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20 de setembro de 2006

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REPORTAGEM DE CAPA

O maior espetáculo da tela

Mostra Première Brasil, de filmes inéditos, é o ponto alto do Festival do Rio

Rogério Durst

 
Divulgação

Muito Gelo e Dois Dedos D'Água: filme de Daniel Filho na vitrine da mostra Première Brasil


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Francisco Serrador, que realizou o sonho de construir uma Broadway brasileira bem no Centro do Rio, ficaria orgulhoso. A partir de quinta (21), com a sessão de abertura e a festa para convidados do Festival do Rio 2006, sua Cinelândia volta aos tempos de glória. Neste ano, o Cine Palácio divide com o Odeon o posto de sede da Première Brasil, a badalada mostra competitiva na qual cinqüenta curtas e longas-metragens nacionais, entre documentários e filmes de ficção, conseguem tremenda projeção dentro de um evento que reúne outros 300 títulos de sessenta países (veja os destaques) e uma penca de diretores e astros internacionais. Além das duas tradicionais salas, a mostra nacional se estende até o Centro Cultural da Justiça Federal e monta uma tenda para debates em plena praça. Nestas duas semanas, a Cinelândia é uma festa, e a estrela é o cinema nacional. "Foi meu momento Beatles, com um monte de gente gritando e aquela fome de ver o filme inédito", resume o diretor Karim Aïnouz sobre a sessão de gala de seu filme Madame Satã, em 2002. Karim, que participa de novo da Première com O Céu de Suely, acredita que a badalação vai além da farra para o público. "A seleção de filmes é representativa de uma safra, importante para nós, diretores, entendermos o cinema que está sendo feito no Brasil." Selton Mello é outro que participa da festa, e em dose dupla: estréia como diretor com o curta Quando o Tempo Cair e estrela o longa O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia. Para ele, já é o máximo ter passado pelo rigoroso processo de escolha dos títulos nacionais. Afinal, eram 250 concorrentes. "Quando saiu o resultado, senti um frisson juvenil", conta.

 

O Odeon no ano passado: sessões cheias e badalação na Cinelândia

As sessões de gala no Odeon, sede da Première desde 1999, com holofotes, tapete vermelho e convidados especiais, despertam a atenção da imprensa e transformam o festival numa grande vitrine do cinema brasileiro. "Como as revistas de celebridades cobrem o evento, o realizador sabe que durante o ano seu filme estará nas páginas em salas de espera de dentistas e salões de beleza", diz Marcelo Mendes, diretor de programação do Festival do Rio. A produtora Clélia Bessa, da Raccord, com dois filmes concorrendo neste ano, reforça a opinião de Marcelo. "O único glamour que a gente tem são mesmo essas sessões de gala", diz ela. "O resto do ano é só trabalho."

O encontro tem, também, foco no lado comercial. São esperados para a 18ª edição do evento 300 produtores, distribuidores e investidores estrangeiros. "É no festival que um filme brasileiro pode ser visto e convidado para Berlim ou Cannes", diz Marcelo Mendes. A presença dos estrangeiros aquece o mercado e abre a possibilidade de carreira internacional das atrações. "Isso se você conseguir tirar o gringo da praia onde está tomando caipirinha e levá-lo para a sessão", observa ele, com humor. É aí que entra o esforço concentrado de diretores e produtores para promover seus trabalhos. Flávio Tambellini, que já esteve numa concorridíssima sessão de gala com seu Bufo & Spallanzani, entra na mostra competitiva deste ano com o longa de ficção O Passageiro – Segredos de Adulto. Ele aposta tanto na visibilidade das atrações nacionais que decidiu segurar seu filme para lançá-lo no festival. "Foi um risco, já que todo mundo submete sua obra para a Première e eu poderia acabar ficando fora. Mas, como o Bufo foi tão bem recebido em 2001 e O Passageiro é um filme que usa muito as paisagens cariocas, decidi lançá-lo no Festival do Rio."

Nem todo diretor veterano é tão racional no que diz respeito à mostra. Lírio Ferreira, que concorre desta vez com o documentário Cartola, em parceria com Hilton Lacerda, esteve na Première de 2005 com seu Árido Movie como hors-concours. "Minha mãe e minha filha vieram do Recife para ver o filme no Odeon. Foi tão emocionante que eu nem lembro direito. Fiquei, assim, flutuando." Não são só os produtores que se organizam em função do festival. O arquiteto e cinéfilo Edson Gomes tira férias em setembro só para acompanhar a programação. Ele é daqueles que moram na Cinelândia durante o período, ajudando a fazer do ponto o local mais badalado da cidade nesses dias. "Lembro da sessão de gala cheiíssima de Benjamim, em 2003", diz ele. "Sentei atrás de um cara que começava a falar umas coisas esquisitas toda vez que a Cleo Pires aparecia à vontade. Quando a luz acendeu, vi que era o cantor Wando e lhe pedi um autógrafo." Edson tem orgulho de ter participado da famosa sessão de Amarelo Manga, em 2002, em que o diretor Claudio Assis subiu no palco para falar mal de todo mundo, inclusive dos patrocinadores. Anna Azevedo, jovem veterana da Première Brasil, desta vez concorre com o curta Berlinball. Para a cineasta, o clima de encontro é fundamental, e a mostra, uma oportunidade rara para quem faz cinema se reunir, beber, conversar e, claro, ver filmes. Até quem não é lá muito do ramo pode dar as caras. "Em 2004, estava passando O Jaqueirão do Zeca numa sessão do Odeon", lembra ela. "Encontramos o Zeca Pagodinho e, na cara-de-pau, o arrastamos até o Bar Verdinho, onde ficamos a tarde inteira tomando chope." É o caso de aproveitar, pois a festa na Cinelândia só dura até 5 de outubro.

 

Festival de números

Em duas semanas, serão 350 filmes de 60 países, exibidos em 23 cinemas do Rio

De 2003 a 2005, a freqüência aumentou em 30 000 pessoas. No total, foram 230 000 espectadores no ano passado


SERVIÇO

As vendas antecipadas começam na terça (19) num posto instalado no Espaço Unibanco (Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo, 2226-1986). O preço médio do ingresso é de R$ 13,00, variando em algumas salas. O passaporte com cinqüenta ingressos custa R$ 260,00; com vinte, sai por R$ 130,00. Informações: www.festivaldorio.com.br.

 

     
   

 

 
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