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24 de abril de 2002
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LAZER

É brinquedo, sim!

Aeromodelismo atrai adeptos
à
Ilha do Fundão

Fabio Brisolla

Fotos André Nazareth/Strana
Pista no campus da UFRJ: ponto de encontro de pilotos

Já faz parte da rotina de Pedro Ferraz, 15 anos, e de seu avô, o médico Carlos Paiva, 65 anos. Todos os fins de semana, os dois acordam cedo e seguem da Zona Sul para um campo a poucos metros da Coppe/UFRJ, na Ilha do Fundão. O tráfego aéreo tomado por miniaturas de aviões demarca o local, que reúne os praticantes de aeromodelismo. Pedro é o melhor piloto da Associação Insular de Aeromodelismo, que reúne, além de garotos que sonham voar, pilotos veteranos da aviação e empresários dispostos a investir na brincadeira. O preço da diversão varia. Um bom aeromodelo para iniciantes custa em média 2.000 reais. Pedro tem um protótipo top de linha, com 2,10 metros de comprimento, que saiu por 9.000 reais. O avô não sabe manejar o equipamento, mas se especializou em pagar a conta. "Eu não aprendi. O que me entusiasma é ficar olhando meu neto brincar", explica Carlos Paiva. Pedro é um aficionado do esporte. Ganhou o primeiro avião do avô quando tinha 8 anos. Para aprender as manobras, quebrou meia dúzia de modelos. "Atualmente tenho dezessete aviões e um helicóptero que voa dentro de casa. Vai da mesa para a televisão", diz Pedro.

 

Pedro e o avô: aeromodelo de 9.000 reais Carlos Alberto: escola no plano de vôo

Não se trata de empolgação de garoto. Carlos Alberto Vieira, 52 anos, diretor do centro de informações da Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio, comprou o primeiro avião em 1990, quando morava em Lisboa. Há três anos na cidade, tornou-se assíduo freqüentador da pequena pista de asfalto. "Não tenho espírito de competição. Venho por prazer, para passar o tempo", afirma Carlos Alberto. Ele também é um dos associados empenhados em oferecer a garotos das comunidades carentes próximas à Ilha do Fundão, onde fica o campus da UFRJ, a oportunidade de aprender a pilotar um aeromodelo. "Queremos transformar a associação também em uma escola de aeromodelismo", diz o diretor. A entidade tem 280 sócios. O garoto Thiago, 10 anos, está há um ano na pista. Aprendeu com o pai, o analista de sistemas Paulo Cesar Lima Vila, que pratica o esporte há mais de vinte anos. "Com 3 anos de idade, o Thiago já me acompanhava. Acabou entrando para o clube", lembra Paulo, orgulhoso. Apesar da união, o pai tem um avião e o filho, outro. O equipamento de cada um custou aproximadamente 2.000 reais. Jorge Assunção, 45 anos, gerente da Air France no Aeroporto Internacional Tom Jobim, é mais um que arrastou os filhos para o aeromodelismo. "Tenho três garotos e dois deles costumam vir comigo pilotar no fim de semana. Em casa temos seis aviões", conta Jorge. O tráfego aéreo está aumentando.

         
     
 
 
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