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ENTRETENIMENTO
Muitos anos de pista A longa vida das festas nas noites
cariocas Gustavo Autran
FOtos Adriana Lorete/Divulgação
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DJs Yanay (de boné), Maurício Lopes
(no alto, à dir.), Janot (à
esq.) e a dupla Zé e Gordinho (acima):
festas históricas |
Divulgação
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Há
inúmeros exemplos de festas que experimentaram momentos de glória
e, logo depois, caíram no esquecimento. Um dos motivos é o inegável
fascínio das pistas de dança por sons descartáveis e modismos
passageiros. Mas mesmo nesse território dominado pelo efêmero existe
lugar para a tradição. A noite do Rio oferece alguns casos clássicos
de festas que têm público fiel e continuam a ser realizadas ao longo
dos anos. São dedicadas aos mais diversos estilos musicais e freqüentadas
pelas mais variadas tribos. Cada uma tem a própria receita para o sucesso.
"É fundamental fuçar na internet e estar bem informado sobre os
principais lançamentos. Mas o mais importante é captar o clima da
pista quando se está diante dos toca-discos", ensina Maurício Lopes,
cultuado DJ carioca, um dos desbravadores do tecno na cidade. Há nove anos
ele e a produtora Patrícia Lobo comandam a festa Oops!!, que acontece
a cada dois meses no clube Fosfobox, em Copacabana. A
primeira edição da Oops!!, na extinta boate Guetto, em Botafogo,
ocorreu sem a pretensão de fazer história. "Eu e dois amigos queríamos
fazer uma festa para dançarmos enquanto Maurício tocava", conta
Patrícia. Foi um sucesso. Com o fechamento da boate, a Oops!! migrou
de casa em casa até encontrar abrigo fixo na Fosfobox. Outro exemplo de
sucesso é a X-Demente, uma superprodução direcionada
ao público gay que está prestes a completar dez anos. O projeto-solo
de Fábio Monteiro nasceu após o rompimento com sua antiga sócia,
Valéria Braga, com quem produzia a lendária Val-Demente.
Hoje, as concorridas edições da X-Demente, que costuma ter
atrações internacionais na cabine de som e na pista de dança,
lotam a Fundição Progresso e a Marina da Glória. Já
se acabaram nas pistas da X-Demente celebridades como o ator inglês
Hupert Everett, a atriz espanhola Rossy de Palma e o músico Boy George.
"Quando comecei, muitas pessoas apostavam que a festa não duraria um verão.
Elas se deram mal. Sou movido pelo desafio", conta Fábio.
A mais antiga entre
as festas tradicionais das noites cariocas é a RoNca RoNca, comandada
pelo radialista e DJ Maurício Valladares. São quase catorze anos
de estrada, contados a partir da estréia na finada Torre de Babel, boate
que funcionava em Ipanema. A máxima dos velhos tempos é mantida
até hoje: tocar música boa e juntar pessoas de diferentes estilos.
"Todo mundo quer segmentar, mas a minha festa existe para todas as tribos", diz
Maurício. As edições atuais, que acontecem no Teatro Odisséia,
são incrementadas com shows. Os Paralamas do Sucesso, por exemplo, já
se apresentaram por lá. A próxima noitada, nesta sexta (26), terá
participação do rapper niteroiense De Leve. A variedade de estilos
também é marca registrada da Loud!, que mantém seu
charme underground graças às edições realizadas em
um cinema pornô no Centro. Além da discotecagem, a Loud! se
consagrou por oferecer shows de bandas nacionais e estrangeiras no palco da sala
de projeção. A apresentação do grupo franco-inglês
Stereolab, em 2000, contou com a presença do cineasta espanhol Pedro Almodóvar.
Outras
produções, mais modestas, conquistaram seu espaço. A Maldita,
capitaneada pela dupla de DJs Zé e Gordinho, arrasta uma comitiva fiel
para a pista da Casa da Matriz toda segunda-feira, com o lema "comece a semana
se acabando". A Febre, que rola às quintas no mesmo endereço,
continua sendo referência para fãs das batidas quebradas do drum'n'bass.
A casa noturna abriga ainda a Brazooka, às sextas, cuja principal
marca é o repertório com foco na música brasileira dançante.
O sucesso da festa levou à realização de edições
ampliadas no Teatro Odisséia, na Lapa, e também ao lançamento
de um CD, previsto para julho. "A Brazooka nunca se desgasta porque o repertório
brasileiro é inesgotável", diz o DJ Marcelo Janot, residente da
festa criada em junho de 2000. Como se vê, nem tudo o que é bom tem
de, necessariamente, durar pouco.
As
mais tradicionais OOPS!!
Surgiu
há nove anos na extinta Guetto, em Botafogo. Passou pela Casa da Matriz
e pelo Cine Ideal. Acontece a cada dois meses no clube Fosfobox, em Copacabana
DJ:
Maurício Lopes
Som:
eletrônico, principalmente tecno, electro e house
Próxima
edição: em 16 de junho, na Fosfobox
LOUD!
A
primeira festa aconteceu há sete anos, na Casa da Matriz, e consagrou-se
no Cine Íris, lendário cinema pornô no Centro
DJs: Zé
e Gordinho (sala de projeção); Túlio (galpão); Calbuque
e Da Lua (terraço)
Som:
rock, pop e drum'n'bass
Próxima
edição: em julho, em temporada no Teatro Odisséia
X-DEMENTE
Começou
há dez anos no cabaré da Fundição Progresso. Teve
edições no Píer Mauá e hoje se reveza entre a Fundição
e a Marina da Glória DJs:
Ana Paula e Breno Ung
Som:
eletrônico, com house tribal e electro (pista 2)
Próxima
edição: provavelmente em julho RONCA
RONCA
Surgiu
há catorze anos na finada Torre de Babel, em Ipanema. Hoje ocupa o Teatro
Odisséia, uma vez por mês DJ:
Maurício Valladares
Som:
variado, do rock à black music.
Próxima
edição: na sexta (26) A
MALDITA
Completa
sete anos em julho. A estréia foi no bar Bukowski. Depois passou pela Bunker,
pelo clubinho First, em Botafogo, e há mais de quatro anos está
na Casa da Matriz DJs:
Zé e Gordinho
Som:
indie rock
Próxima
edição: na segunda (22) BRAZOOKA
Estreou
há seis anos na Casa da Matriz DJ:
Janot
Som:
música brasileira para dançar
Próxima
edição: na sexta (26) FEBRE
Em
julho, faz nove anos. Começou na extinta Guetto, em Botafogo, e depois
passou a acontecer na Casa da Matriz DJs:
Marcelo Da Lua, Calbuque e Yanay
Som:
drum'n'bass
Próxima
edição: na quinta (25) | |