| |
| |  | |
MEIO AMBIENTE
Sujeito a chuvas, trovoadas e ressacas
Estudo mostra que os efeitos do aquecimento global serão piores no Sudeste
Livia de Almeida Marcia
Foletto/Ag. O Globo
 | | Ressacas
mais freqüentes: é o que revela pesquisa |
Um
janeiro com o céu insistentemente encoberto por nuvens e o registro de
chuvas em 26 dias do mês. Já a partir de fevereiro veio a virada
meteorológica. A estiagem se aboletou na cidade, num cenário raro
para a estação preferida dos cariocas. A duas semanas do início
do outono, os termômetros chegaram a registrar 40,4 graus no centro da cidade.
As médias de março, que costumam oscilar em torno de 32 graus, neste
ano subiram para 36 graus. De acordo com as conclusões de um estudo do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, divulgado pelo Ministério do
Meio Ambiente, é bom mesmo o carioca ir se acostumando com esses fenômenos
extremos. A pesquisa revelou que o Rio é um dos estados mais vulneráveis
às mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global.
"Os estudos indicam que já é mais freqüente no Sudeste a ocorrência
de eventos extremos", diz José Marengo, coordenador da pesquisa. Entenda-se
como "eventos extremos" trombas-d'água, chuvas torrenciais, ressacas e
ventanias. Outra constatação: a elevação do nível
do mar nos próximos 100 anos, estimada em 50 centímetros, deve tornar
o efeito das ressacas mais dramático. "Isso não significa, é
claro, que os prédios da Vieira Souto vão ficar submersos", afirma
o pesquisador. Com o clima na pauta
do dia, o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, criou uma
nova superintendência em sua pasta, a de Mudanças do Clima e Emissões
de CO2, entregue à engenheira Suzana Kahn, pesquisadora da Coordenação
dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da UFRJ (Coppe).
"Já encomendamos um mapa da vulnerabilidade específico para o Rio,
que levará em conta os aspectos geográficos e sociais", diz o secretário.
"A gente vai precisar se adaptar. E normalmente as áreas mais impactadas
são justamente as regiões mais pobres", avisa Suzana. A primeira
reação para mitigar os efeitos do aquecimento global será
o plantio de 20 milhões de árvores. A primeira parte do projeto
será em julho, com a distribuição de espécies da Mata
Atlântica ao longo das margens do Rio Guandu, no total de 1 milhão
de árvores. Seiscentas mil serão plantadas nessa mesma época
em Ilha Grande, no litoral sul do estado. "Estamos negociando outros 3,6 milhões,
e mais 2 milhões virão como contrapartida das empresas que participarão
da construção do Arco Rodoviário", diz o secretário.
O pesquisador José Marengo aplaude as iniciativas, mas faz uma ressalva.
"As mudanças climáticas se dão em nível global. É
preciso haver um envolvimento geral no país." |