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23 de maio de 2007

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RESTAURANTES

A multiplicação dos cones

Fast-food japonesa criada no
Rio vira rede e chega a Portugal

Fernanda Thedim

Ricardo Fasanello/Strana

Os cones do chef Nao Hara: sabores contemporâneos e preços de até R$ 8,50

Onze horas da manhã. A loja ainda não abriu e um grupo de belos famintos aguarda pacientemente na calçada da Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon. Nas horas seguintes, revezam-se nas poucas mesas do Koni Store estudantes dos colégios próximos, colegas de trabalho em horário de almoço, madames do bairro, patricinhas carregadas de sacolas de compras. A atração: os cones japoneses de alga marinha recheados com arroz e peixe. Seis meses após a inauguração, o endereço criado por três jovens cariocas virou sucesso de público e crítica. Transformou-se no point de várias tribos, que lotam a casa de segunda a domingo. A rotatividade é grande: em média, são 600 clientes por dia, que permanecem 25 minutos nas mesas. No miolo do Baixo Leblon, ladeado por dois points da boemia carioca – o bar Jobi e a Pizzaria Guanabara –, o local conquistou também o público da madrugada. "Temos de sair avisando aos clientes que não vamos mais servir para conseguir fechar. E isso por volta das 6 da manhã", diz Flavio Berman, um dos sócios.

O publicitário Berman, 27 anos, pediu demissão do emprego na área de marketing quarenta dias depois de abrir a loja. Ronnie Markus, 26 anos, largou o trabalho que tinha na área de informática e o desenhista industrial Michel Jager, 25, abandonou o que fazia no mercado automobilístico. "Na segunda semana de funcionamento dobramos o número de empregados", lembra Markus. Amigos de infância e apreciadores da culinária japonesa, eles queriam abrir um restaurante oriental. "Mas não tínhamos dinheiro", explica Jager. Resolveram fazer algo menor. Berman, que havia morado em São Paulo por dois anos e era fã das temakerias de lá, propôs que eles se especializassem nos cones. Deu certo.

Dilmar Cavalher/Strana

Markus, Berman e Jager: no início, pouco dinheiro; agora, mais doze lojas

Por dia são vendidas 800 unidades, número que salta para 1 300 nos fins de semana. Cada uma custa entre 5,80 e 8,50 reais. Para bolar o cardápio, eles tiveram a consultoria do talentoso chef Nao Hara. "Pensamos nele desde o início", conta Jager. Craque na culinária japonesa contemporânea, Hara criou vinte variedades, como o poke, um dos carros-chefes, feito de salmão, atum, cebolinha, gergelim, ovas de peixe e flocos de massa de tempura. Novos sabores estão sendo estudados. "Já pensamos até num cone de moqueca", diz Berman. Era inevitável expandir os domínios. No fim do mês abrem as duas primeiras franquias, uma em Ipanema e a outra na Barra. Até o fim do ano serão mais doze endereços. Salvador e Brasília ganham suas filiais em julho; depois a rede chega a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul. E em outubro o sucesso do trio cruza o Atlântico: os cones cariocas desembarcam em Portugal.

         
     

 

 
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