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23 de outubro de 2002
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Perigo à vista

A chegada do verão traz
de volta o risco da dengue

Fabio Brisolla


Dilmar Cavalher/Strana
Pesadelo: epidemia gerou filas em hospitais no verão passado e assustou cariocas

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O verão começa em 21 de dezembro, e, mesmo antes da chegada da estação mais quente do ano, a ameaça de uma nova epidemia de dengue volta a rondar os cariocas. O último levantamento, realizado entre julho e setembro, deu o alerta: em 2% dos domicílios da cidade foram encontrados focos de Aedes aegypti. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o índice máximo aceitável é 1%. O secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, afirma que o mosquito não foi esquecido durante o inverno. "Fizemos um grande trabalho o ano inteiro, com 2.700 homens nas ruas, 270 veículos e 25 fumacês." Afastado para disputar uma vaga na eleição para deputado federal, Ronaldo reassumiu há uma semana a Secretaria Municipal de Saúde. E, para tentar neutralizar o mosquito, autorizou a contratação de mais 1.000 agentes de saúde.

"Esse número é insuficiente se não houver a colaboração da população. Um verão sem dengue depende do governo e da sociedade", diz o secretário. Até setembro foram registrados 131.363 casos no município. O pico da epidemia se deu durante o mês de março, com 52.486 ocorrências. Em agosto foram 46 e em setembro houve apenas quatro. Desde o início do ano, o número de mortes causadas pela doença chegou a 63. Para tentar informar a população sobre os mecanismos de combate ao mosquito e à dengue, a secretaria realizou um fórum na semana passada com representantes de associações de moradores e profissionais das áreas de educação e saúde. A conscientização da comunidade é uma arma decisiva na campanha contra a doença. O trabalho dos agentes de saúde precisa contar com o apoio da população, que deve evitar deixar água parada em garrafas e em vasos de planta. "Em muitas residências, principalmente na Zona Sul, os funcionários da secretaria não conseguem entrar para checar se há focos do mosquito", explica o secretário.

Oscar Cabral


O pesquisador da Fiocruz Anthony Érico Guimarães, integrante da câmara técnica formada pelo governo estadual para acompanhar o problema, afirma que as autoridades têm a responsabilidade de acabar com os focos principais. "Precisamos procurar locais como caixas-d'água, piscinas abandonadas, terrenos baldios. Os focos secundários, como bandejas, latas, garrafas, devem ficar sob a responsabilidade da população se quisermos acabar com a dengue", diz Anthony. O pesquisador explica que a forma mais rápida de combater o mosquito é buscando o ponto de origem. Duas semanas atrás, sua equipe detectou focos na Quinta da Boa Vista. "Encontramos centenas de bromélias com dezenas de larvas cada uma. Se as bromélias estão com larvas é porque naquela área há um macrofoco, que, com a chegada do calor, promove a multiplicação dos mosquitos, que buscam um foco secundário", esclarece Anthony. "O índice de 2% de infestação foi medido num período em que os números são baixos. Parece não ser alto, mas para a época em que foi coletado é preocupante", alerta Roberto Medronho, diretor do Núcleo da Saúde Coletiva da UFRJ. O Ministério da Saúde marcou para o próximo dia 23 de novembro um novo Dia D de combate à dengue.

         
     
 
 
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