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21 de março de 2007

REPORTAGEM DE CAPA

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CONSUMO

Saquê, por favor

A bebida japonesa cai nas graças dos cariocas

Fernanda Thedim

Felipe Varanda/Strana
Sushi Leblon: dez rótulos e dicas de harmonização

Agradável aroma floral. Sabor frutado com leve toque de melão. Boa complexidade e persistência. A descrição poderia ser a de um bom vinho, mas é a de um dos vários rótulos de saquê que passaram a ser oferecidos nos restaurantes japoneses do Rio. "As pessoas começaram a distinguir o joio do trigo. Estão entendendo mais sobre a bebida e suas diferenças", diz César Hasky, do restaurante Ten Kai ( 2540-5100), onde são consumidas, por semana, 700 doses de saquê. A carta oferece dois rótulos nacionais e quatro importados. Lá, a grande maioria dos clientes pede a bebida pura e gelada. O sal vem à parte, para aqueles que gostam de colocá-lo na borda do massu, copinho quadrado de madeira que confere leve sabor amadeirado e era usado como medidor de arroz. "Virou tradição aqui, mas nunca vi isso no Japão", conta Hasky.

Resultado da fermentação do arroz, o saquê é uma bebida muito mais complexa do que se imagina. A produção começa com o polimento do grão japonês, etapa que reduz o seu tamanho em até 70%. Quanto mais polido, melhor o produto final. A partir daí, o arroz é lavado, fica de molho, é cozido e só então fermentado para receber ou não a adição de destilado de cereais.

Alfredo Franco
Caipisaquê: o drinque popularizou a bebida


Dependendo do processo de sua fabricação, a bebida é dividida em categorias e faixas de preço. Junmai dai ginjo, por exemplo, significa que o grau de polimento foi de 50% e que teve a adição de destilados. Uma garrafa dessas com 720 mililitros custa 250 reais no Sushi Leblon ( 2512-7830), que oferece dez rótulos, cada um deles com teor alcoólico diferente e divididos em categorias: há os bem secos, secos, meio secos, suaves e doces. Outra bossa do restaurante são os copos de cristal finíssimo da tradicional marca alemã Spiegelau, que, a pedido do cliente, podem substituir os massu. Recém-aberto no Rio, o Nakombi ( 2246-1518) trouxe para sua adega o rótulo com a marca própria, produzido em São Paulo pela indústria japonesa Tozan. Outras onze opções incluem até marcas americanas. "É o novo mundo do saquê", afirma o sócio Paulo Barossi. "Temos dois rótulos californianos que competem em igualdade de condições com os japoneses."

O saquê caiu definitivamente no gosto do carioca quando começou a ser usado em drinques como o caipisaquê, apelidado de caipirinha oriental. No topo da lista das mais pedidas do Madame Butterfly ( 2267-4347), restaurante em Ipanema que serve, por semana, 150 doses do drinque, estão as de lichia e morango (14,90 reais). "É um drinque bem feminino", afirma Marina Kuniy, dona do restaurante. "Os homens preferem consumir o saquê puro e bem gelado. Guardo no mesmo lugar que as cervejas." No Sushi House e Sakeria ( 3472-9199) há treze versões, como o eletric lemonade, à base de saquê, suco de limão, gengibre e energético (7,50 reais). E, na temakeria Koni ( 3502-3664), o frozen, geladinho, feito com lichia ou kiwi (7,50 reais), foi a fórmula encontrada para combater o calor do verão carioca. Kampai – ou, saúde.

     
   

 

 
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