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DECORAÇÃO
Economia doméstica
Mostra em São Conrado traz
soluções
para embelezar a casa sem gastar muito
Fátima Sá
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Fernando Lemos
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| Sala principal: mangueiras
de luz embutidas no teto criam bom efeito
com custo razoável |
Com a promessa de
encher os olhos sem esvaziar os bolsos, a mostra de decoração
Morar Mais por Menos abre as portas na quarta-feira (22), em São
Conrado. Desta vez, além do desafio de propor soluções
a preços acessíveis, os setenta arquitetos e decoradores
escalados para o evento tiveram de buscar alternativas ecologicamente
corretas. O resultado está em 53 ambientes, espalhados por
1 500 metros quadrados de um casarão de dois andares que
já serviu de concentração para os jogadores
de futebol do Flamengo. A convite de Veja Rio, o arquiteto
Rodrigo Azevedo visitou os preparativos da exposição
na última terça à procura de boas idéias.
Azevedo, que remodelou o mercado Ver-o-Peso, em Belém, e
está restaurando a Igreja de Nossa Senhora da Glória
do Outeiro, percorreu vinte espaços. Saiu de lá com
a impressão de que os eventos de decoração
andam muito parecidos. "Os ambientes do Morar Mais, assim como os
da Casa Cor, carecem, em sua maioria, de conceitos arquitetônicos
sólidos", acredita. "É comum sair de um e entrar em
outro sem surpresas. São iguais aos da maior parte das revistas
de decoração." Rodrigo sustenta que as mostras, assim
como as semanas de moda, deveriam apresentar soluções
originais, criativas e insólitas. Apesar da ressalva, ele
encontrou na Morar Mais propostas interessantes, como as cortinas
de tecido ecológico e as mangueiras de luz usadas em projetos
de iluminação. Boas, bonitas e baratas.
Fotos Fernando Lemos
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| Ecologia: na rouparia (à
esq.), a cortina é de plástico reciclado com
algodão e o lambri usa madeira barata de reflorestamento.
Já a sala de estudos (à dir.) ganha espaço
e charme com a poltrona-biblioteca: espaço para noventa
livros |
O tecido citado
é uma mistura de fibras de algodão com garrafas de
plástico (PET) recicladas. Decora a janela da rouparia de
Celina Mello Franco e Liliane Fernandes. "Custa 13,80 reais o metro,
contra 38 reais do algodão comum", conta Celina. As paredes
da rouparia foram divididas ao meio. A parte superior foi coberta
com papel de presente reciclado e a inferior, com lambris de madeira
pínus a versão mais em conta entre as espécies
de reflorestamento. Já a mangueira luminosa, presente em
vários espaços, é um tubo transparente preenchido
com pequenas lâmpadas. Fácil de encontrar, custa pouco
e tem um consumo de energia modesto. "O metro sai por 4,80 reais
e gastam-se 16 watts", calcula o arquiteto Leonardo Pascual, que
embutiu 50 metros do material no teto de gesso trabalhado da sala
principal. "É claro que não é uma luz forte,
mas resolve bem como iluminação indireta", argumenta.
Quem ainda não souber bem do que se trata deve bisbilhotar
a sala de estudos decorada por Beatriz Slaibi e Debora Wilcox. No
espaço, em que o grande destaque é a poltrona-biblioteca
de madeira com capacidade para guardar noventa livros, metros da
tal mangueira, enrolados em espiral em torno de dois tubos cromados,
se transformaram em lustres com ares modernos.
Divulgação
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| A casa de dois andares: 53 ambientes
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Entre os projetos de marcenaria, chamou atenção o
quarto infantil. Planejado para uma menina de 4 anos, o ambiente
dispunha de apenas 7 metros quadrados livres. Ana Paula e Ana Luiza
Violland mãe e filha criaram uma casinha de
boneca de dois andares que reúne armários, cama, colchão
extra, escada e área para brincadeiras. O custo foi de 6.000
reais. "Com a mesma estrutura, poderíamos fazer uma casa
na selva, garagem, castelinho", sugere Ana Paula. Outra invenção
elogiada pelo arquiteto Rodrigo Azevedo foi o deque de plástico
imitando madeira, usado no chuveiro de um dos banheiros. No ambiente
dedicado ao chargista Chico Caruso, mereceu destaque a parede-galeria
em que os arquitetos colaram recortes de papel-paraná, utilizado
em passe-partouts, e depois aplicaram massa e tinta branca, criando
o efeito de molduras. Foram seis folhas, a 12 reais cada uma. "Somando
material e mão-de-obra, gastamos 300 reais na parede", diz
o arquiteto Anderson Macedo.
Que ninguém espere pechinchas
por todos os lados. Há vários itens caros, como uma
banheira de 10.000 reais, por exemplo. Extravagância permitida.
"Nosso público-alvo é bem-sucedido e de bom gosto,
mas apegado ao dinheiro", afirma a empresária Lígia
Schuback, uma das organizadoras. Cada ambiente exibe ficha técnica
com seus custos (muitos produtos são vendidos lá mesmo).
Para matar o tempo e a fome, haverá um bistrô e um
café com produtos orgânicos. E, para não sair
de mãos vazias, duas lojinhas com artigos de decoração.
Nesta edição, até os cachorros têm vez.
Um espaço foi decorado para entretê-los enquanto os
donos passeiam pela mostra. Lançado em 2004, o evento já
está em outras seis capitais.
Divulgação
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| Lúdico: no quarto de menina
(acima), os móveis formam uma
casa de bonecas; no escritório (abaixo), a parede
vira uma galeria, com recortes de papel-paraná,
a 12 reais a folha |

Fernando Lemos |
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