Publicidade
 
 


 
 



23 de agosto de 2006

REPORTAGEM DE CAPA
PERFIL
URBANISMO
PATRIMÔNIO
GASTRONOMIA
OPINIÃO DO LEITOR
VEJA RIO 15 ANOS
BEIRA-MAR
AS BOAS COMPRAS
CRÔNICA
VEJA RIO RECOMENDA
BARES
CINEMAS
CONCERTOS

em destaque
EXPOSIÇÕES
FEIRA
FILMES

em destaque
PARA AS CRIANÇAS

em destaque
PARA DANÇAR
RESTAURANTES

em destaque
SHOWS

em destaque
TEATRO

em destaque
TV POR ASSINATURA
  

URBANISMO

O arquiteto esquecido

Exposição conta a história de Azevedo Neto

 
Fotos divulgação
Jardim de Alah: o projeto original tinha um pequeno deque para passeios pela Lagoa

O arquiteto J.S. Azevedo Neto é praticamente desconhecido da maioria da população carioca. Os projetos urbanísticos criados por ele, no entanto, tornaram-se marcantes no cotidiano da cidade. Azevedo Neto trabalhou para a Fundação Parques e Jardins entre as décadas de 30 e 50 e tornou-se um especialista na criação de áreas de lazer para os bairros. De sua prancheta surgiram as praças Nossa Senhora da Paz e General Osório, em Ipanema, Antero de Quental, no Leblon, Saens Peña, na Tijuca, do Lido e Cardeal Arcoverde, em Copacabana. A lista vai além, incluindo intervenções em todas as regiões do Rio. O descaso histórico com Azevedo Neto começa a ser corrigido pela própria Fundação Parques e Jardins, que promove, a partir de sexta-feira (25), no Arquivo Nacional, uma exposição com dezenas de fotos, esboços e projetos do arquiteto reunidos em trinta painéis.

 
Azevedo (à esq.): Saens Peña

O carioca José da Silva Azevedo Neto nasceu em 22 de agosto de 1908 e morreu em 1962, aos 54 anos. A FPJ teve dificuldade para encontrar em seus arquivos outras datas do currículo do arquiteto, como o início de sua carreira na prefeitura, por exemplo. A primeira planta de Azevedo Neto encontrada na FPJ é de 1936. O último projeto data de 1950. As fotos históricas da exposição, com praças recém-inauguradas, levam a uma triste constatação: boa parte dos projetos originais do arquiteto desapareceu. As reformas realizadas pelo município, ao longo dos anos, desprezaram as características dos projetos. A Praça Saens Peña foi totalmente modificada. A Praça Cardeal Arcoverde praticamente desapareceu com o surgimento da primeira estação de metrô no bairro de Copacabana. Na Fonte da Saudade, na Lagoa, Azevedo Neto concluiu um de seus mais belos projetos, a Praça Piassava. A obra sumiu após seguidas intervenções, como a construção do viaduto de acesso ao Túnel Rebouças.

 
André Valentim/Strana
Fonte da Saudade: a Praça Piassava (à dir.) sumiu após uma série de obras

Um lugar que ainda mantém elementos da arquitetura de Azevedo Neto é o Jardim de Alah, em Ipanema. As fotos da exposição pertenciam ao arquivo pessoal de Azevedo Neto e foram cedidas pela família do arquiteto. As imagens de Ipanema mostram um amplo e navegável canal no Jardim de Alah. Havia inclusive um deque para embarque e desembarque. "A idéia na época era colocar gôndolas para passeios na lagoa. A prefeitura chegou a comprar duas, com direito a gondoleiro e tudo", conta o historiador Milton Teixeira. "Os projetos dele têm equilíbrio entre áreas pavimentadas e jardins. Era um espaço para contemplação", define Cláudia Brack, curadora da exposição, incluída na programação da Mira 2006 – Mostra Internacional Rio Arquitetura. A presidente da Fundação Parques e Jardins, Vera Dodsworth, espera que o estilo do arquiteto seja reconhecido a partir de agora. "Azevedo Neto é um carioca que merece ser lembrado. E esperamos que essa exposição contribua para isso."

     
   

 

 
VEJA on-line | Veja Rio
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados