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Muito antes
do multiplex
A história
das praças Tiradentes e Floriano
Debora Ghivelder
Divulgação
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André Nazareth/Strana
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| A
Cinelândia, com edifícios em estilo eclético
(à esq.), no livro de Evelyn (à dir.)
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Antes
do advento do shopping center, ir ao teatro ou ao cinema no Rio
de Janeiro era sinônimo de ir à praça. Duas
delas tiveram papel fundamental na cultura da cidade: a Praça
Tiradentes, dos magníficos teatros, e a Praça Floriano,
conhecida como Cinelândia pela grande quantidade de salas
de projeção ali plantadas por Francisco Serrador.
A trajetória desses dois espaços urbanos, do surgimento
à decadência, uma história que começa
com a chegada da família real e termina na década
de 50, está em Arquitetura do Espetáculo Teatros
e Cinemas na Formação do Espaço Público
da Praça Tiradentes e da Cinelândia, livro da arquiteta,
urbanista e historiadora Evelyn Furquim Werneck Lima. O título
deve chegar às estantes no final de outubro, pela Editora
UFRJ.
Divulgação

A
Praça Tiradentes e o Teatro João Caetano em destaque:
tempos de glória nos anos 30 |
Em 400 páginas, ilustradas com 200 fotos históricas,
mapas e plantas baixas, Evelyn narra o apogeu e a queda desses dois
marcos culturais da cidade, abordando a arquitetura e o lado urbanístico,
sem esquecer da história social. Há dados curiosos,
como a informação de que o atual Teatro Carlos Gomes
já foi o Hotel Richelieu, mas a autora vai além. O
livro, resultado de pesquisa de cinco anos para uma tese de doutorado
defendida em 1997, faz mais do que um passeio estético através
dos tempos. Evelyn, que esteve na França e em Portugal, oferece
estudos comparativos de cinemas e teatros franceses e lusitanos
com os cariocas e revela como eram teatros, cinemas e praças.
Descobre prédios que foram abaixo ou acabaram reformados
em estilos diversos, ao sabor da moda e da política vigentes,
além de projetos que jamais deixaram o papel, como o mirabolante
complexo de cinemas e lojas idealizado por Francisco Serrador. "Serrador
queria transformar a praça no maior centro de diversões
da América do Sul. Pensava nisso antes mesmo da construção
do Rockefeller Center, em Nova York", conta Evelyn.
Ao lado de fotos curiosas e pitorescas, em que se vêem cenários
hoje inexistentes, como a Avenida Central do início do século
XX atual Rio Branco , percebem-se as influências
que marcaram presença na cidade. Professora da Universidade
do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e coordenadora de pós-graduação
em arquitetura e urbanismo do Instituto Metodista Bennett, Evelyn
espera dar um empurrão na recuperação desses
espaços importantes para a crônica da cidade. "Não
quero voltar no tempo, reerguer teatros e cinemas. Mas é
possível resgatar a ambiência. Hoje essas praças
só servem para pegar ônibus", diz Evelyn.
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