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CIDADE
Isso é um descaso
Do Leme ao Leblon, cinco
postos
de salvamento estão
interditados
e os outros seis, em péssimo estado
Sofia Cerqueira
Fotos Dilmar Cavalher/Strana
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Não é
preciso muito esforço. Basta uma caminhada pela orla da Zona
Sul para o carioca deparar com os danos provocados pela ação
do tempo e agravados pelo descaso do poder público.
Se ele estiver, digamos, apertado, o passeio à beira-mar
pode virar um tormento. Dos onze postos de salvamento do Leme ao
Leblon, dotados de banheiros e ducha, cinco estão interditados
pela Defesa Civil, um parcialmente liberado e os outros cinco em
situação crítica. Detalhe: nos 5 quilômetros
do Arpoador ao Leblon, apenas o Posto 10 está aberto, ainda
assim com parte interditada. Grades enferrujadas, paredes infiltradas,
rebocos ameaçando se desprender e vergalhões à
mostra são alguns dos problemas evidentes. E isso acontece
num serviço que caiu no gosto da população:
no ano passado, 568 155 pessoas ou cinco Maracanãs
e meio lotados usaram os 24 postos existentes na orla do
Rio, 188 708 das quais só entre Ipanema e Leblon. Às
vésperas do Pan, o estado dos postos contrasta com a estrutura
reluzente dos novos quiosques, que já somam vinte unidades
entre o Leme e Copacabana e até julho serão mais quatro.
"É impressionante como as autoridades, em vez de conservar
os postos, preferem deixá-los estragar a tal ponto que, para
resolver o problema, se torna necessário fazer uma grande
obra", afirma o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio
Gomes. A Riourbe, empresa vinculada à Secretaria Municipal
de Obras, informou que iniciará em junho a reforma dos postos.
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| Interditado: o Posto 9, em Ipanema, no
trecho mais badalado da orla |
É mais do
que hora. "Há cerca de um mês, optamos por interditar
os que ofereciam riscos à população", explica
o coronel João Carlos Mariano, coordenador-geral da Defesa
Civil do município. "Constatamos corrosão em estruturas
e risco de queda de reboco." O tenente-coronel Carlos Antônio
Marques, comandante do 1º Grupamento Marítimo (G-Mar),
que concentra os dados de salvamentos no Rio, confirma os problemas.
"Em alguns postos, a situação é tão
precária que os guarda-vidas preferem montar uma barraca
na areia a ficar lá." Em todos eles, projetados pelo arquiteto
Sérgio Bernardes e construídos nos anos 70, o 2º
piso é usado pelo G-Mar. Dois guarda-vidas ficam em cada
posto, separado do seguinte por cerca de 700 metros. Atualmente,
os postos são administrados pela Comlurb, que mantém
108 garis na limpeza e no atendimento. Funcionam, nesta época
do ano, entre as 6 e as 20 horas. No verão, das 6 à
meia-noite. Ali, os banhistas pagam uma taxa (1 real) e têm
acesso a banheiro e ducha nos postos que não estão
interditados, claro. "É um crime deixar a orla nessa situação",
enfatiza João Fontes, presidente da Associação
de Moradores e Amigos do Leblon. "Ainda bem que não faltam
alternativas para quem está necessitado: os canteiros, as
árvores, o mar", ironiza.
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| Ainda aberto: o Posto 2, no Lido, com ferrugem
e infiltrações |
A ex-modelo Luiza Brunet, que anda diariamente
na orla, faz coro às reclamações. "Há
muito tempo eles estão com aparência de abandono",
atesta. "Em vários países, a estrutura da orla é
bem melhor", compara a jogadora de vôlei Maria Clara Salgado,
que treina em Ipanema. E nem sempre é possível se
refrescar em um dos aparelhos Cuca Fresca (que soltam gotículas
de água). Dos onze instalados do Leme ao Leblon, cinco estão
parados. Em março, um menino levou um choque em um deles
e precisou ser levado a um hospital. A Rioluz, subordinada à
prefeitura, alega que vários danos são causados por
vândalos e que a manutenção é constante.
A situação não é muito melhor nos postos.
Eles passaram por obras na época do Rio-Orla, em 1992, tiveram
o patrocínio de marcas de bebida por oito anos e, em 2002,
quando começaram a ser administrados pela Comlurb, sofreram
mais intervenções. A nova reforma, segundo a Riourbe,
durará seis meses. Orçada em 2,7 milhões de
reais, prevê recuperação estrutural, troca de
instalações elétricas e hidráulicas,
sanitários para deficientes físicos e um novo gradil,
de material sintético. A idéia é concluir tudo
até o verão. Tomara.
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