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REPORTAGEM
DE CAPA
Clube
dos lançadores de moda
Prateleiras
luxuosas se rendem
ao talento dos novos criadores
Fátima
Sá
Fotos André Nazareth/Strana
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| Xavier
e equipe (acima) na Clube Chocolate
(imediatamente abaixo): garimpo de peças
especiais
como vestidos Alberta Ferreti
(abaixo, à esq.) e cashmere Lucien
Pellat-Finnet (abaixo, à dir.) |
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| Movimento
na porta,
em 1986 (à
esq.), e o trio
de DJs: Tony,
Mahr e Wilson
vão festejar
os vinte
anos de Crepúsculo
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É
só xeretar as etiquetas. Ao lado de supergrifes como Prada,
Bluemarine e Donna Karan, jovens estilistas cariocas disputam as
atenções dos mais antenados e abastados
consumidores da cidade. O que até alguns anos atrás
passava ao largo dos templos do luxo é hoje fórmula
de sucesso. Ibô, Zigfreda, OEstudio, Daniela Martins e Alessa
são alguns dos nomes que brilham em araras descoladas e elegantes.
Isabela Capeto, a estilista que está por trás da Ibô,
inaugurou seu ateliê em abril do ano passado, na Gávea.
Já soma treze pontos-de-venda no exterior, entre eles as
conceituadas lojas Browns, de Londres, Biffi, de Milão, e
Stean, de Miami. No mercado internacional, seus vestidos chegam
a ser vendidos por 1.800 dólares. Menorzinha, a marca Zigfreda,
do casal Katia Wille e Hans Blankenburgh, nasceu oficialmente em
outubro passado, em Copacabana. E virou sensação.
Já OEstudio, casa de criação que produz sites,
filmes, programação visual de CDs, lojas e artistas,
ganhou sua faceta costura dois anos atrás, em caráter
experimental. "Era só para a gente e para os amigos", conta
Anne Gaul, que divide as tesouras com a amiga Christine de Castro
e as idéias com os outros seis integrantes do grupo, na Gávea.
"Estudei estilismo aqui, mas o cenário não era bom,
então fui para Nova York e Florença, estudar um pouco
mais. Em 2001, os amigos começaram a me chamar. O cenário
estava mudando. Hoje há muita gente nova fazendo coisas ótimas
por aqui", atesta Anne, prestes a lançar sua quarta coleção.
André Nazareth/Strana
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Márcio Madeira/Divulg.
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OEstudio:
a casa de criação formada por jovens designers
e estilistas (à esq.) produz moda, sites, filmes
e projetos visuais. Estilo urbano e experimental (à
dir. )
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O
palco principal que projetou esses novos talentos é a sofisticada
loja Clube Chocolate versão remodelada da grife feminina
Chocolate, que teve seu boom nos anos 80 e andava meio apagada na
década que passou. Cinco anos atrás, os donos da marca
se associaram ao poderoso grupo português Riopele, proprietário
de uma das maiores fábricas de tecidos da Europa, que fornece
para Armani, Prada e Zara. Com os novos sócios, a Chocolate
virou uma loja multimarcas de grifes internacionais, com algumas
peças da etiqueta antiga. Tornou-se Club Chocolate. No último
ano, cabideiros e vitrines passaram a exibir novos criadores nacionais.
Gente como a publicitária Alessandra Migani, que se notabilizou
produzindo calcinhas com frases bem-humoradas, e a ex-consultora
financeira Daniela Martins, que, em 1999, durante a licença-maternidade,
resolveu fazer bolsas para ocupar o tempo e acabou montando ateliê
no Jardim Botânico. Há dois anos, Daniela começou
também a produzir roupas femininas, que, aos poucos, chegaram
à loja do Fashion Mall. A Club logo passou a Clube e virou
lançadora de tendências. "Hoje, em cada área
da loja temos grifes internacionais, peças da marca Chocolate
e pelo menos um estilista brasileiro famoso e outro menos conhecido.
Procuramos ser a síntese do luxo contemporâneo sem
perder o traço da sensualidade brasileira", diz José
Xavier Neto, diretor de pesquisas responsável pela guinada
da loja.
Márcio Madeira/Divulg
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André Nazareth/Strana
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Katia
Wille, carioca, e Hans Blankenburgh, holandês (acima),
criaram a marca Zigfreda na ponte aérea RioAmsterdã:
moda feminina original, bem-humorada e graciosa (à
esq.)
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O
casamento entre grifes internacionais e a jovem moda brasileira
deu frutos além das terras cariocas. Em dezembro, a Clube
Chocolate inaugurou sua filial paulistana, na Rua Oscar Freire,
reduto do comércio mais luxuoso do país. Virou sensação,
com direito à visita da americana Patricia Field, figurinista
do cultuado seriado Sex and the City. Entre as peças
escolhidas por ela estavam um vestido da carioca Zigfreda e uma
bolsa da Raia de Goeye, grife paulistana que estreou nas passarelas
em janeiro, no Fashion Rio, com um estilo muito carioca, segundo
as próprias estilistas. Agora, a Clube Chocolate se prepara
para crescer no Rio. Em julho, inaugura uma megaloja na Rua Aníbal
de Mendonça, em Ipanema. "A partir daí, pensamos em
Nova York, Itália e Portugal. São projetos para 2005",
promete o português José Fernando Pimenta, um dos sócios
da Riopele, que esteve no Rio na semana passada.
Márcio Madeira/Divulg
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Cláudia Martins/Strana
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Sucesso
estrondoso: em menos de um ano, Isabela Capeto (à
dir.) e sua grife Ibô viraram sensação.
Trabalho artesanal (à esq.) está à
venda na Clube Chocolate e em treze pontos no exterior
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Na
Clube Chocolate, o garimpo por novidades não se limita ao
mercado nacional. Nem a roupas ou acessórios. "Somos uma
concept store. Não vendemos apenas moda, vendemos
estilo de vida", diz Juliana Pinheiro Mota, integrante da equipe
de compradoras da loja. As prateleiras da Clube não são
mais divididas por marcas, e sim por estilos (para a mulher romântica,
a que está de férias, a que gosta de um visual mais
natural...). Em cada ilha, além de roupas, sapatos e bolsas,
encontram-se CDs, livros, objetos de decoração. O
consumidor pode adquirir um impecável vestido bordado da
grife italiana Bluemarine, por nada menos que 13.998 reais, ou uma
camiseta Zigfreda, de 128 reais. Se a idéia for mais modesta,
jogos americanos de varetas de coqueiro da Zona da Mata custam módicos
18 reais. "Nada mais contemporâneo que misturar marcas, padrões,
idéias. Além disso, ninguém precisa sair frustrado
porque não pôde comprar", diz Xavier.
Daniel Mattar/Divulgação
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Márcio Madeira/Divulg
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Paula
Raia, Ana Paula Vilela
e Fernanda de Goeye
(à esq.), da grife Raia
de Goeye: marca paulistana
com jeito carioca
foi destaque do último
Fashion Rio (à dir.)
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Instalada
em pleno Centro do Rio e, portanto, fora do tradicional mapa da
moda carioca, a empresária Fátima Lomba comemora os
bons ventos do estilismo carioca. Dona na loja Novamente, ela começou
a apostar em jovens talentos há dez anos. "Nos anos 90, o
Rio estava saturado de redes de lojas vendendo as mesmas coisas.
Faltavam trabalhos personalizados e informação sobre
moda, design e estilo", comenta Fátima. Ao abrir sua loja,
a empresária foi buscar estilistas em São Paulo. De
lá, trouxe nomes como Fause Haten, Glória Coelho,
Reinaldo Lourenço e a novata Gisele Nasser, destaque da última
Amni Hot Spot, mostra de jovens estilistas em São Paulo.
"Não havia ninguém do Rio. De uns tempos para cá
foram surgindo pessoas", conta a empresária, que costuma
misturar coleções passadas e atuais de diferentes
profissionais, criando um estilo próprio. Fátima foi
a primeira a ver as produções de Katia Wille, antes
do nascimento oficial da Zigfreda. No verão de 2002, Katia
era designer da marca de sportwear O'Neill na Europa. Nas horas
vagas, confeccionava peças muito femininas, bem-humoradas
e graciosas. Em visita ao Rio, Katia deixou as criações
com Fátima, que pôs tudo à venda. Foi um sucesso.
Daniel Mattar/Divulgação
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Daniel Mattar/Divulgação
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Daniela
Martins (à dir.): consultora financeira que
começou a fazer bolsas para se ocupar durante licença-maternidade
agora cria vestuário feminino delicado e artesanal
(à esq.)
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Vizinha
da Novamente, no mesmo Shopping Vertical, no Centro do Rio, fica
a Index, multimarcas voltada para o público jovem. Taís
Carvalho e Mônica Allan, as donas, eram compradoras da extinta
Mesbla. Ao saírem da empresa, criaram uma confecção
feminina e passaram a vender em feiras de moda. Foi assim que perceberam
o boom de estilistas sem lojas. Deixaram a marca própria,
conseguiram uma salinha de 10 metros quadrados em Ipanema e abriram
a Index, em 1997, vendendo moda de jovens talentos de São
Paulo e roupas e acessórios Adidas. "Fomos o metro quadrado
que mais vendeu Adidas no mundo", lembra Taís. Aos poucos,
a grade de estilistas foi ganhando nomes cariocas, como a grife
Samambaia, que produz camisetas com ícones da cultura nacional,
como o Chacrinha. A marca, que antes só era comercializada
pela internet, foi parar no corpo de VJs da MTV e virou hit da Index.
Fotos André Valentim/Strana
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| Pioneirismo:
a empresária Fátima Lomba (acima)
abriu
sua loja Novamente há dez anos, quando pouca gente
apostava em estilistas nacionais. Virou hit |
Robert,
Mônica, Taís e Fernando (acima), donos da
Contemporâneo:
multimarcas moderna investe em moda
e design made in Brazil. Com muita badalação
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Enquanto
percorriam feiras de moda e acompanhavam o surgimento de cursos
para estilistas no Rio, Taís e Mônica foram ampliando
a loja hoje são 32 metros quadrados em Ipanema e 250
no Centro, onde estão há dois anos. No percurso, as
duas conheceram Robert Guimarães e Fernando Molinari, criadores
da Babilônia Feira Hype. Acabaram sócios. Menos de
dois anos atrás o quarteto lançou a loja Contemporâneo,
em Ipanema, com perfil mais sofisticado, vendendo exclusivamente
moda e design brasileiros. Foi lá que OEstudio vendeu sua
primeira coleção. É lá, também,
que o festejado ateliê carioca Santa Ephigenia vende sua linha
mais básica. Também disputam as araras nomes de São
Paulo, como Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga e Reinaldo Lourenço,
de Minas, como a Coven, e do Espírito Santo, como a Lei Básica.
A mistura de jovens e consagrados estilistas e designers nacionais
é tão interessante que a loja foi parar nas páginas
da revista italiana Collezioni, ao lado da butique Daslu,
o supra-sumo do luxo no Brasil. "Mais do que uma loja, viramos também
ponto de encontro. Sempre fazemos reuniões com DJs e estilistas,
músicos, artistas. É um agito", diz Robert. Nos próximos
meses, eles planejam ter na loja uma área de roupas para
crianças. Todas muito moderninhas e com opções
para festa, claro. O momento, afinal, é de comemorar.
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