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24 de julho de 2002
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BALÉ

Celeiro de dançarinos

Escola Maria Olenewa comemora 75 anos

Debora Ghivelder


Ricardo Fasanello/Strana
Jorge e Letícia: alunos com sonhos em comum


Quem passa pela Rua Visconde de Maranguape, no Largo da Lapa, não sabe o que esconde o prédio de número 15. A placa discreta "Escola Estadual de Dança Maria Olenewa" não dá a dimensão da agitação presenciada no térreo. Por ali circulam 250 alunos com idades entre 8 e 17 anos. Nas últimas semanas, a movimentação ficou ainda maior. Ensaiam-se pliés e piruetas para o espetáculo de gala, que será realizado no sábado (27), às 16 horas, no Teatro Odylo Costa Filho, na UERJ. O evento (10 reais o ingresso) celebra os 75 anos de fundação da primeira escola oficial de dança do país, pela russa Maria Olenewa, coreógrafa e bailarina que morreu em 1965. A noite prevê, segundo a diretora da escola, Maria Luísa Noronha, não apenas a apresentação dos estudantes, mas também a de estrelas como Roberta Marquez e Nora Esteves, do Teatro Municipal, e Ana Carolina Quaresma, do Balé de Zurique, todas ex-alunas. "Olenewa teve a visão de que, para formar um corpo de baile, era preciso uma escola para abastecê-lo", diz Maria Luísa, em sua segunda gestão na instituição. Até hoje a escola é um celeiro de bailarinos para o Teatro Municipal e para outros palcos.

Anualmente, uma legião de candidatos a Nureyev tenta garantir o lugar à barra. Em média, são 500 postulantes às cinqüenta vagas para iniciantes na escola de dança. O curso, gratuito, possibilita o encontro de pessoas distantes, como Letícia Stock, 11 anos, e Jorge Assunção, 13. Ela mora na Barra da Tijuca, é filha de militares e aluna de colégio particular. Ele mora na subida do Morro do Cantagalo, é filho de zelador e de entregadora de jornal. Em comum, o talento e os sonhos. "Queremos fazer carreira internacional", entrega a garota, com a aprovação do colega. A turma de formandos também planeja a profissionalização. Carla Catharina da Silva, 16 anos, deseja mais que sapatilhas de ponta. "Quero dançar balé contemporâneo também", diz ela. Priscila Soares, 15, anseia pelo sonho dourado da bailarina. "Quero dançar O Lago dos Cisnes", conta. O negócio da Maria Olenewa é dar pernas aos sonhos dessa gente.

         
     
 
 
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