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CIDADE
Paraíso perdido Uma
biografia para a Baía de Guanabara Pedro
Tinoco Fotos
Divulgação
 | | Cartão-postal:
o Rio, visto da baía, continua lindo
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Eliane
Canedo de Freitas Pinheiro é arquiteta, com pós-graduação
em ecologia e planejamento ambiental obtida no Institute for Housing Studies and
Urban Development, em Roterdã, na Holanda. Carioca apaixonada pela cidade,
dedicou a formação acadêmica e muito trabalho, por mais de
dez anos, a projetos para a preservação da Baía de Guanabara.
Viu o sonho chegar perto quando, como funcionária da Fundação
Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), participou da costura de um grande
programa de despoluição da baía, gestado em 1990, anunciado
durante a Rio 92 e assinado em 1994. A idéia era, em três etapas
bem definidas de cinco anos cada uma, reconciliar o histórico cartão-postal
da cidade com a natureza. A arquiteta deixou a Feema em 2002, frustrada, e o Programa
de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) continua taxiando,
à espera de sabe-se lá o que para decolar. Nesta semana, Eliane
Canedo faz a justiça possível à paisagem que tentou defender:
lança, na terça (20), com festa no Iate Clube, o livro de arte Baía
de Guanabara Biografia de uma Paisagem (Editora Andrea Jakobsson Estúdio,
R$ 120,00).  | | Degradação:
despejo de 15 000 litros de esgoto por segundo
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Em
272 páginas, a autora ensina sem enfadar o leitor. Começa por descrever
a região há milhares de anos. E logo esclarece por que voltou tanto
no tempo: o desenho original do paleorrio da Guanabara, o descomunal tronco principal
da antiga rede fluvial daquela área, ainda existe ao longo da parte mais
profunda da baía. A lição de história passa, em um
capítulo especialmente saboroso, pelos primeiros contatos do homem branco
com aquela terra selvagem habitada por índios tamoios. Traz detalhes da
expedição do francês Villegagnon, que desembarcou por aqui
em 1555, e da encarniçada batalha entre franceses e portugueses travada
dez anos depois. Entre outras curiosidades, resgata a menção do
viajante francês Jean de Léry a uma certa tribo kariok, da
Praia de Uruçumirim, atual Praia do Flamengo. E apresenta um personagem
pitoresco, nobre francês, náufrago, "um estranho eremita que vivia
recluso numa grota escondida no meio da pequena floresta onde hoje fica o bairro
da Urca, cercado de livros, objetos pilhados em destroços de navios e morcegos".
 | | Área
de proteção ambiental de Guapimirim: oásis ecológico
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Para
contar a história da baía, Eliane Canedo conta a história
do Rio de Janeiro, dos primórdios até os dias de hoje. "Se alguém
jogar uma moeda num rio lá na Serra dos Órgãos, em Teresópolis,
essa moeda pode vir parar na baía. O livro não extrapola os limites
da baía, esses limites é que são muito extensos", explica.
Ao escolher as imagens que acompanham o texto, a arquiteta buscou gravuras, desenhos,
mapas e fotografias com algum grau de ineditismo. Há fotos históricas
de uma cidade que não existe mais, mas as imagens que mais surpreendem
são as da baía limpa que ainda existe: revelam o verde exuberante
e os rios com o belo traçado preservado na área de proteção
ambiental de Guapimirim. A ocupação desordenada e a poluição
que sempre a acompanha também estão lá afinal, lembra
a autora, a ação predatória começou com a chegada
dos colonizadores e não parou mais. O mais recente vazamento de óleo,
14.000 litros que emporcalharam praias de Niterói no último dia
3, não aconteceu a tempo de entrar na primeira edição do
livro. A Baía de Guanabara recebe 15.000 litros de esgoto por segundo,
o equivalente a 685 piscinas olímpicas por dia. "Quem contribuiu para a
degradação no passado tinha a desculpa do desconhecimento. Errar
hoje é imperdoável", diz a autora. |