um atleta devorar dezessete hambúrgueres
numa única refeição, fora acompanhamentos
e bebidas", jura um funcionário.
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| Pudim de leite
e pão de queijo: medalha
de ouro e de prata |
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