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24 de maio de 2006

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Invasão estrangeira

Chopes importados ganham os cardápios

Gustavo Autran

Bruno Veiga/Strana
Chopes importados: sabores e preços especiais

O mercado do chope está na maior pressão. O motivo é o desembarque em larga escala de marcas importadas na cidade. Se antes essas bebidas ficavam praticamente restritas aos enfumaçados pubs da Zona Sul, freqüentados principalmente por turistas, hoje elas chegaram aos cardápios de bares e restaurantes como o Caroline Café, o Conversa Fiada e o Jiló. Produzida em uma fábrica no interior paulista, a belga Stella Artois já se espalhou por mais de dez estabelecimentos. Ela não está sozinha na expansão. Há outros exemplos de chopes importados servidos de bandeja no Rio, como os alemães Erdinger e Warsteiner, o irlandês Guinness e o holandês Heineken, que hoje já é fabricado no Brasil. O preço maior, se comparado com o das marcas nacionais, não aplacou a sede do consumidor. "O segmento do chope e da cerveja tipo premium, que utiliza ingredientes especiais em sua fabricação, dobrou sua participação no mercado brasileiro entre os anos de 2000 e 2005", diz Rachel Ogando, gerente de comunicação da AmBev, empresa fabricante da Stella Artois.

Um dos atrativos para os apreciadores das bebidas forasteiras é o ritual que antecede a degustação. O controle de qualidade é rígido. Os funcionários são treinados para armazenar o barril, retirar o líquido da torneira e servi-lo da forma adequada, em cálices especiais de acordo com a marca da bebida. Os copos em que são servidos os chopes Stella Artois, Erdinger e Warsteiner vêm do exterior e têm marcação para estabelecer o limite entre o líquido e o creme. "Isso imprime sofisticação", diz Fabiane Noronha, sócia do Leo's Pub, em Copacabana, que serve Warsteiner e Erdinger, esta de coloração turva por ser feita de trigo. Os ingredientes também são escolhidos cuidadosamente. No caso da Stella Artois, o lúpulo, planta responsável pelo amargor do chope, é cultivado na República Checa, e o malte, produto da germinação das sementes da cevada para emprego industrial, pode vir da Europa e do Uruguai. Outra preocupação é com a conservação, uma vez que os barris são trazidos de navio para o Brasil. "O prazo de validade pode chegar a seis meses. Depois de abertos, os barris devem ser consumidos em até quinze dias", explica Fabiane. Todos esses cuidados incidem naturalmente sobre os preços. A cultuada Guinness, de sabor forte e encorpada, é encontrada por até R$ 16,00 o pint, medida que corresponde a cerca de 600 mililitros. O consumidor parece não estar nem aí. "A única preocupação de quem pede um chope importado é com a qualidade", diz André Silva, sócio da rede Conversa Fiada. Os donos de botecos comemoram e jogam serpentinas.

 

Onde beber os importados

BELGIAN BEER CAFÉ. Shopping Downtown, Avenida das Américas, 500, bloco 9, loja 119, Barra, 3153-7675;
CAROLINE CAFÉ. Rua J.J. Seabra, 10, Jardim Botânico, 2540-0705;
CONVERSA FIADA DO JARDIM BOTÂNICO. Rua Jardim Botânico, 129, 2286-2111; JILO. Rua General San Martin, 1227, Leblon, 2274-6841;
LEO'S PUB. Rua Souza Lima, 37A, Copacabana, 2247-2503;
MIKE'S HAUS. Rua Almirante Alexandrino, 1458, Santa Teresa, 2509-5248;
MISTURA FINA. Avenida Borges de Medeiros, 3207, 2537-2844;
SHENANIGAN'S. Rua Visconde de Pirajá, 112, sobreloja, 2267-5860.

     
   

 

 
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