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TRANSPORTES
Apagão marítimo Acidentes
com barcas trazem à tona disputas na baía Fátima
Sá Nas
últimas quatro semanas, sete acidentes um deles com quinze feridos
agitaram as águas da Baía de Guanabara. Dona da maioria das
embarcações danificadas, a empresa Barcas S/A chegou a falar em
sabotagem. Enquanto isso, a Capitania dos Portos condenou o estado de conservação
de parte das embarcações e a Secretaria de Transportes interditou
cinco delas. O Ministério Público, por sua vez, ajuizou uma ação
civil contra as duas empresas que transportam passageiros na baía, a própria
Barcas S/A e a Transtur. Ao longo da semana a pressão aumentou. Na quinta-feira
(19), o governador Sérgio Cabral determinou que sejam estudadas novas licitações
para ampliar a oferta dos serviços e aumentar a concorrência na baía.
As barcas, aerobarcos e catamarãs transportam mais de 20 milhões
de passageiros por ano. "Os fatos
ocorridos são pontuais e não refletem a qualidade e a segurança
dos serviços", diz Lauro Nobre, superintendente da Barcas S/A, que opera
treze barcas e oito catamarãs. Paralelamente à investigação
da Capitania dos Portos, a concessionária abriu sindicância para
apurar as causas de tantos acidentes recentes (veja o quadro abaixo). Em
terra firme, ela se empenha em tentar deixar de ser deficitária. Suas barcas,
que já transportaram acima de 24 milhões de passageiros ao ano,
em 1995, hoje servem cerca de 16 milhões de usuários. O edital de
concessão, de 1998, estimava, num cenário conservador, que em 2003
seriam transportados 24 milhões de pessoas. Num cenário otimista,
poderiam chegar a 32 milhões. "O
contexto mudou, e o que se vê é um desequilíbrio econômico-financeiro",
afirma Ronaldo Bicalho, pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ, que participou
de um estudo de revisão tarifária encomendado pela Agência
Reguladora de Transportes do estado. "Como o aumento de tarifa não é
a solução, precisam ser revistos os termos da concessão."
A Transtur, de seu lado, briga na Justiça contra a Barcas S/A, à
qual acusa de concorrência predatória. Dona de três catamarãs
e dois aerobarcos, a Transtur atua na região desde os anos 70. As águas
da Guanabara vão se manter agitadas.
Cronologia da crise
Carlos Eduardo Cardoso/O Dia
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26
de março A
barca Visconde de Moraes (PaquetáRio) fica à deriva
perto da Ilha do Governador, com 280 passageiros a bordo.
27 de março A
Ipanema (Niterói-Rio) apresenta defeito, e os passageiros passam
para outro barco. 3 de abril
Um princípio de incêndio na casa de
máquinas deixa à deriva a barca Imbuhy (Ilha do GovernadorPraça
XV), com 400 passageiros. 9 de
abril O aerobarco Flecha de Niterói
fica à deriva na baía. Os passageiros são resgatados por
lanchas da Capitania dos Portos, como mostra a foto. 16
de abril A Ipanema encalha num banco
de areia em Paquetá. A Barcas S/A culpa a maré baixa.
17 de abril Uma embarcação
que finca estacas no píer de Paquetá afunda parcialmente. Técnicos
da Barcas S/A acusam sabotagem. 18
de abril Quinze passageiros se ferem quando
o catamarã Gávea 1 (NiteróiRio) colide no cais da Praça
XV. | |