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PERFIL
O
rei da vaquejada
Uma
festa nordestina na Baixada Fluminense
Fabio
Brisolla
rAndré
Valentim/Strana
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motor home de Jonatas: a Fórmula 1 como inspiração
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Quando
a reluzente picape Mitsubishi prata se aproxima do Parque Ana Dantas
pela estrada de terra, é difícil ver o motorista.
Carro estacionado, percebe-se a razão. Da cabine sai Jonatas
Dantas, paraibano de ar circunspecto e 1,65 metro de altura. Jonatas
costuma passar despercebido por onde anda. Seu nome, no entanto,
é referência para milhares de pessoas que acompanham
em todos os cantos do país os torneios de vaquejada. Espécie
de primo mais modesto do rodeio, a vaquejada reúne dois cavaleiros
e um boi na arena. O objetivo dos cavaleiros é derrubar o
animal no menor tempo possível. Jonatas é o principal
empresário desse tipo de torneio. Organiza o Circuito Ford,
que ocorre em sete Estados do Nordeste, e o Campeonato Nacional,
disputado em seis etapas. Ele é também o dono do Parque
Ana Dantas, área de 100.000 metros quadrados na Baixada Fluminense,
onde, de sexta (26) a domingo, 50.000 pessoas devem se reunir para
assistir à 20ª edição da Vaquejada de
Xerém.
Jonatas
de Oliveira Dantas Filho, 38 anos, nasceu em Uiraúna, no
sertão da Paraíba. Desembarcou no Rio há mais
de vinte anos para trabalhar com um tio, dono de uma pequena empresa
de equipamentos elétricos. Três anos depois, com 3.000
dólares no bolso, fruto de economias e de uma considerável
ajuda do tio, comprou o primeiro terreno em Xerém. Nascia
a edição inaugural de uma festa que não pára
de crescer. "Consegui reunir cinqüenta duplas e eu mesmo pintei
a régua (cerca da pista) com cal na primeira vaquejada
que fiz", lembra Jonatas. Hoje, a situação é
completamente diferente. São 800 os cavaleiros inscritos,
ou 400 duplas. Ao lado da pista de vaquejada, um terreno plano é
destinado a shows. Ali, dois palcos estavam sendo montados. O principal
está reservado para os shows de Sandy e Júnior, no
sábado, e Frank Aguiar, no domingo. O outro será ocupado
por bandas de forró, de sexta a domingo. Sem parar. "O forró
está para a vaquejada como a música sertaneja está
para o rodeio", diz Jonatas.
No
decorrer da semana passada, uma frota de tratores e dezenas de operários
preparavam o terreno. As áreas de circulação
do público estavam sendo asfaltadas. Um cenógrafo
foi contratado para organizar as sessenta barracas dispostas lado
a lado, com a decoração inspirada em diversas cidades
do Nordeste. "Boa parte dos comerciantes da Feira de São
Cristóvão ocupará essas barracas", diz Jonatas.
Se a música não pára, os vaqueiros também
não. As provas serão em seqüência, para
dar conta do número de participantes. A premiação
é uma das maiores do circuito de vaquejadas. Cada uma das
cinco duplas mais bem colocadas ganha um carro zero-quilômetro
(modelo popular). As classificadas em sexto até o vigésimo
lugar levam prêmios de 4.000 reais. A área reservada
para o estacionamento dos competidores deve receber 150 caminhões,
trazendo cavalos e cavaleiros de todo o Brasil.
O
primeiro deles já chegou e chama muita atenção.
É o caminhão da Equipe Jonatas Dantas, resultado de
uma história que começou nos boxes do GP Brasil de
Fórmula 1. Com os bons ganhos obtidos na vaquejada, Jonatas
comprou e ampliou a firma de equipamentos elétricos do tio.
Certa vez, foi prestar serviços na produção
da corrida de F 1 que, na época, era realizada no Autódromo
de Jacarepaguá. "Ali eu vi o motor home do Ayrton Senna e
fiquei sonhando em fazer um parecido para vaquejada", lembra. O
sonho se concretizou há um ano. Jonatas pagou 130.000 reais
pelo caminhão e investiu outros 150.000 na adaptação
da carroceria. No interior do veículo, ele montou uma suíte
de 10 metros quadrados equipada com televisão, DVD e frigobar.
Ao lado, uma cozinha, com fogão, freezer, geladeira e microondas.
O espaço restante é destinado aos cavalos.
Jonatas
também é proprietário do Haras Ana Dantas e
tem uma equipe que compete nos torneios de vaquejada pelo país.
Na festa do próximo fim de semana, em Xerém, ele promove
o leilão de sessenta cavalos da raça quarto-de-milha,
próprios para o circuito. Um animal desses custa cerca de
30.000 reais e os melhores podem chegar a 100.000. "A minha idéia
é transformar o Parque Ana Dantas em um espaço voltado
para variadas atividades rurais", diz. Para atrair público,
ele conta com os shows. E com o entusiasmo dos artistas. "Jonatas
está dando uma contribuição muito importante
para difundir a vaquejada pelo país", elogia Frank Aguiar.
O cantor Fagner endossa: "Ele é um empresário que
carrega patrocínios. Tem um crédito danado". Como
bom emergente, Jonatas atualmente mora na Barra. Mas, como o vizinho
e amigo Zeca Pagodinho, não descuida de Xerém. Foi
lá que ele começou a construir sua riqueza.
Fotos André Valentim/Strana

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| Parque
Ana Dantas: a propriedade de Jonatas Dantas tem pista com arquibancada
para provas de vaquejada, dois palcos de shows e setor de leilão
de cavalos |
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