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25 de julho de 2007

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Começou mal

Horas antes do maior desastre aéreo
do país, o novo terminal do Santos
Dumont pega fogo, assusta passageiros
e tumultua a ponte aérea

Fátima Sá

 
Marcos D'Paula/Agência Estado/AE
Do lado de fora: material plástico fez surgir grossas nuvens de fumaça


Márcia Foletto/Ag. O Globo
O lugar do incêndio: cenário de destruição em área que ainda não havia sido aberta ao público

O músico Evandro Mesquita deveria voar para São Paulo às 15h10 da última terça-feira. Esperava na novíssima sala de embarque do Aeroporto Santos Dumont quando ouviu um passageiro aos berros. "Não dei muita bola, até que escutei alguém falar em incêndio", conta. O que se seguiu foram correria pelas escadas, fumaça por todos os lados e pouca informação. Só depois os passageiros viriam a saber que se tratava de um incêndio numa área do novo terminal ainda em obras e usada como depósito para mais de 300 cadeiras de metal e fibra de vidro, embaladas em plástico. A brigada de incêndio e os bombeiros do aeroporto apagaram o fogo em menos de vinte minutos. Diante da maior tragédia da aviação brasileira, que aconteceria quatro horas mais tarde no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o incidente pode parecer uma bobagem. Não é. A perícia da Polícia Federal suspeita que o incêndio tenha sido provocado por um curto-circuito numa instalação elétrica da obra – uma reforma orçada em 334 milhões de reais que pretende transformar o aeroporto numa espécie de shopping e fazer da espera por um vôo uma experiência agradável, se isso um dia for possível dentro do caos aéreo brasileiro. A proposta é tornar o Santos Dumont apto a receber 8 milhões de passageiros por ano, contra os 3,6 milhões transportados em 2006.

O incêndio ocorreu numa área de cerca de 50 metros quadrados no 3º piso, onde será instalada uma praça de alimentação. Por sorte, ninguém trabalhava no local, ainda fechado ao público. As obras do novo terminal, que começou a operar parcialmente pronto no fim de maio, têm prazo para ser concluídas apenas em novembro. "Dificilmente o fogo se espalharia, já que a área ainda estava em fase de alvenaria", diz o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Pedro Machado. "O maior problema foi a fumaça tóxica – causada pelo plástico e pela fibra de vidro queimados –, que se espalhou rapidamente pelo terminal de passageiros." Por causa disso, a Infraero teve de fechar o Santos Dumont, transferindo todos os vôos para o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim – exceto os de táxi aéreo, que permaneceram usando a própria pista para embarque e desembarque. Naquela tarde, 28 pousos e trinta decolagens estavam previstos na ponte aérea. "No fim das contas, foram menos de dez vôos", afirma Pedro Azambuja, superintendente regional da Infraero. A maioria dos serviços acabaria cancelada por causa do acidente no Aeroporto de Congonhas.

A avaliação da Polícia Federal ainda é preliminar. O relatório da perícia só deve ser concluído no fim do mês. Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros também trabalha num estudo sobre as causas do fogo. E a Infraero abriu uma sindicância para apurar o que aconteceu. Funcionários do aeroporto passaram boa parte da tarde e da noite de terça limpando o terminal de passageiros. No dia seguinte, o Santos Dumont voltou a funcionar normalmente – com atrasos, é claro. Os sinais da fumaça ainda estavam nas clarabóias do novo terminal e vão exigir uma boa limpeza para desaparecer. Evandro Mesquita, que não podia adiar a viagem para a capital paulista porque faria um show naquela mesma noite, seguiu numa van até o aeroporto internacional, esperou pacientemente e conseguiu, enfim, desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, pouco depois das 19 horas. Missão cumprida, no dia seguinte voltou logo cedo para o Rio. De ônibus.

         
     

 

 
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