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AEROPORTO
Começou mal
Horas antes do maior desastre aéreo
do país, o novo terminal do Santos
Dumont pega fogo, assusta passageiros
e tumultua a ponte aérea
Fátima Sá
Marcos D'Paula/Agência Estado/AE
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| Do lado de fora: material plástico
fez surgir grossas nuvens de fumaça |
Márcia Foletto/Ag. O Globo
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| O lugar do incêndio: cenário
de destruição em área
que ainda não havia sido aberta ao público
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O músico Evandro Mesquita deveria voar
para São Paulo às 15h10 da última terça-feira.
Esperava na novíssima sala de embarque do Aeroporto Santos
Dumont quando ouviu um passageiro aos berros. "Não dei muita
bola, até que escutei alguém falar em incêndio",
conta. O que se seguiu foram correria pelas escadas, fumaça
por todos os lados e pouca informação. Só depois
os passageiros viriam a saber que se tratava de um incêndio
numa área do novo terminal ainda em obras e usada como depósito
para mais de 300 cadeiras de metal e fibra de vidro, embaladas em
plástico. A brigada de incêndio e os bombeiros do aeroporto
apagaram o fogo em menos de vinte minutos. Diante da maior tragédia
da aviação brasileira, que aconteceria quatro horas
mais tarde no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o incidente
pode parecer uma bobagem. Não é. A perícia
da Polícia Federal suspeita que o incêndio tenha sido
provocado por um curto-circuito numa instalação elétrica
da obra uma reforma orçada em 334 milhões de
reais que pretende transformar o aeroporto numa espécie de
shopping e fazer da espera por um vôo uma experiência
agradável, se isso um dia for possível dentro do caos
aéreo brasileiro. A proposta é tornar o Santos Dumont
apto a receber 8 milhões de passageiros por ano, contra os
3,6 milhões transportados em 2006.
O incêndio ocorreu numa
área de cerca de 50 metros quadrados no 3º piso, onde
será instalada uma praça de alimentação.
Por sorte, ninguém trabalhava no local, ainda fechado ao
público. As obras do novo terminal, que começou a
operar parcialmente pronto no fim de maio, têm prazo para
ser concluídas apenas em novembro. "Dificilmente o fogo se
espalharia, já que a área ainda estava em fase de
alvenaria", diz o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Pedro
Machado. "O maior problema foi a fumaça tóxica
causada pelo plástico e pela fibra de vidro queimados ,
que se espalhou rapidamente pelo terminal de passageiros." Por causa
disso, a Infraero teve de fechar o Santos Dumont, transferindo todos
os vôos para o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim
exceto os de táxi aéreo, que permaneceram usando
a própria pista para embarque e desembarque. Naquela tarde,
28 pousos e trinta decolagens estavam previstos na ponte aérea.
"No fim das contas, foram menos de dez vôos", afirma Pedro
Azambuja, superintendente regional da Infraero. A maioria dos serviços
acabaria cancelada por causa do acidente no Aeroporto de Congonhas.
A avaliação da
Polícia Federal ainda é preliminar. O relatório
da perícia só deve ser concluído no fim do
mês. Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros também trabalha
num estudo sobre as causas do fogo. E a Infraero abriu uma sindicância
para apurar o que aconteceu. Funcionários do aeroporto passaram
boa parte da tarde e da noite de terça limpando o terminal
de passageiros. No dia seguinte, o Santos Dumont voltou a funcionar
normalmente com atrasos, é claro. Os sinais da fumaça
ainda estavam nas clarabóias do novo terminal e vão
exigir uma boa limpeza para desaparecer. Evandro Mesquita, que não
podia adiar a viagem para a capital paulista porque faria um show
naquela mesma noite, seguiu numa van até o aeroporto internacional,
esperou pacientemente e conseguiu, enfim, desembarcar no Aeroporto
de Guarulhos, em São Paulo, pouco depois das 19 horas. Missão
cumprida, no dia seguinte voltou logo cedo para o Rio. De ônibus.
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