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PATRIMÔNIO
A pena da discórdia
Mais uma briga entre os herdeiros
de dom Pedro II Cristina Grillo*
Divulgação
 | | O
pivô da briga: 13,35 gramas de ouro e diamantes |
Uma
disputa entre descendentes de dom Pedro II ameaça chegar à Justiça
em Petrópolis. Os envolvidos são, mais uma vez, os príncipes
Pedro Carlos e Cristina de Orleans e Bragança, trinetos do último
imperador brasileiro. O motivo da briga: a pena com a qual a princesa Isabel,
bisavó dos príncipes, assinou a Lei Áurea em 13 de maio de
1888. A peça 13,35 gramas de ouro 18 quilates, adornada com 27 diamantes
e 25 pedras vermelhas foi vendida em agosto ao Museu Imperial de Petrópolis
por Pedro Carlos, que recebeu 500.000 reais. Pedro Carlos afirma ter autoridade
para vender a pena, que teria sido dada a ele por seu pai, Pedro Gastão.
Cristina argumenta que a pena pertence à família e que os 500.000
reais têm de ser divididos entre os herdeiros. Em público, nenhum
dos dois se pronuncia sobre o assunto.
A compra recebeu parecer favorável da procuradoria do Iphan. O texto da
procuradora Tereza Beatriz Rosa Miguel afirma que, "sob o ponto de vista jurídico,
a transação de compra e venda efetuada entre as partes se revestiu
da legalidade necessária". José do Nascimento, diretor do Departamento
de Museus e Centros Culturais do Iphan, explica que "o que está em jogo
é que parte da família questiona a posse da pena e quer partilhar
o dinheiro. O museu não tem nada a ver com essa história". A pena
teria sido entregue por Pedro Gastão ao filho mais velho há dezoito
anos, seguindo a tradição de passar o objeto para o primogênito.
"Quando descobriu a venda, a princesa me ligou dizendo que o museu deveria ter
consultado o restante da família", diz Maria de Lourdes Horta, diretora
do museu. Não é a primeira
divergência entre os príncipes. Há quase dez anos os irmãos
não se falam, apesar de morar sob o mesmo teto. Cada família ocupa
uma ala do Palácio Grão-Pará. Em 2001 a situação
piorou depois que Cristina foi à polícia denunciar o furto de louças
e outros objetos do palácio. Algumas peças foram encontradas em
um antiquário da cidade. À polícia, o dono do antiquário
apresentou um recibo assinado por Pedro Tiago, o filho mais velho de Pedro Carlos.
Enquanto os príncipes disputam os 500.000 reais, a pena da discórdia
já pode ser vista no Museu Imperial. *Colaborou
Isabel Butcher |