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REPORTAGEM DE CAPA
O maior espetáculo da tela Mostra Première Brasil,
de filmes inéditos, é o ponto alto do Festival do Rio Rogério
Durst
Divulgação
 | Muito
Gelo e Dois Dedos
D'Água: filme de
Daniel Filho na vitrine
da mostra Première
Brasil |
Francisco
Serrador, que realizou o sonho de construir uma Broadway brasileira bem no Centro
do Rio, ficaria orgulhoso. A partir de quinta (21), com a sessão de abertura
e a festa para convidados do Festival do Rio 2006, sua Cinelândia volta
aos tempos de glória. Neste ano, o Cine Palácio divide com o Odeon
o posto de sede da Première Brasil, a badalada mostra competitiva na qual
cinqüenta curtas e longas-metragens nacionais, entre documentários
e filmes de ficção, conseguem tremenda projeção dentro
de um evento que reúne outros 300 títulos de sessenta países
(veja os destaques) e uma penca de diretores e
astros internacionais. Além das duas tradicionais salas, a mostra nacional
se estende até o Centro Cultural da Justiça Federal e monta uma
tenda para debates em plena praça. Nestas duas semanas, a Cinelândia
é uma festa, e a estrela é o cinema nacional. "Foi meu momento Beatles,
com um monte de gente gritando e aquela fome de ver o filme inédito", resume
o diretor Karim Aïnouz sobre a sessão de gala de seu filme Madame
Satã, em 2002. Karim, que participa de novo da Première com
O Céu de Suely, acredita que a badalação vai além
da farra para o público. "A seleção de filmes é representativa
de uma safra, importante para nós, diretores, entendermos o cinema que
está sendo feito no Brasil." Selton Mello é outro que participa
da festa, e em dose dupla: estréia como diretor com o curta Quando o
Tempo Cair e estrela o longa O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia.
Para ele, já
é o máximo ter passado pelo rigoroso processo de escolha dos títulos
nacionais. Afinal, eram 250 concorrentes. "Quando saiu o resultado, senti um frisson
juvenil", conta.
 | O
Odeon no ano passado: sessões cheias e badalação na Cinelândia
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As
sessões de gala no Odeon, sede da Première desde 1999, com holofotes,
tapete vermelho e convidados especiais, despertam a atenção da imprensa
e transformam o festival numa grande vitrine do cinema brasileiro. "Como as revistas
de celebridades cobrem o evento, o realizador sabe que durante o ano seu filme
estará nas páginas em salas de espera de dentistas e salões
de beleza", diz Marcelo Mendes, diretor de programação do Festival
do Rio. A produtora Clélia Bessa, da Raccord, com dois filmes concorrendo
neste ano, reforça a opinião de Marcelo. "O único glamour
que a gente tem são mesmo essas sessões de gala", diz ela. "O resto
do ano é só trabalho." O
encontro tem, também, foco no lado comercial. São esperados para
a 18ª edição do evento 300 produtores, distribuidores e investidores
estrangeiros. "É no festival que um filme brasileiro pode ser visto e convidado
para Berlim ou Cannes", diz Marcelo Mendes. A presença dos estrangeiros
aquece o mercado e abre a possibilidade de carreira internacional das atrações.
"Isso se você conseguir tirar o gringo da praia onde está tomando
caipirinha e levá-lo para a sessão", observa ele, com humor. É
aí que entra o esforço concentrado de diretores e produtores para
promover seus trabalhos. Flávio Tambellini, que já esteve numa concorridíssima
sessão de gala com seu Bufo & Spallanzani, entra na mostra competitiva
deste ano com o longa de ficção O Passageiro Segredos
de Adulto. Ele aposta tanto na visibilidade das atrações nacionais
que decidiu segurar seu filme para lançá-lo no festival. "Foi um
risco, já que todo mundo submete sua obra para a Première e eu poderia
acabar ficando fora. Mas, como o Bufo foi tão bem recebido em 2001
e O Passageiro é um filme que usa muito as paisagens cariocas, decidi
lançá-lo no Festival do Rio." Nem
todo diretor veterano é tão racional no que diz respeito à
mostra. Lírio Ferreira, que concorre desta vez com o documentário
Cartola, em parceria com Hilton Lacerda, esteve na Première de 2005
com seu Árido Movie como hors-concours. "Minha mãe e minha
filha vieram do Recife para ver o filme no Odeon. Foi tão emocionante que
eu nem lembro direito. Fiquei, assim, flutuando." Não são só
os produtores que se organizam em função do festival. O arquiteto
e cinéfilo Edson Gomes tira férias em setembro só para acompanhar
a programação. Ele é daqueles que moram na Cinelândia
durante o período, ajudando a fazer do ponto o local mais badalado da cidade
nesses dias. "Lembro da sessão de gala cheiíssima de Benjamim,
em 2003", diz ele. "Sentei atrás de um cara que começava a falar
umas coisas esquisitas toda vez que a Cleo Pires aparecia à vontade. Quando
a luz acendeu, vi que era o cantor Wando e lhe pedi um autógrafo." Edson
tem orgulho de ter participado da famosa sessão de Amarelo Manga,
em 2002, em que o diretor Claudio Assis subiu no palco para falar mal de todo
mundo, inclusive dos patrocinadores. Anna Azevedo, jovem veterana da Première
Brasil, desta vez concorre com o curta Berlinball. Para a cineasta, o clima
de encontro é fundamental, e a mostra, uma oportunidade rara para quem
faz cinema se reunir, beber, conversar e, claro, ver filmes. Até quem não
é lá muito do ramo pode dar as caras. "Em 2004, estava passando
O Jaqueirão do Zeca numa sessão do Odeon", lembra ela. "Encontramos
o Zeca Pagodinho e, na cara-de-pau, o arrastamos até o Bar Verdinho, onde
ficamos a tarde inteira tomando chope." É o caso de aproveitar, pois a
festa na Cinelândia só dura até 5 de outubro.
Festival
de números
Em duas semanas, serão 350 filmes de 60 países, exibidos
em 23 cinemas do Rio
De 2003 a 2005, a freqüência aumentou em 30 000 pessoas. No
total, foram 230 000 espectadores no ano passado |
SERVIÇO As
vendas antecipadas começam na terça (19) num posto instalado no
Espaço Unibanco (Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo,
2226-1986). O preço médio do ingresso é de R$ 13,00, variando
em algumas salas. O passaporte com cinqüenta ingressos custa R$ 260,00; com
vinte, sai por R$
130,00. Informações: www.festivaldorio.com.br.
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