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25 de abril de 2007

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TRANSPORTES

Apagão marítimo

Acidentes com barcas trazem
à tona disputas na baía

Fátima Sá

Nas últimas quatro semanas, sete acidentes – um deles com quinze feridos – agitaram as águas da Baía de Guanabara. Dona da maioria das embarcações danificadas, a empresa Barcas S/A chegou a falar em sabotagem. Enquanto isso, a Capitania dos Portos condenou o estado de conservação de parte das embarcações e a Secretaria de Transportes interditou cinco delas. O Ministério Público, por sua vez, ajuizou uma ação civil contra as duas empresas que transportam passageiros na baía, a própria Barcas S/A e a Transtur. Ao longo da semana a pressão aumentou. Na quinta-feira (19), o governador Sérgio Cabral determinou que sejam estudadas novas licitações para ampliar a oferta dos serviços e aumentar a concorrência na baía. As barcas, aerobarcos e catamarãs transportam mais de 20 milhões de passageiros por ano.

"Os fatos ocorridos são pontuais e não refletem a qualidade e a segurança dos serviços", diz Lauro Nobre, superintendente da Barcas S/A, que opera treze barcas e oito catamarãs. Paralelamente à investigação da Capitania dos Portos, a concessionária abriu sindicância para apurar as causas de tantos acidentes recentes (veja o quadro abaixo). Em terra firme, ela se empenha em tentar deixar de ser deficitária. Suas barcas, que já transportaram acima de 24 milhões de passageiros ao ano, em 1995, hoje servem cerca de 16 milhões de usuários. O edital de concessão, de 1998, estimava, num cenário conservador, que em 2003 seriam transportados 24 milhões de pessoas. Num cenário otimista, poderiam chegar a 32 milhões.

"O contexto mudou, e o que se vê é um desequilíbrio econômico-financeiro", afirma Ronaldo Bicalho, pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ, que participou de um estudo de revisão tarifária encomendado pela Agência Reguladora de Transportes do estado. "Como o aumento de tarifa não é a solução, precisam ser revistos os termos da concessão." A Transtur, de seu lado, briga na Justiça contra a Barcas S/A, à qual acusa de concorrência predatória. Dona de três catamarãs e dois aerobarcos, a Transtur atua na região desde os anos 70. As águas da Guanabara vão se manter agitadas.



Cronologia da crise

Carlos Eduardo Cardoso/O Dia


26 de março
A barca Visconde de Moraes (Paquetá–Rio) fica à deriva perto da Ilha do Governador, com 280 passageiros a bordo.

27 de março
A Ipanema (Niterói-Rio) apresenta defeito, e os passageiros passam para outro barco.

3 de abril
Um princípio de incêndio na casa de máquinas deixa à deriva a barca Imbuhy (Ilha do Governador–Praça XV), com 400 passageiros.

9 de abril
O aerobarco Flecha de Niterói fica à deriva na baía. Os passageiros são resgatados por lanchas da Capitania dos Portos, como mostra a foto.

16 de abril
A Ipanema encalha num banco de areia em Paquetá. A Barcas S/A culpa a maré baixa.

17 de abril
Uma embarcação que finca estacas no píer de Paquetá afunda parcialmente. Técnicos da Barcas S/A acusam sabotagem.

18 de abril
Quinze passageiros se ferem quando o catamarã Gávea 1 (Niterói–Rio) colide no cais da Praça XV.

     
   

 

 
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