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PERFIL
Princesinha do mar
Era uma vez uma modelo que começou
a carreira aos 11 anos, fez sucesso
internacional e agora vai se casar com
seu príncipe encantado, o belo herdeiro
da 96ª empresa no ranking das maiores
do Brasil
Sofia Cerqueira
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| Daniella Sarahyba, futura
senhora Wolff Klabin, na Praia do Leme: ritmo de trabalho
mais lento depois do casamento |
Esta é uma história com
ingredientes de contos de fada. A menina criada na Lagoa sonha em
ser modelo e virar top internacional. Consegue. No auge do sucesso,
seu desejo passa a ser casar-se de preferência, com
um belo príncipe e ter muitos filhos. No próximo
dia 6 de setembro, a segunda parte do sonho de Daniella Sarahyba
começa a se tornar realidade em um altar montado na Marina
da Glória. Ao lado da beldade de 23 anos, 1,78 metro de altura,
92 centímetros de busto, 90 de quadris e 58 quilos distribuídos
num corpo escultural, estará o empresário e jogador
de pólo Wolff Klabin, 34 anos, herdeiro de uma das famílias
mais tradicionais da cidade. Reconhecimento fora do país
ela já conquistou. Há quatro anos morando em Nova
York, contratada pela IMG Models, uma das maiores agências
do planeta, posou para o catálogo da grife de lingerie Victoria's
Secret, o que, no mundo das modelos, é
tirar a sorte grande; virou garota-propaganda da rede de academias
24 Hour Fitness, posto que foi de Cindy Crawford; e por três
anos consecutivos é uma das estrelas da edição
especial da revista americana Sports Illustrated que apresenta
lindas top models em trajes de banho ela é a capa
do calendário 2007. No Brasil, sucedeu a Gisele Bündchen
como modelo exclusiva da marca C&A. Acostumada a holofotes e
flashes, ela por certo estará deslumbrante em seu vestido
de noiva Valentino quando trocar alianças (de ouro branco
e bem grossas) com o herdeiro Klabin. "Penso neste dia desde criança",
confessa.
O enlace para 800 convidados,
um dos mais esperados do ano, não colocará um ponto
final na saga dessa cinderela carioca. "Volto a morar no Rio, mas
vou manter meu apartamento em Nova York e continuarei a trabalhar
normalmente", conta. Antes de subir ao altar, levada em um trecho
pelo irmão e em outro pelo avô materno o pai,
o advogado Orlando Fernandes Neto, morreu quando ela tinha 10 anos
, cumprirá uma agenda carregada. Daniella, que atualmente
estrela nos Estados Unidos comerciais de TV da loja de departamentos
Macy's, embarcou na segunda-feira passada para Manhattan. Terá
reuniões na sua agência, fará testes e, o mais
importante, a última prova do vestido de noiva. Na volta,
traz na mala, além do vestido, o véu assinado pelo
estilista Frank Sena, o mesmo que fez o adorno para as bodas de
Britney Spears e Kevin Federline. "Quis tudo tradicional e, como
sonho que seja a noite mais feliz da nossa vida, desejo que a festa
dure até as 8 da manhã", diz ela.
Quando o assunto são os
detalhes do evento, silencia. Sabe-se que a organização
será dividida entre a cerimonialista carioca Thaïs de
Carvalho Dias e a empresa paulista Wedding & Co., que fez o
recente casamento de Sofia Alckmin, filha do ex-governador de São
Paulo Geraldo Alckmin. Um dos DJs escolhidos para animar o casório
é Milton Chuquer o mesmo do casamento de Athina Onassis
e Doda Miranda. O bufê está a cargo do tradicional
Demar e os docinhos, feitos por Isabela Suplicy, vêm de São
Paulo. Para evitar bicões, os convidados trocarão
os convites por cartões magnéticos que darão
acesso aos salões. Só o aluguel do espaço na
Marina da Glória custou 60.000 reais. Estima-se que o gasto
total da festa fique entre 400.000 e 500.000 reais.
O "sim" acontece dois anos depois
de o casal ter se conhecido, numa noite de Natal mais um
toque de conto de fadas , na casa de amigos comuns. Será
uma cerimônia civil com bênçãos católica
e judaica. "Espalharam que eu tinha me convertido ao judaísmo,
mas sou muito católica", diz ela. A conversão não
seria uma novidade na família do noivo. Sua mãe, Rosa,
e a tia, Bebel, aderiram à religião judaica ao entrar
para o clã Klabin dono da maior produtora e exportadora
de papel do país. "Wolff sempre soube da minha religião
e respeita", afirma Daniella, que carrega na bolsa um terço
de madeira.
Não é a primeira
vez que a modelo circula com uma aliança na mão direita.
Com apenas 14 anos, ficou noiva do ator Márcio Garcia. O
fim do romance virou uma novela que foi parar nas páginas
dos jornais. Ele exigia que Daniella devolvesse um colar de brilhantes,
avaliado em 10.000 dólares, que havia lhe dado de presente.
Ela se recusou e doou a jóia à Casa dos Artistas,
entidade que abriga velhos atores desempregados em Jacarepaguá.
"Não tenho mais o que falar dessa história", desconversa.
O ator tampouco quis comentar.
No mundo das fotos e passarelas,
ela também começou cedo. "Na contramão do padrão
fashion, a Dani sempre foi um mulherão", diz Sérgio
Mattos, dono da agência 40 Graus Models. De fato. Por onde
passa, a modelo deixa um rastro de homens de queixo caído.
Mattos, um dos 28 padrinhos da cerimônia, orgulha-se de ter
sido o primeiro a apostar no seu talento. Com 11 anos e 1,70 metro
de altura, ela foi levada à agência pela mãe,
a ex-modelo Mara Lúcia Sarahyba. "Tentei adiar, mas ela vivia
pedindo", recorda Mara, que em 1973 ficou em segundo lugar no concurso
Miss Brasília. Aos 12 anos, Daniella entrou no concurso Look
of the Year, da agência Elite. Eram 42 000 garotas, e ela
ficou entre as cinco primeiras. A carreira da menina, fotografada
aos 3 dias de vida para a capa da antiga revista Pais & Filhos,
deslanchou a partir daí. "Ela tem uma beleza absolutamente
brasileira e que espelha o Rio de Janeiro", descreve o fotógrafo
J.R. Duran. "É uma das mulheres mais bonitas do planeta",
completa Duran, com conhecimento de causa: já clicou nomes
como Cindy Crawford, Naomi Campbell e Gisele Bündchen, sem
falar nas inúmeras capas que fez para a revista Playboy.
Ela nunca se encaixou no biótipo
das tops esquálidas. "O povo da passarela já lhe torceu
muito o nariz, mas ela é imbatível de biquíni",
ressalta Sérgio Mattos. "É óbvio que deixei
de fazer campanhas por não ser magrela, mas nunca faltou
trabalho", diz Daniella. Há dois anos encasquetou que precisava
emagrecer. Chegou a pesar 64 quilos. Perdeu 10. O período
coincidiu com o desfile da grife Cia. Marítima, na São
Paulo Fashion Week. Com o corpo definidíssimo, foi a sensação.
No exterior, nessa época, renovou contrato com a GAP, posou
para o estelar catálogo da Victoria's Secret e fez fotos
para a Sports Illustrated. "Mas fiquei com o rosto muito
magro", acredita. "Hoje estou no peso ideal." Daquele período,
herdou a disciplina e aprendeu a comer verduras. O estilo mulherão
a credenciou para fazer neste ano a campanha de lançamento
da Cartilha da Saúde, uma espécie de manual preparado
pelos organizadores da São Paulo Fashion Week para alertar
sobre o risco dos distúrbios alimentares.
Para manter a forma, malha duas
vezes por semana e faz drenagem linfática. Foi a massagista
que descobriu, em maio, um nódulo em seu pescoço.
Operou a tireóide e, há três semanas, voltou
à sala de cirurgia com uma crise de apendicite. "Eu a levei
para se benzer na Igreja dos Capuchinhos", conta a avó Adely.
Daniella, filha de uma família de classe média, adora
praia até pouco tempo atrás não usava
filtro solar , já fez mais de 100 capas de revistas
nacionais e quarenta campanhas internacionais. Aos 14 anos diziam
que estava no auge. Aos 16, idem. E hoje? Também. Sua primeira
temporada de trabalho fora do país foi em 1997, aos 13 anos:
passou dois meses na Alemanha. Três anos antes seu pai havia
morrido de leptospirose: a bactéria da doença se instalou
através de uma ferida no pé. "Foi duro, mudou a vida
da gente", lembra. Nos anos seguintes, viajou para Milão,
Paris, Barcelona, Turquia... Ajudou a família, fez um pé-de-meia.
Não revela valores, mas tem um apartamento de quatro quartos
na Barra da Tijuca.
A precocidade chamou a atenção
do desembargador Siro Darlan, à época juiz titular
da 1ª Vara da Infância e da Juventude. Na festa de seus
17 anos, em uma churrascaria, teve de provar que bebia guaraná,
e não champanhe, como sugeria uma foto. "Nunca larguei a
escola", frisa ela, que completou o ensino médio e planeja
cursar publicidade ou psicologia. O tempo todo escoltada pela mãe,
só passou a morar sozinha aos 18 anos, quando foi para Nova
York. Encheu a casa um quarto-e-sala alugado de ursinhos
de pelúcia. "Ela é uma moleca, adora Hello Kitty",
revela a amiga Giovanna Pacheco, que organizou o chá-de-panela,
no sábado (11). O ponto alto da festa, que teve uma drag
queen vestida como a gatinha, foi um go-go boy na verdade,
o próprio noivinho, como Daniella o chama, disfarçado
com uma barba postiça. Normalmente discreto, Wolff, que estudou
administração em Harvard, não dá entrevistas.
"Ele tem os mesmos valores de família que eu, e um ciúme
normal", descreve a noiva. A futura senhora Klabin vai morar num
apartamento com vista para o mar de Ipanema e planeja ir uma vez
por mês a Nova York. Sonha em ter uma vida com rotina, coisa
que sua agitada carreira não permitiu até hoje. E
a lua-de-mel? "É surpresa, ele só pediu para eu fazer
uma mala com peças de verão." Um final no melhor estilo
de um conto de fadas.
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Entre flashes e beijos
Fotos Dilmar Cavalher/Strana,
Álbum de família e André Nazareth/Strana
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| Em três momentos: com a mãe, a
ex-modelo Mara, e o irmão, Flávio; nos braços do pai,
Orlando, com 1 ano de idade; e, em 2003, como destaque
da Imperatriz Leopoldinense |
Reginaldo Teixeira
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| Com o noivo, o empresário
Wolff Klabin: festa para 800 pessoas na Marina da Glória |
Fotos J. M. Ricardo, Divulgação
e Vera Donato
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| Os ex: o ator Márcio
Garcia (à esq.), o
estudante Carlos Felipe Carvalho e o espanhol
Javier Hidalgo |
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