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REPORTAGEM DE CAPA
DomingoO
doce retorno à elite do samba
ESTÁCIO
DE SÁ André
Valentim/Strana
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Depois
de dez anos na segunda e até na terceira divisão do Carnaval, a
Estácio abre a festa como a única concorrente a reeditar um enredo.
Ela repete o tema de vinte anos atrás, O Tititi do Sapoti, desta
feita pelas mãos do carnavalesco Paulo Menezes, um dos talentos emergentes
da Sapucaí. O enredo trata da fruta tipicamente tropical que se espalhou
pelo mundo, virou sabor de chiclete e caiu no gosto de estrelas da Broadway. No
abre-alas, uma referência aos maias, a primeira civilização
a usar o sapoti. Depois entram na avenida os astecas, numa alegoria com o calendário,
as máscaras e os vasos de sacrifício dos índios mexicanos
em meio ao cenário de ruínas. O terceiro carro é uma pândega
que mistura a chegada da corte portuguesa ao país e um baile funk. A escola
passeia pelo Oriente e traz os guerreiros de terracota chineses na verdade
homens pintados. No último carro, uma homenagem às carnavalescas
Rosa Magalhães e Lícia Lacerda, autoras do enredo original.
Fique
de olho: no sexto carro, da Broadway, feito com chicletes. Foi usado 1 milhão
de pastilhas, coladas uma a uma, num trabalho de vinte dias.
O
TITITI DO SAPOTI
Compositores:
Darcy do Nascimento, Djalma Branco e Dominguinhos do Estácio
Intérprete:
Anderson Paz Que
tititi é esse Que
vem da Sapucaí Tá
que tá danado Tá
cheirando a sapoti
Baila
no céu a esperança O
cheiro doce do perfume Vem
no ar Olê,
olê, olê Vem
de terra mexicana Mandei
buscar pra você Sacode
pra colher Do
pé que eu quero ver Até
o dia amanhecer Dom
João achou bom Depois
que o sapoti saboreou Deu
pra dona Leopoldina A
Corte se empapuçou E
mandou rapidamente Espalhar
no continente Até
o Oriente conheceu E
hoje no quintal da vida sou criança Me
dá que o sapoti é meu
Isso
virou tutti-fruti Tutti-multinacional
Virou
goma de mascar Roda
pra lá e pra cá Na
boca do pessoal Nem
melhor nem pior. Diferente
IMPÉRIO
SERRANO Felipe
Varanda /Strana
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Exaltar
a diversidade é o lema da Império Serrano, que realça personalidades
como Einstein, Aleijadinho, Noel Rosa e a pintora mexicana Frida Kahlo. O abre-alas
refere-se ao pioneirismo da escola, que criou os destaques e a comissão
de frente. No último carro, uma homenagem à "loucura do Carnaval",
como define o carnavalesco Jack Vasconcelos, com ênfase no artista plástico
Bispo do Rosário. Dona Olegária, primeiro destaque de luxo do Rio,
nos anos 50, estará no segundo carro. Vão passar Marcelo D2, Maria
Rita, Pérola Faria e Marcos Frota. O samba é um dos pontos altos.
Fique
de olho: No terceiro carro, com trinta homens vestidos de mulher, para lembrar
a luta pela liberdade incondicional de Frida Kahlo. A coroa no abre-alas é
a maior já feita pela escola, com 10 metros de diâmetro. SER
DIFERENTE É NORMAL. O IMPÉRIO SERRANO FAZ A DIFERENÇA NO
CARNAVAL
Compositores:
Arlindo Cruz, Maurição, Aloísio Machado, Carlos Senna e João
Bosco
Intérprete:
Nego Eu
quero ver O
amor florescer Ser
diferente é normal E
o Império taí Pra
levantar seu astral Se
liga no meu carnaval
Serrinha
vem pedir respeito Temos
que olhar de outro jeito Quem
nasceu diferente E
venceu preconceito A
gente tem que admirar Harmonizar
pra ser feliz Diferença
social, pra quê? Tá
na cara que a beleza Está
nos olhos de quem vê Romantismo
irradia energia pra viver Nesse
mundo onde tudo é relativo Minha
escola é meu motivo Meu
maior prazer
A
história do samba mudou Bateria
diferente Olha
o toque do agogô No
primeiro destaque e na comissão
As novidades
verde-e-branco, meu irmão
Difícil
Conviver
na adversidade Com
arte ser eficiente Fazer
da pintura sua liberdade Fazer
esculturas usando a paixão Feitiço
de poeta invade o coração Divino
é o poder da criação Eu
pergunto a você Será
que existe? Limite
entre a loucura e a razão Estação
Primeira em prosa e verso
MANGUEIRA
Felipe
Varanda /Strana
 |
A
língua portuguesa pede passagem à Mangueira. "Queremos alertar para
a importância da leitura", diz o carnavalesco Max Lopes. O desfile é
grandioso, com 4.500 componentes entre eles Debora Bloch, Julia Lemmertz,
Leandra Leal, Luana Piovani,Maria Rita, Wagner Moura e Alexandre Borges
e oito carros. O primeiro deles é o Coliseu romano, com 50 metros de comprimento.
Em seguida, uma caravela de 40 metros, numa referência às grandes
navegações. E tem mais gigantismo: uma carta de Pero Vaz de Caminha
vem num pergaminho de 30 metros. O enredo aborda ainda a chegada dos escravos,
a miscigenação, as inspirações literárias e
a tropicália. No último carro, Estação Primeira da
Luz, desfilam cinco imortais da Academia Brasileira de Letras ao lado de 22 baluartes
da verde-e-rosa. Um senão: um samba que exalta a língua portuguesa
não deveria ter em seus versos o clichezérrimo "do Oiapoque ao Chuí".
Fique
de olho: na teatralização do carro do Coliseu, com mais de 100
gladiadores, senadores, imperadores, dançarinas e gente do povo.
MINHA
PÁTRIA É MINHA LÍNGUA, MANGUEIRA, MEU GRANDE AMOR. MEU SAMBA
VAI AO LÁCIO E COLHE A ÚLTIMA FLOR
Compositores:
Lequinho, Júnior Fionda, Anibal e Amendoim do Samba
Intérpretes:
Clovis Pê, Eraldo Caê, Lequinho,
China Branco e Zé Paulo Quem
sou eu? Tenho
a mais bela maneira de expressar Sou
Mangueira, uma poesia singular Fui
ao Lácio e nos meus versos canto a
última flor Que
espalhou por vários continentes Um
manancial de amor Caravelas
ao mar partiram Por
destino, encontraram o Brasil Nos
trazendo a maior riqueza A
nossa língua portuguesa Se
misturou com tupi Tupinambrasileirou
Mais tarde o
canto do negro ecoou Assim
a língua se modificou
Eu
vou nos versos de Camões Às
folhas secas caídas de Mangueira É
chama eterna, dom da criação Que
fala ao pulsar do coração
Cantando eu vou
Do Oiapoque ao
Chuí ouvir A
minha pátria é minha língua Idolatrada
obra-prima te faço imortal Salve,
poetas e compositores Salve
também os escritores Que
enriquecem a tua história Ó,
meu Brasil Dos
filhos deste solo és mãe gentil Hoje
a herança portuguesa nos conduz À
Estação da Luz
Vem
no vira da Mangueira, vem
sambar Meu
idioma tem o dom de transformar Faz
do Palácio do Samba uma casa
portuguesa É
uma casa portuguesa com certeza Aposta
alta na inventividade
VIRADOURO
Felipe
Varanda /Strana
 |
Em
seu primeiro ano na Viradouro, Paulo Barros passa longe da timidez típica
dos estreantes. A exemplo de seus desfiles na Unidos da Tijuca, ele faz da criatividade
sua principal aliada. Daí a Viradouro ser neste ano a escola que mais desperta
a curiosidade geral. O carnavalesco inspirou-se nos jogos de mesa, adivinhação,
tabuleiro e nos esportivos para levar à avenida alegorias majestosas, curiosas
e deslumbrantes. As inovações são muitas. A bateria vai desfilar
no topo da quarta alegoria. Em seguida entra na pista o Castelo de Cartas, confeccionado
com 170.000 baralhos, que passará de cabeça para baixo. Mesmo. O
monumental Onde Está Wally, com suas 82 portas, será interativo
com a platéia. Os jogos retratados nas fantasias fogem do óbvio.
Exemplos? O chinês tangram e a mancala, de origem africana.
Fique de olho:
no carro do xadrez, o quarto a entrar, que transportará os 300 ritmistas
pela passarela do samba. A
VIRADOURO VIRA O JOGO
Compositores:
Gusttavo Clarão, Gilberto Gomes, Nando, Pablo e PC Portugal
Intérprete:
Dominguinhos do Estácio
Vamos mergulhar
nessa jogada A
sorte está lançada Hoje
é o grande dia No
tabuleiro da emoção Vou
apostar na alegria Pra
ganhar seu coração Meu
cassino é fantasia Vi
nas cartas do tarô O
que o destino reservou Mas
se o tempo mudar Aos
búzios eu vou
E
nesse jogo vou amar Você
é a dama do prazer Um
xeque-mate vou te dar Quero
vencer
Faço
qualquer coisa Pra
deixar você feliz De
cartas, um castelo De
peças, um país Essa
diversão É
adrenalina em minha vida A
euforia toma conta da avenida Respiro
fundo No
pinball quero brincar É
perceber e desvendar Quebrar
a cabeça pra encontrar Achar
você no meio dessa
multidão Chama
que acende um povo E
faz do jogo a paixão
Sou Viradouro
e vou cantar Com
muito orgulho, com muito amor Esse
jogo vai virar Eu
quero ser o vencedor Na
avenida, tudo se transforma
VILA
ISABEL Felipe
Varanda /Strana
 |
A
Vila Isabel mudou alguma coisa para que tudo permaneça igual ao ano passado
e ela alcance neste Carnaval o bicampeonato, que seria o terceiro título
de sua história. A primeira mudança foi a chegada de Cid Carvalho,
ex-integrante da comissão de Carnaval da Beija-Flor que faz agora seu primeiro
vôo-solo. As modificações também estão presentes
no enredo, Metamorfoses: do Reino Natural à Corte Popular do Carnaval
As Transformações da Vida. Primeira das oito alegorias.
todas com algum tipo de metamorfose , o abre-alas é um camaleão
que a cada passo muda de cor. A escola azul e branca enfoca a teoria da evolução
de Darwin, as grandes navegações, a Revolução Industrial
e a busca da imortalidade pelo homem. A abrangência do tema pode se transformar
numa armadilha. Kelly Key, Letícia Spiller e o empresário Eike Batista
são destaques. Fique
de olho: no terceiro carro, em que um vitral gótico da Idade Média
se transforma numa pintura renascentista. A iluminação das alegorias
da Vila Isabel é um deslumbre. METAMORFOSES:
DO REINO NATURAL À CORTE POPULAR DO CARNAVAL AS TRANSFORMAÇÕES
DA VIDA
Compositores:
Evandro Bocão, André Diniz, Serginho 20, Carlinhos Petisco e Prof.
Wladimir
Intérprete:
Tinga Vai
brilhar minha Vila Ainda
mais linda Num
tempo que faz sonhar Inspira
a luz da Ciência Mantém
sua essência E
segue a se transformar A
mudar sua natureza Pouco
a pouco evoluindo Imponente
feito um humano Seus
passos vão refletindo
Renasce
a luz da sabedoria O
homem se lança ao mar O
sonho é fonte dessa energia E
fabricando ilusões, renovar
Quero
sempre me superar Cruzar
o céu, poder voar Remodelar
o que Deus criou Brincando
então de criador A
Vila também se modificou No
universo do Carnaval Lindamente
desabrochou E
o sonho fez real
Samba
não tem preconceito Brancos,
negros, iguais Um
beijo da Vila Isabel princesa Metamorfose
assim se faz O
artesanato high-tech de Padre Miguel
MOCIDADE
INDEPENDENTE Felipe
Varanda /Strana
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Enredo
sobre o artesanato brasileiro é tão batido quanto barro em cerâmica.
Mas Alex de Souza, carnavalesco da novíssima geração, promete
uma abordagem diferente para o tema. O Futuro no Pretérito
Uma História Feita a Mão é um preito aos artesãos
e também uma crítica feroz à industrialização.
O abre-alas, Grande Metrópolis, leva oitenta operários que farão
performances em engrenagens, numa referência ao filme do cineasta alemão
Fritz Lang, de 1927. Com a ajuda de efeitos especiais, a alegoria reproduz uma
caldeira que expele homens-robôs. O carnavalesco caprichou no neon, marca
registrada da escola. Há citações ao artesanato indígena
do Amazonas, à cerâmica do Nordeste, aos doces caseiros de Minas
Gerais e à culinária gaúcha. Vão passar: Rodrigo Santoro,
Regina Casé, Marcos Palmeira, Elza Soares e Ana Hickmann.
Fique de olho:
no sétimo carro, que leva escultores, aderecistas, ferreiros e costureiras
que trabalharam no barracão da escola. O
FUTURO NO PRETÉRITO. UMA HISTÓRIA FEITA A MÃO
Compositores:
Toco, Rafael Só e Marquinho Marino
Intérprete:
Bruno Ribas Divina
criação Do
pó da terra ao sopro da vida O
Grande Artesão do universo Legou
ao homem a inspiração criativa Ao
deixar o paraíso, se fez preciso Viver
pelas próprias mãos Com
o passar do tempo O
mundo em evolução Escravizado
pela sua ambição Vê
o futuro ao simples toque do botão
Amar,
viver, sonhar, acreditar Que
a alma é a fonte, energia da vida Na
máquina jamais se encontrará A
inspiração que faz nascer a poesia
Mãos
que se entrelaçam Da
natureza, toda forma de expressão Transborda
em cada peça, sua imaginação Tão
belas, tão lindas Uma
cultura em cada região Aplausos
às estrelas da folia O
sonho se transforma em alegria Sou
eu, tenho samba no pé, sou sambista Nas
mãos, o talento de artista Eu
me orgulho de ser artesão
Um
Brasil feito a mão Um
só coração, liberdade! Da
emoção, eu faço a arte Em
verde e branco, com a Mocidade
Personagens do Carnaval O
desfile passo a passo Curiosidades |