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22 de novembro de 2006

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Festança do bem

Black-tie no Copa para
instituições de caridade

Cristina Grillo

 

Fotos Divulgação e Ricardo Fasanello/Strana
Ângela e a festa: convidados como Guilherme Guimarães e Carmen Mayrink Veiga

Na primeira vez em que ela decidiu cobrar para um jantar black-tie em casa e assim arrecadar fundos para enviar jovens talentos musicais para uma temporada de estudos fora, a maledicência se espalhou nos círculos da alta sociedade carioca. "Algumas pessoas diziam que estávamos falidos e que eu fazia isso para arrumar dinheiro", relembra Ângela Fragoso Pires, mulher do empresário e ex-presidente do Jockey Club José Carlos Fragoso Pires. Alguns anos depois, com a posse do marido na presidência do Jockey, a idéia se ampliou e Ângela criou a Nuit de Noel, que já arrecadou quase 1 milhão de dólares ao longo de quinze anos, transformados em obras e equipamentos para cerca de oitenta instituições de caridade da cidade.

Fragoso Pires deixou o Jockey, mas a festa black-tie que reúne todos os sobrenomes assíduos das colunas sociais continua a pleno vapor. Neste ano, com seus smokings e longos grifados, estarão nos salões recém-reinaugurados do Copacabana Palace os Mayrink Veiga, os Coser, os Pitanguy, os Índio da Costa, as Fischer, os Fadel. É só pensar num sobrenome. Ele estará lá. Cobrando 400 reais por pessoa, com direito a jantar e a um recital – com a Orquestra Brasileira de Harpas e o Coral das Meninas Cantoras de Petrópolis –, Ângela pretende superar os 123.000 reais arrecadados em 2005 na festa que será realizada em 7 de dezembro. "Tem de passar dos 100.000 reais. Nem que eu me mate de trabalhar, mas vai passar", diz.

Desde 1992, quando aconteceu a primeira Nuit de Noel, à época nos salões do Jockey, a festa já arrecadou recursos para instituições como Santa Casa de Misericórdia, ABBR, Instituto Fernandes Figueira, Instituto Nacional do Câncer e Hospital Universitário Pedro Ernesto. Nenhuma delas recebeu dinheiro, mas aparelhos para diagnóstico, cadeiras de rodas, reformas em instalações, ampliações. "Não entrego dinheiro nunca. Faço obras, compro aparelhos, mas dinheiro, nunca", explica Ângela, que percorre com a amiga Naná Sette Câmara várias instituições para escolher quais serão beneficiadas e presta conta dos gastos no site do Instituto Mário Vello Silvares (www.imvs. org.br), criado em homenagem ao pai. "Foi ele quem me ensinou que precisamos ajudar os outros. No Brasil não temos essa mentalidade. Nos Estados Unidos as pessoas sentem prazer em fazer filantropia. Aqui elas têm vergonha de ajudar, se escondem", diz.

Ângela não tem essa vergonha. Bate em várias portas. Pede ajuda. Consegue arregimentar os melhores fornecedores para montar suas festas e pagar apenas o preço de custo. Sabe que há quem torça o nariz quando a vê pedindo. "Alguns falam mal, mas na hora da festa estão todos lá, lindos e maravilhosos. E minhas festas são sempre bonitas e bem-feitas. Não sou promoter, as festas são um meio para chegar a um fim. E nosso fim é fazer alguma coisa pela cidade", afirma.

 

Informações sobre convites para a Nuit de Noel, 2203-3804/3851

 

     
 
   

 

 
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