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21 de março de 2007

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MEIO AMBIENTE

Sujeito a chuvas, trovoadas
e ressacas

Estudo mostra que os efeitos do aquecimento global serão piores no Sudeste

Livia de Almeida

Marcia Foletto/Ag. O Globo
Ressacas mais freqüentes: é o que revela pesquisa

Um janeiro com o céu insistentemente encoberto por nuvens e o registro de chuvas em 26 dias do mês. Já a partir de fevereiro veio a virada meteorológica. A estiagem se aboletou na cidade, num cenário raro para a estação preferida dos cariocas. A duas semanas do início do outono, os termômetros chegaram a registrar 40,4 graus no centro da cidade. As médias de março, que costumam oscilar em torno de 32 graus, neste ano subiram para 36 graus. De acordo com as conclusões de um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, é bom mesmo o carioca ir se acostumando com esses fenômenos extremos. A pesquisa revelou que o Rio é um dos estados mais vulneráveis às mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. "Os estudos indicam que já é mais freqüente no Sudeste a ocorrência de eventos extremos", diz José Marengo, coordenador da pesquisa. Entenda-se como "eventos extremos" trombas-d'água, chuvas torrenciais, ressacas e ventanias. Outra constatação: a elevação do nível do mar nos próximos 100 anos, estimada em 50 centímetros, deve tornar o efeito das ressacas mais dramático. "Isso não significa, é claro, que os prédios da Vieira Souto vão ficar submersos", afirma o pesquisador.

Com o clima na pauta do dia, o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, criou uma nova superintendência em sua pasta, a de Mudanças do Clima e Emissões de CO2, entregue à engenheira Suzana Kahn, pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da UFRJ (Coppe). "Já encomendamos um mapa da vulnerabilidade específico para o Rio, que levará em conta os aspectos geográficos e sociais", diz o secretário. "A gente vai precisar se adaptar. E normalmente as áreas mais impactadas são justamente as regiões mais pobres", avisa Suzana. A primeira reação para mitigar os efeitos do aquecimento global será o plantio de 20 milhões de árvores. A primeira parte do projeto será em julho, com a distribuição de espécies da Mata Atlântica ao longo das margens do Rio Guandu, no total de 1 milhão de árvores. Seiscentas mil serão plantadas nessa mesma época em Ilha Grande, no litoral sul do estado. "Estamos negociando outros 3,6 milhões, e mais 2 milhões virão como contrapartida das empresas que participarão da construção do Arco Rodoviário", diz o secretário. O pesquisador José Marengo aplaude as iniciativas, mas faz uma ressalva. "As mudanças climáticas se dão em nível global. É preciso haver um envolvimento geral no país."

     
   

 

 
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