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PERFIL
O sonho da casa própria Deborah
Colker inaugura escola e sede na Glória
Debora Ghivelder
 | "Eu
recuperei um prédio. Montei uma escola. Não fiz uma academia para
ganhar dinheiro." DEBORAH
COLKER | Quem
conhece a coreógrafa Deborah Colker sabe que ela diz o que pensa com a
mesma facilidade com que escala paredes. Nas últimas semanas ela mal está
cabendo em si de felicidade e adrenalina. Vai inaugurar, em 29 de novembro, num
antigo casarão da Rua Benjamin Constant, 30, na Glória, o Centro
de Movimento Deborah Colker e a nova sede da sua companhia. Antes disso, irá
celebrar a conquista com os amigos. Abrirá as portas da construção,
que já abrigou outrora o pintor Victor Meireles, para uma grande festa,
na segunda (22). "Aqui fica perto do metrô e tem a ver com o meu perfil.
Minha companhia sempre esteve identificada com o centro da cidade", diz ela, que
até então estava sediada na Fundição Progresso, na
Lapa. Antes de comprar o imóvel histórico de 1890, que estava completamente
abandonado, e iniciar a reforma que consumiu onze meses, Deborah passou quatro
anos visitando propriedades na Barra da Tijuca e no Centro e recusou propostas
de algumas universidades para levantar a escola em um campus. Os gastos de 1,5
milhão de reais na empreitada saíram do próprio bolso. "Tem
artista que compra apartamento. Eu quis fazer uma escola", afirma. Com a mesma
franqueza, ela rebate as perguntas sobre a contrapartida social de seu projeto:
"Eu recuperei um prédio histórico, montei uma escola. Isso não
é social? Não quis fazer uma academia para ganhar dinheiro!", diz.
Antes que alguém se levante: Deborah pretende criar um esquema de visitação
para alunos de escolas públicas. A
casa, de 1.400 metros quadrados, está em fase
final de acabamento e é um deslumbre. Por três andares, espalham-se
três amplas salas de aula. Na parte da frente, a construção
vai abrigar a escola, com direito a um café, uma biblioteca e uma videoteca.
Atrás, fica o espaço destinado à companhia. Há ainda
lugar para a parte técnica: cenografia, figurinos e, claro, área
administrativa. As três primeiras semanas da agenda já estão
lotadas com workshops variados. Fauzi Mansur e Nora Esteves vão dar aulas
de pas de deux. Na seara contemporânea, vão comandar cursos
profissionais como Alejandro Ahmed, da companhia catarinense Cena 11; o diretor
de teatro Enrique Diaz e a própria Deborah. A coreógrafa reviverá,
por uma semana, o tempo em que dava aulas na Casa do Minho, lá no início
dos anos 90. Haverá também cursos teóricos. Pode ser "História
da dança", com Roberto Pereira, ou "O corpo na Grécia antiga", com
o professor de filosofia Fernando Muniz, por exemplo. Em janeiro, já estão
programadas colônias de férias para a criançada.
Deborah aproveita
ainda as novas instalações para burilar, com seu grupo, Nó,
o novo espetáculo da companhia, que estréia em abril na Alemanha
e deve ocupar aqui, por dois meses, o Teatro João Caetano, a partir de
junho. Nó fala sobre desejo. Os de Deborah parecem plenamente saciados.
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