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SAÚDE
Perigo
à vista
A
chegada do verão traz
de volta o risco da dengue
Fabio
Brisolla
Dilmar Cavalher/Strana
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| Pesadelo:
epidemia gerou filas em hospitais no verão passado e assustou
cariocas |
O verão
começa em 21 de dezembro, e, mesmo antes da chegada da estação
mais quente do ano, a ameaça de uma nova epidemia de dengue
volta a rondar os cariocas. O último levantamento, realizado
entre julho e setembro, deu o alerta: em 2% dos domicílios
da cidade foram encontrados focos de Aedes aegypti. De acordo
com a Organização Mundial de Saúde, o índice
máximo aceitável é 1%. O secretário
municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, afirma que o mosquito
não foi esquecido durante o inverno. "Fizemos um grande trabalho
o ano inteiro, com 2.700 homens nas ruas,
270 veículos e 25 fumacês." Afastado para disputar
uma vaga na eleição para deputado federal, Ronaldo
reassumiu há uma semana a Secretaria Municipal de Saúde.
E, para tentar neutralizar o mosquito, autorizou a contratação
de mais 1.000 agentes de saúde.
"Esse
número é insuficiente se não houver a colaboração
da população. Um verão sem dengue depende do
governo e da sociedade", diz o secretário. Até setembro
foram registrados 131.363 casos no município.
O pico da epidemia se deu durante o mês de março, com
52.486 ocorrências. Em agosto foram
46 e em setembro houve apenas quatro. Desde o início do ano,
o número de mortes causadas pela doença chegou a 63.
Para tentar informar a população sobre os mecanismos
de combate ao mosquito e à dengue, a secretaria realizou
um fórum na semana passada com representantes de associações
de moradores e profissionais das áreas de educação
e saúde. A conscientização da comunidade é
uma arma decisiva na campanha contra a doença. O trabalho
dos agentes de saúde precisa contar com o apoio da população,
que deve evitar deixar água parada em garrafas e em vasos
de planta. "Em muitas residências, principalmente na Zona
Sul, os funcionários da secretaria não conseguem entrar
para checar se há focos do mosquito", explica o secretário.
Oscar Cabral

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O pesquisador da Fiocruz Anthony Érico Guimarães,
integrante da câmara técnica formada pelo governo estadual
para acompanhar o problema, afirma que as autoridades têm
a responsabilidade de acabar com os focos principais. "Precisamos
procurar locais como caixas-d'água, piscinas abandonadas,
terrenos baldios. Os focos secundários, como bandejas, latas,
garrafas, devem ficar sob a responsabilidade da população
se quisermos acabar com a dengue", diz Anthony. O pesquisador explica
que a forma mais rápida de combater o mosquito é buscando
o ponto de origem. Duas semanas atrás, sua equipe detectou
focos na Quinta da Boa Vista. "Encontramos centenas de bromélias
com dezenas de larvas cada uma. Se as bromélias estão
com larvas é porque naquela área há um macrofoco,
que, com a chegada do calor, promove a multiplicação
dos mosquitos, que buscam um foco secundário", esclarece
Anthony. "O índice de 2% de infestação foi
medido num período em que os números são baixos.
Parece não ser alto, mas para a época em que foi coletado
é preocupante", alerta Roberto Medronho, diretor do Núcleo
da Saúde Coletiva da UFRJ. O Ministério da Saúde
marcou para o próximo dia 23 de novembro um novo Dia D de
combate à dengue.
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