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24 de maio de 2006

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Muitos anos de pista

A longa vida das festas nas noites cariocas

Gustavo Autran

FOtos Adriana Lorete/Divulgação
Os DJs Yanay (de boné), Maurício Lopes (no alto, à dir.), Janot (à esq.) e a dupla Zé e Gordinho (acima): festas históricas
Divulgação

Há inúmeros exemplos de festas que experimentaram momentos de glória e, logo depois, caíram no esquecimento. Um dos motivos é o inegável fascínio das pistas de dança por sons descartáveis e modismos passageiros. Mas mesmo nesse território dominado pelo efêmero existe lugar para a tradição. A noite do Rio oferece alguns casos clássicos de festas que têm público fiel e continuam a ser realizadas ao longo dos anos. São dedicadas aos mais diversos estilos musicais e freqüentadas pelas mais variadas tribos. Cada uma tem a própria receita para o sucesso. "É fundamental fuçar na internet e estar bem informado sobre os principais lançamentos. Mas o mais importante é captar o clima da pista quando se está diante dos toca-discos", ensina Maurício Lopes, cultuado DJ carioca, um dos desbravadores do tecno na cidade. Há nove anos ele e a produtora Patrícia Lobo comandam a festa Oops!!, que acontece a cada dois meses no clube Fosfobox, em Copacabana.

A primeira edição da Oops!!, na extinta boate Guetto, em Botafogo, ocorreu sem a pretensão de fazer história. "Eu e dois amigos queríamos fazer uma festa para dançarmos enquanto Maurício tocava", conta Patrícia. Foi um sucesso. Com o fechamento da boate, a Oops!! migrou de casa em casa até encontrar abrigo fixo na Fosfobox. Outro exemplo de sucesso é a X-Demente, uma superprodução direcionada ao público gay que está prestes a completar dez anos. O projeto-solo de Fábio Monteiro nasceu após o rompimento com sua antiga sócia, Valéria Braga, com quem produzia a lendária Val-Demente. Hoje, as concorridas edições da X-Demente, que costuma ter atrações internacionais na cabine de som e na pista de dança, lotam a Fundição Progresso e a Marina da Glória. Já se acabaram nas pistas da X-Demente celebridades como o ator inglês Hupert Everett, a atriz espanhola Rossy de Palma e o músico Boy George. "Quando comecei, muitas pessoas apostavam que a festa não duraria um verão. Elas se deram mal. Sou movido pelo desafio", conta Fábio.

A mais antiga entre as festas tradicionais das noites cariocas é a RoNca RoNca, comandada pelo radialista e DJ Maurício Valladares. São quase catorze anos de estrada, contados a partir da estréia na finada Torre de Babel, boate que funcionava em Ipanema. A máxima dos velhos tempos é mantida até hoje: tocar música boa e juntar pessoas de diferentes estilos. "Todo mundo quer segmentar, mas a minha festa existe para todas as tribos", diz Maurício. As edições atuais, que acontecem no Teatro Odisséia, são incrementadas com shows. Os Paralamas do Sucesso, por exemplo, já se apresentaram por lá. A próxima noitada, nesta sexta (26), terá participação do rapper niteroiense De Leve. A variedade de estilos também é marca registrada da Loud!, que mantém seu charme underground graças às edições realizadas em um cinema pornô no Centro. Além da discotecagem, a Loud! se consagrou por oferecer shows de bandas nacionais e estrangeiras no palco da sala de projeção. A apresentação do grupo franco-inglês Stereolab, em 2000, contou com a presença do cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

Outras produções, mais modestas, conquistaram seu espaço. A Maldita, capitaneada pela dupla de DJs Zé e Gordinho, arrasta uma comitiva fiel para a pista da Casa da Matriz toda segunda-feira, com o lema "comece a semana se acabando". A Febre, que rola às quintas no mesmo endereço, continua sendo referência para fãs das batidas quebradas do drum'n'bass. A casa noturna abriga ainda a Brazooka, às sextas, cuja principal marca é o repertório com foco na música brasileira dançante. O sucesso da festa levou à realização de edições ampliadas no Teatro Odisséia, na Lapa, e também ao lançamento de um CD, previsto para julho. "A Brazooka nunca se desgasta porque o repertório brasileiro é inesgotável", diz o DJ Marcelo Janot, residente da festa criada em junho de 2000. Como se vê, nem tudo o que é bom tem de, necessariamente, durar pouco.

 

As mais tradicionais

OOPS!!

Surgiu há nove anos na extinta Guetto, em Botafogo. Passou pela Casa da Matriz e pelo Cine Ideal. Acontece a cada dois meses no clube Fosfobox, em Copacabana

DJ: Maurício Lopes

Som: eletrônico, principalmente tecno, electro e house

Próxima edição: em 16 de junho, na Fosfobox


LOUD!

A primeira festa aconteceu há sete anos, na Casa da Matriz, e consagrou-se no Cine Íris, lendário cinema pornô no Centro

DJs: Zé e Gordinho (sala de projeção); Túlio (galpão); Calbuque e Da Lua (terraço)

Som: rock, pop e drum'n'bass

Próxima edição: em julho, em temporada no Teatro Odisséia


X-DEMENTE

Começou há dez anos no cabaré da Fundição Progresso. Teve edições no Píer Mauá e hoje se reveza entre a Fundição e a Marina da Glória

DJs: Ana Paula e Breno Ung

Som: eletrônico, com house tribal e electro (pista 2)

Próxima edição: provavelmente em julho


RONCA RONCA

Surgiu há catorze anos na finada Torre de Babel, em Ipanema. Hoje ocupa o Teatro Odisséia, uma vez por mês

DJ: Maurício Valladares

Som: variado, do rock à black music.

Próxima edição: na sexta (26)


A MALDITA

Completa sete anos em julho. A estréia foi no bar Bukowski. Depois passou pela Bunker, pelo clubinho First, em Botafogo, e há mais de quatro anos está na Casa da Matriz

DJs: Zé e Gordinho

Som: indie rock

Próxima edição: na segunda (22)


BRAZOOKA

Estreou há seis anos na Casa da Matriz

DJ: Janot

Som: música brasileira para dançar

Próxima edição: na sexta (26)


FEBRE

Em julho, faz nove anos. Começou na extinta Guetto, em Botafogo, e depois passou a acontecer na Casa da Matriz

DJs: Marcelo Da Lua, Calbuque e Yanay

Som: drum'n'bass

Próxima edição: na quinta (25)

 

     
   

 

 
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