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CIDADE
A
calçada encolheu
Pedestre
paga o pato em nova ciclovia
Livia
de Almeida
Cláudia Martins/Strana
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| Pinheiro
Machado: calçada para pedestres magros e pista para uma
bicicleta por vez |
Em
princípio, a idéia é ótima: criar uma
faixa para bicicletas que permita ao morador de Laranjeiras pedalar
até o Aterro do Flamengo. O problema é que ela foi
executada por vias tortas. Projetada inicialmente para passar pela
Rua Moura Brasil, a Ciclovia Tricolor sofreu alterações
em seu trajeto depois do protesto de moradores. A emenda ficou pior
que o soneto: o novo projeto brindou com a ciclovia a estreita calçada
da Pinheiro Machado, entre os números 60 e 80. No trecho
mais largo do quarteirão, o espaço reservado aos pedestres
ficou reduzido a míseros 70 centímetros, dificultando
a passagem de carrinhos de bebê. Diante dos prédios
76 e 80, a calçada encolhe ainda mais. É só
deixar a portaria que o morador já está na pista.
A ciclovia, nesse quarteirão, tem 1,20 metro de largura,
insuficiente para que duas bicicletas se cruzem. "Ciclistas e pedestres
vão compartilhar esse trecho. O movimento de bicicletas será
pequeno. Vai ser um trecho quase morto", pondera Otto Ruback, gerente
de projetos especiais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
"Fomos surpreendidos. Ninguém nos procurou para informar
sobre a mudança", reclama Aroldo Moreira Filho, síndico
do prédio 70.
A
história da Ciclovia Tricolor é acidentada. Em 1999,
os estudos começaram a ser realizados pela secretaria. A
empresa Qualiurb, contratada para fazer o projeto, criou três
traçados. Nenhum previa usar o quarteirão da Pinheiro
Machado entre a Rua Almirante Benjamin e a Álvaro Chaves.
As obras, iniciadas em julho de 2001, foram suspensas no fim do
ano. "A empreiteira contratada não tinha condições
de realizar a obra", justifica Ruback. Nova licitação
foi feita e, três semanas atrás, recomeçaram
os trabalhos. Os moradores da Pinheiro Machado alegam que só
ficaram sabendo da novidade quando a empreiteira enviou um comunicado
aos condomínios. Estava armada a confusão, com a vizinhança
organizando abaixo-assinados. Na semana passada, os moradores penduraram
nas fachadas faixas de protesto, como "Fora ciclovia" e "Pela via
livre". Um grupo cogita recorrer à Justiça para embargar
as obras. Moradora do prédio 76 desde 1956, Cristina Madeira
é testemunha da batalha perdida do pedestre pelo direito
à calçada. Antes da abertura do Túnel Santa
Bárbara, o passeio se estendia até metade da pista.
"Havia jardins na frente do prédio, coqueiros diante do Palácio
Guanabara e carro só a cada quinze minutos", lembra.
Com
2,3 quilômetros, a Ciclovia Tricolor vai da Praça Carlos
Del Prete ao aterro, com custo de 445.000
reais e previsão de conclusão para dezembro. O percurso
é acidentado, interrompido por diversas travessias. Depois
de passar pelo Fluminense, a pista atravessa a rua e segue pelo
canteiro central da Pinheiro Machado. Na altura da Carlos Campos,
é preciso atravessar para o outro lado da Pinheiro Machado.
Depois de uma descida acentuada, o caminho prossegue pelo lado da
Rua Farani, numa faixa estreita. "Vai ser complicado. Há
um movimento grande de pessoas e menos de 2 metros de calçada",
explica o gerente da Pizzaria Fattore, Alex Martins. A calçada
da Farani costuma ficar apinhada de alunos da Santa Úrsula.
Na esquina da Praia de Botafogo, a ciclovia cruza a Farani, segue
até o Centro Empresarial Botafogo, atravessa a rua para o
canteiro central e, através de uma passagem subterrânea,
chega, enfim, ao aterro. "É impossível agradar a gregos
e troianos", diz Ruback. Mas não precisava perturbar ainda
mais a maior vítima do caos urbano carioca: o pedestre.
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