| |
| |  | |
CIDADE
Tapumes no calçadão A
obra é retomada, mas a briga segue na Justiça Fátima
Sá
Ana
Carolina Fernandes/Folha Imagem
 | | Novos
quiosques: canteiro
de obras em Copacabana
|
A
guerra em torno dos novos quiosques da orla carioca, que se arrasta há
cinco anos, voltou a agitar os tribunais. Há duas semanas, quiosqueiros
contrários ao projeto, reunidos num movimento batizado de Orla Legal, conseguiram
embargar as obras em Copacabana e anular o contrato entre a empresa Orla Rio e
a prefeitura. A empresa recorreu, as obras foram retomadas e a anulação
do contrato foi suspensa até que o caso seja julgado em instância
superior. A queda-de-braço continuou e os quiosqueiros tentaram embargar
novamente as obras. Na terça-feira passada foram derrotados. Enquanto isso,
por trás dos tapumes fincados em frente ao Hotel Copacabana Palace, a obra
segue a pleno vapor. A meta é retirar o trambolho até o fim do mês
e abrir os quiosques ao público até 15 de setembro. Cada estrutura,
orçada em 1,2 milhão de reais, terá até dois quiosques,
de visual moderno e área subterrânea com depósitos, cozinha
e banheiros. Os primeiros abrigarão uma cafeteria, uma filial do Bar Luiz
e um restaurante italiano. Isso se não houver mais reviravoltas. Ainda
há ações na Justiça e novas decisões podem
mudar o rumo das obras. Divulgação
 | | Mirante
do Leblon: o local terá projeto especial, sem subsolo
|
Há
duas questões no centro da polêmica. Uma diz respeito a normas ambientais.
A licença dada pela Feema dispensa a obra de estudo de impacto ambiental,
o que vem sendo contestado na Justiça. A outra questão refere-se
à relação entre quiosqueiros e a Orla Rio. Parte dos quiosqueiros
alega que o contrato com a empresa tira deles a autonomia para tocar o negócio.
"O contrato é nocivo. Para começar, a Orla Rio fica com 10% do faturamento
deles e ainda determina os produtos que devem ser vendidos e a forma de trabalhar.
Para se adaptarem ao novo quiosque, eles ainda terão de gastar quase 80.000
reais em equipamentos", afirma o advogado Júlio César Gomes Ribeiro
da Costa, que representa o movimento Orla Legal. "Eles tinham uma permissão
de uso que acabou em 2003. A Orla Rio quer manter todos os quiosqueiros e assume
as dívidas dos que estão inadimplentes, mas eles precisam se submeter
às novas regras", contra-argumenta o advogado da Orla Rio, Luiz Claudio
Costa. As
divergências vêm desde 1999, quando a empresa ganhou licitação
promovida pelo então prefeito Luiz Paulo Conde para reformar e explorar
os quiosques por vinte anos. Parte dos quiosqueiros assinou contrato com a Orla
Rio e parte deles formou uma cooperativa a Coopquiosque para representá-los
na briga com a empresa. Depois de muita discórdia, em janeiro deste ano
a cooperativa fechou acordo com a Orla Rio. Mas vários quiosqueiros alegam
não ter sido consultados e questionam o acordo, pelo qual a cooperativa
passou a receber da Orla Rio 10.000 reais mensais de manutenção,
além de 10.000 reais mensais para prestar assessoria jurídica e
contábil aos quiosqueiros. Para fiscalizar o contrato, a Orla Rio pagará
ainda 12.500 reais a uma terceira empresa de nome Tecnobeach , que
tem como acionistas justamente os mesmos diretores da cooperativa. "Isso é
um recibo de corrupção. Já encaminhamos notícia-crime
ao Ministério Público", diz o advogado dos quiosqueiros. "É
a prova de suborno da diretoria", acusa o deputado Paulo Ramos. A Orla Rio rebate
as acusações. "Não há nada de errado nisso. É
um acordo de mediação, previsto em contrato. Está tudo claro
e transparente", diz João Marcello Barreto, vice-presidente da Orla Rio.
A direção da Coopquiosque não quis falar sobre o acordo.
A queda-de-braço promete novos capítulos.
Entenda
a polêmica
Em 1999, a Orla Rio venceu a licitação da prefeitura para construir
e explorar comercialmente por vinte anos 309 novos quiosques do Leme à
Prainha. O contrato foi contestado.
Em janeiro deste ano, a Coopquiosque, cooperativa dos quiosqueiros descontentes,
fechou acordo com a Orla Rio. O acordo era a condição estipulada
pela prefeitura para o início das obras, que começaram em abril.
Quiosqueiros afirmam que o acordo é falso e acusam a diretoria da Coopquiosque
de tê-lo assinado sem consultá-los.
Há duas semanas, os quiosqueiros ganharam liminar suspendendo as obras.
A Orla Rio recorreu, a liminar foi suspensa e as obras, retomadas.
Paralelamente, a Justiça Federal anulou o contrato entre a Orla Rio e a
prefeitura. A Orla Rio entrou com recurso que suspende a decisão até
que o caso seja julgado em instância superior. | |