| |
|
|
 |
|
CIDADE
Sotaque
português
Livro
destaca a influência
lusitana sobre o Rio
Sérgio
Garcia
Dilmar Cavalher/Strana
 |
Arthur Cavaliere/Strana
 |
Arthur Cavaliere/Strana
 |
| O
nome do bar inspira-se em uma cidade portuguesa (no alto,
à esq.); no bairro de Portugal Pequeno, em Niterói,
onde está a Igreja de Nossa Senhora de Fátima
(no alto, à dir.), o casario é uma construção
tipicamente lusitana: influências |
Quem
pisa desatento as pedras portuguesas do calçadão de
Copacabana e passa em frente ao boteco sofisticado Manoel &
Juaquim provavelmente não se dá conta da procedência
de tudo aquilo. "Em São Paulo, destacam-se freqüentemente
as influências italiana e japonesa; no Sul, é a mesma
coisa com as colônias alemã e italiana. Por que o carioca
não tem uma relação com a presença portuguesa
na cidade como a que existe em outros Estados?", questiona o economista
Carlos Lessa. Ele tenta dar a resposta em Os Lusíadas
na Aventura do Rio Moderno, livro que organizou além
de escrever o texto-síntese de abertura , com artigos
de quinze pesquisadores de variadas áreas: urbanismo, literatura,
arte e sociologia. Como é extensa a bibliografia sobre a
influência dos patrícios na época da colônia
e do império, a publicação se atém principalmente
ao século XX. E a conclusão foge do óbvio.
"Apesar de não ter exaltada sua presença, o português
que migrou para o Rio na modernidade exerceu influência gigantesca
sobre a cidade", diz Carlos Lessa, professor de graduação
e pós-graduação de economia, decano do Centro
de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade
Federal do Rio de Janeiro e eleito recentemente reitor da instituição.
Os Lusíadas... busca dimensionar justamente a ação
lusitana no Rio do século passado.
André Nazareth/Strana
 |
Strana
 |
| Lessa:
a história recente do Rio |
O livro
não vê razão de ser para a subestima
que muitas vezes beira o desprezo da influência contemporânea
portuguesa. As razões desse comportamento são históricas.
Desde o começo do século passado a cidade renega seu
papel de colônia. Nas primeiras décadas do século
XX, as intervenções urbanas tinham o propósito
de tornar o Rio a Paris dos trópicos, pondo abaixo sobrados
característicos da arquitetura lusitana. "Na República
Velha, o carioca queria ser filho de francês", diz o professor.
Tudo o que era relativo ao passado associava-se a algo nocivo. Na
virada para este milênio, o sonho de simulacro era outro,
e parte da cidade tinha como paradigma Miami. O livro ressalta a
demolição do Morro do Castelo, berço do Rio
destruído a jatos de água nos primeiros anos da década
de 1920, como o fato mais evidente de rejeição da
cidade a seu passado. Porém, ao mesmo tempo que tentava apagar
sua história de colônia, em pleno século XX
a cidade ganhava clubes regionais um dos mais conhecidos,
a Casa do Minho, é de 1924 e bairros como Nossa Senhora
de Fátima, no Centro, e Portugal Pequeno, em Niterói,
todos de inspiração lusitana. Em seu artigo, Lessa
cita até a área de alimentação do BarraShopping,
uma reprodução da Praça Quinze, como exemplo
vivo da presença perene de Portugal na cidade. "Não
se consegue entender o Rio sem Portugal. Isso vale para o século
XX."
|
VIAGEM
SEM VOLTA
Estima-se
que 3 milhões de pessoas migraram de Portugal
para o Brasil.
No
século passado, quase 50% dos imigrantes lusitanos
no país moravam no Rio.
Na
virada para o século XX, 40% da população
do Rio era constituída de portugueses ou seus descendentes
de primeira geração.
Nos
anos 50 ocorreu o último grande afluxo de portugueses
para o Brasil, com a chegada de 260 000 pessoas.
|
|