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CONSUMO
Saquê, por favor
A bebida japonesa cai nas graças dos cariocas Fernanda
Thedim Felipe
Varanda/Strana  | | Sushi
Leblon: dez rótulos e dicas de harmonização |
Agradável
aroma floral. Sabor frutado com leve toque de melão. Boa complexidade e
persistência. A descrição poderia ser a de um bom vinho, mas
é a de um dos vários rótulos de saquê que passaram
a ser oferecidos nos restaurantes japoneses do Rio. "As pessoas começaram
a distinguir o joio do trigo. Estão entendendo mais sobre a bebida e suas
diferenças", diz César Hasky, do restaurante Ten Kai (
2540-5100), onde são consumidas, por semana, 700 doses de saquê.
A carta oferece dois rótulos nacionais e quatro importados. Lá,
a grande maioria dos clientes pede a bebida pura e gelada. O sal vem à
parte, para aqueles que gostam de colocá-lo na borda do massu, copinho
quadrado de madeira que confere leve sabor amadeirado e era usado como medidor
de arroz. "Virou tradição aqui, mas nunca vi isso no Japão",
conta Hasky. Resultado da fermentação
do arroz, o saquê é uma bebida muito mais complexa do que se imagina.
A produção começa com o polimento do grão japonês,
etapa que reduz o seu tamanho em até 70%. Quanto mais polido, melhor o
produto final. A partir daí, o arroz é lavado, fica de molho, é
cozido e só então fermentado para receber ou não a adição
de destilado de cereais.
Alfredo
Franco  | | Caipisaquê:
o drinque popularizou a bebida |
Dependendo
do processo de sua fabricação, a bebida é dividida em categorias
e faixas de preço. Junmai dai ginjo, por exemplo, significa que
o grau de polimento foi de 50% e que teve a adição de destilados.
Uma garrafa dessas com 720 mililitros custa 250 reais no Sushi Leblon (
2512-7830), que oferece dez rótulos, cada um deles com teor alcoólico
diferente e divididos em categorias: há os bem secos, secos, meio secos,
suaves e doces. Outra bossa do restaurante são os copos de cristal finíssimo
da tradicional marca alemã Spiegelau, que, a pedido do cliente, podem substituir
os massu. Recém-aberto no Rio, o Nakombi (
2246-1518) trouxe para sua adega o rótulo com a marca própria, produzido
em São Paulo pela indústria japonesa Tozan. Outras onze opções
incluem até marcas americanas. "É o novo mundo do saquê",
afirma o sócio Paulo Barossi. "Temos dois rótulos californianos
que competem em igualdade de condições com os japoneses."
O saquê caiu definitivamente no gosto do carioca quando começou a
ser usado em drinques como o caipisaquê, apelidado de caipirinha oriental.
No topo da lista das mais pedidas do Madame Butterfly (
2267-4347), restaurante em Ipanema que serve, por semana, 150 doses do drinque,
estão as de lichia e morango (14,90 reais). "É um drinque bem feminino",
afirma Marina Kuniy, dona do restaurante. "Os homens preferem consumir o saquê
puro e bem gelado. Guardo no mesmo lugar que as cervejas." No Sushi House e Sakeria
(
3472-9199) há treze versões, como o eletric lemonade, à base
de saquê, suco de limão, gengibre e energético (7,50 reais).
E, na temakeria Koni (
3502-3664), o frozen, geladinho, feito com lichia ou kiwi (7,50 reais), foi a
fórmula encontrada para combater o calor do verão carioca. Kampai
ou, saúde. |