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COMPORTAMENTO
Para não azedar a diversão
Negreiros  |
Não saque seu santo celular em vão.
Preste atenção nos lugares em que atende o telefone e no tom que
usa para falar, pois ninguém precisa ouvir sua conversa. Recorra ao vibracall
como regra, sobretudo no trabalho. É preciso cuidado, também, com
o volume de toque do aparelho, e, se for polifônico, a atenção
deve ser redobrada. Tenha em mente que um funk barra-pesada pode queimar seu filme
no escritório. "O tipo de toque é uma escolha pessoal", destaca
a socialite Helena Gondim, organizadora do livro Sociedade Brasileira. "Mas
o vizinho não é obrigado a escutar aquilo."
No restaurante não deixe o aparelho sobre a mesa, seja para guardar
lugar, seja por comodidade. É anti-higiênico. Outro hábito
desagradável é o de certos espectadores que usam o celular para
tirar fotos em shows e peças. Mesmo que o artista não a perceba
do palco, a luz do aparelho incomoda quem está do lado. "Celular é
para urgências", lembra Danuza Leão, autora do manual de etiqueta
Na Sala com Danuza. "É uma indelicadeza enorme atender o aparelho
quando acompanhado e ficar conversando por muito tempo."
Assim que der o ingresso para o bilheteiro da casa de shows, cinema ou
teatro, desligue seu celular. Mesmo no silencioso, o aparelho acende uma luz quando
chamado. "O uso de celular durante a exibição é um desrespeito
ao público e aos artistas", afirma o ator Vladimir Brichta. Aliás,
não é de bom-tom falar durante uma peça, concerto ou filme.
Porém, tão chatos quanto aqueles que matraqueiam são os que
reclamam em voz alta. Se a falação persiste, o melhor a fazer é
olhar para o tagarela, fazer um psiu ou chamar um funcionário.
Fila muito grande é cansativa? Sim. Mas nada justifica desrespeitar
quem chega cedo para garantir um bom lugar. Não tenha vergonha de parecer
antipático e recuse o pedido de quem abordá-lo perto do caixa para
pedir que compre mais um ingresso. Se furarem a fila na sua frente, pode botar
a boca no trombone. O mesmo princípio vale para quem adora esparramar bolsas
e casacos nas poltronas do cinema, guardando vaga para o casal de amigos que chegará
em cima da hora. E a poltrona da frente, mesmo vazia, não é apoio
para seus pés.
Programe-se para chegar com folga no horário. Irrita ver aquela
pessoa trombando no escuro para encontrar seu assento. No Teatro Municipal, há
dois aparelhos de TV, no foyer e no restaurante, para quem chegar atrasado poder
assistir ao espetáculo até a porta ser reaberta no intervalo. "Não
permitimos que entrem com o espetáculo iniciado", diz Luiz Paulo Sampaio,
diretor da casa. Pela mesma lógica, não saia da sala antes do término
da apresentação. Para evitar o mico de aplaudir o concerto na hora
errada, espere as palmas ganharem força e, então, acompanhe a maioria.
Jamais cantarole a melodia. Afinal, a atração que todos querem ouvir
está no palco, não na platéia.
Tudo bem, o carioca é informal no jeito de se vestir. Mas, definitivamente,
teatros e salas de espetáculo não combinam com chinelo de dedo e
camiseta (muito menos com as intoleráveis regatas masculinas).
Pipoca pode? Depende. Se o filme for um arrasa-quarteirão barulhento,
é pouco provável que o ruído da mastigação
seja ouvido. O mesmo não vale para um filme-cabeça iraniano repleto
de cenas silenciosas e pausas reflexivas. Escolha um cinema que combine com suas
preferências. O Grupo Estação, por exemplo, só oferece
pipoca em três de suas quinze salas da Zona Sul da cidade. "Não temos
nada contra, mas não vemos como algo necessário. Nosso público
nunca pediu", diz Adriana Rattes, diretora de novos negócios e marketing
do grupo. |