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24 de novembro de 2004
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O sonho da casa própria

Deborah Colker inaugura
escola e sede na Glória

Debora Ghivelder

 

"Eu recuperei um prédio. Montei uma escola. Não fiz uma academia para ganhar dinheiro."
DEBORAH COLKER

Quem conhece a coreógrafa Deborah Colker sabe que ela diz o que pensa com a mesma facilidade com que escala paredes. Nas últimas semanas ela mal está cabendo em si de felicidade e adrenalina. Vai inaugurar, em 29 de novembro, num antigo casarão da Rua Benjamin Constant, 30, na Glória, o Centro de Movimento Deborah Colker e a nova sede da sua companhia. Antes disso, irá celebrar a conquista com os amigos. Abrirá as portas da construção, que já abrigou outrora o pintor Victor Meireles, para uma grande festa, na segunda (22). "Aqui fica perto do metrô e tem a ver com o meu perfil. Minha companhia sempre esteve identificada com o centro da cidade", diz ela, que até então estava sediada na Fundição Progresso, na Lapa. Antes de comprar o imóvel histórico de 1890, que estava completamente abandonado, e iniciar a reforma que consumiu onze meses, Deborah passou quatro anos visitando propriedades na Barra da Tijuca e no Centro e recusou propostas de algumas universidades para levantar a escola em um campus. Os gastos de 1,5 milhão de reais na empreitada saíram do próprio bolso. "Tem artista que compra apartamento. Eu quis fazer uma escola", afirma. Com a mesma franqueza, ela rebate as perguntas sobre a contrapartida social de seu projeto: "Eu recuperei um prédio histórico, montei uma escola. Isso não é social? Não quis fazer uma academia para ganhar dinheiro!", diz. Antes que alguém se levante: Deborah pretende criar um esquema de visitação para alunos de escolas públicas.

A casa, de 1.400 metros quadrados, está em fase final de acabamento e é um deslumbre. Por três andares, espalham-se três amplas salas de aula. Na parte da frente, a construção vai abrigar a escola, com direito a um café, uma biblioteca e uma videoteca. Atrás, fica o espaço destinado à companhia. Há ainda lugar para a parte técnica: cenografia, figurinos e, claro, área administrativa. As três primeiras semanas da agenda já estão lotadas com workshops variados. Fauzi Mansur e Nora Esteves vão dar aulas de pas de deux. Na seara contemporânea, vão comandar cursos profissionais como Alejandro Ahmed, da companhia catarinense Cena 11; o diretor de teatro Enrique Diaz e a própria Deborah. A coreógrafa reviverá, por uma semana, o tempo em que dava aulas na Casa do Minho, lá no início dos anos 90. Haverá também cursos teóricos. Pode ser "História da dança", com Roberto Pereira, ou "O corpo na Grécia antiga", com o professor de filosofia Fernando Muniz, por exemplo. Em janeiro, já estão programadas colônias de férias para a criançada.

Deborah aproveita ainda as novas instalações para burilar, com seu grupo, Nó, o novo espetáculo da companhia, que estréia em abril na Alemanha e deve ocupar aqui, por dois meses, o Teatro João Caetano, a partir de junho. fala sobre desejo. Os de Deborah parecem plenamente saciados.

     
   

 

 
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