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24 de março de 2004
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O rei da vaquejada

Uma festa nordestina na Baixada Fluminense

Fabio Brisolla


rAndré Valentim/Strana
O motor home de Jonatas: a Fórmula 1 como inspiração

Quando a reluzente picape Mitsubishi prata se aproxima do Parque Ana Dantas pela estrada de terra, é difícil ver o motorista. Carro estacionado, percebe-se a razão. Da cabine sai Jonatas Dantas, paraibano de ar circunspecto e 1,65 metro de altura. Jonatas costuma passar despercebido por onde anda. Seu nome, no entanto, é referência para milhares de pessoas que acompanham em todos os cantos do país os torneios de vaquejada. Espécie de primo mais modesto do rodeio, a vaquejada reúne dois cavaleiros e um boi na arena. O objetivo dos cavaleiros é derrubar o animal no menor tempo possível. Jonatas é o principal empresário desse tipo de torneio. Organiza o Circuito Ford, que ocorre em sete Estados do Nordeste, e o Campeonato Nacional, disputado em seis etapas. Ele é também o dono do Parque Ana Dantas, área de 100.000 metros quadrados na Baixada Fluminense, onde, de sexta (26) a domingo, 50.000 pessoas devem se reunir para assistir à 20ª edição da Vaquejada de Xerém.

Jonatas de Oliveira Dantas Filho, 38 anos, nasceu em Uiraúna, no sertão da Paraíba. Desembarcou no Rio há mais de vinte anos para trabalhar com um tio, dono de uma pequena empresa de equipamentos elétricos. Três anos depois, com 3.000 dólares no bolso, fruto de economias e de uma considerável ajuda do tio, comprou o primeiro terreno em Xerém. Nascia a edição inaugural de uma festa que não pára de crescer. "Consegui reunir cinqüenta duplas e eu mesmo pintei a régua (cerca da pista) com cal na primeira vaquejada que fiz", lembra Jonatas. Hoje, a situação é completamente diferente. São 800 os cavaleiros inscritos, ou 400 duplas. Ao lado da pista de vaquejada, um terreno plano é destinado a shows. Ali, dois palcos estavam sendo montados. O principal está reservado para os shows de Sandy e Júnior, no sábado, e Frank Aguiar, no domingo. O outro será ocupado por bandas de forró, de sexta a domingo. Sem parar. "O forró está para a vaquejada como a música sertaneja está para o rodeio", diz Jonatas.

No decorrer da semana passada, uma frota de tratores e dezenas de operários preparavam o terreno. As áreas de circulação do público estavam sendo asfaltadas. Um cenógrafo foi contratado para organizar as sessenta barracas dispostas lado a lado, com a decoração inspirada em diversas cidades do Nordeste. "Boa parte dos comerciantes da Feira de São Cristóvão ocupará essas barracas", diz Jonatas. Se a música não pára, os vaqueiros também não. As provas serão em seqüência, para dar conta do número de participantes. A premiação é uma das maiores do circuito de vaquejadas. Cada uma das cinco duplas mais bem colocadas ganha um carro zero-quilômetro (modelo popular). As classificadas em sexto até o vigésimo lugar levam prêmios de 4.000 reais. A área reservada para o estacionamento dos competidores deve receber 150 caminhões, trazendo cavalos e cavaleiros de todo o Brasil.

O primeiro deles já chegou e chama muita atenção. É o caminhão da Equipe Jonatas Dantas, resultado de uma história que começou nos boxes do GP Brasil de Fórmula 1. Com os bons ganhos obtidos na vaquejada, Jonatas comprou e ampliou a firma de equipamentos elétricos do tio. Certa vez, foi prestar serviços na produção da corrida de F 1 que, na época, era realizada no Autódromo de Jacarepaguá. "Ali eu vi o motor home do Ayrton Senna e fiquei sonhando em fazer um parecido para vaquejada", lembra. O sonho se concretizou há um ano. Jonatas pagou 130.000 reais pelo caminhão e investiu outros 150.000 na adaptação da carroceria. No interior do veículo, ele montou uma suíte de 10 metros quadrados equipada com televisão, DVD e frigobar. Ao lado, uma cozinha, com fogão, freezer, geladeira e microondas. O espaço restante é destinado aos cavalos.

Jonatas também é proprietário do Haras Ana Dantas e tem uma equipe que compete nos torneios de vaquejada pelo país. Na festa do próximo fim de semana, em Xerém, ele promove o leilão de sessenta cavalos da raça quarto-de-milha, próprios para o circuito. Um animal desses custa cerca de 30.000 reais e os melhores podem chegar a 100.000. "A minha idéia é transformar o Parque Ana Dantas em um espaço voltado para variadas atividades rurais", diz. Para atrair público, ele conta com os shows. E com o entusiasmo dos artistas. "Jonatas está dando uma contribuição muito importante para difundir a vaquejada pelo país", elogia Frank Aguiar. O cantor Fagner endossa: "Ele é um empresário que carrega patrocínios. Tem um crédito danado". Como bom emergente, Jonatas atualmente mora na Barra. Mas, como o vizinho e amigo Zeca Pagodinho, não descuida de Xerém. Foi lá que ele começou a construir sua riqueza.

 

Fotos André Valentim/Strana

Parque Ana Dantas: a propriedade de Jonatas Dantas tem pista com arquibancada para provas de vaquejada, dois palcos de shows e setor de leilão de cavalos

 

         
     

 

 
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