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FAMÍLIA
Protesto paterno
Pais separados se manifestam
pela guarda dos filhos
Livia de Almeida
Marcos d'Paula/Agência Estado/AE
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| Os bonecos na areia: uma surpresa |
No último
Dia dos Pais, a Praia de Copacabana amanheceu com uma surpreendente
instalação. Quem passou pela Avenida Atlântica
viu 365 bonecos infantis vestidos de preto e com venda nos olhos,
enfileirados na areia entre as ruas Hilário de Gouveia e
Paula Freitas. Essa foi a forma de protesto escolhida pelo Movimento
dos Pais por Justiça, grupo de homens descasados que reivindica
uma convivência mais estreita com os filhos. "Desde a separação,
tenho problemas para visitar meu filho", conta o designer gráfico
Nilson Falcão, pai de um menino de 5 anos e organizador da
campanha. "Tanto que ele só aprendeu a me chamar de pai quando
tinha 2 anos."
Formado em um site de relacionamentos
no qual os participantes compartilham queixas semelhantes, o grupo
fez no fim de semana sua primeira manifestação pública.
"Pensamos numa solução criativa para chamar atenção
e pedir o fim dos privilégios da mãe", diz Falcão.
"Ela é protegida pela Justiça brasileira e muitas
vezes manipula a criança para afastá-la do pai." A
reunião inicial, segundo ele, foi "coisa de homem", um bate-papo
em um bar da Cinelândia. Dali nasceu o blog paisporjustica.blogspot.com
e a comunidade digital Pais por Justiça, com 190 integrantes.
Eles arrecadaram 1 200 reais para fazer camisetas, imprimir panfletos
e comprar os bonecos. O nome foi inspirado na ONG britânica
Fathers 4 Justice. "Mas desaprovamos a estratégia deles",
ressalva Falcão. A organização britânica
ficou famosa por manifestações polêmicas como
jogar farinha no então primeiro-ministro Tony Blair e ter
um de seus simpatizantes fantasiado de Batman escalando o Palácio
de Buckingham. "Somos só pais", afirma. A próxima
manifestação já tem data marcada. Será
no Dia das Crianças.
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