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PERFIL
A festeira da Lagoa
Bem-sucedida e cheia de amigos,
a estilista Lenny Niemeyer agita o circuito chique do Rio
Fátima Sá
André Valentim/Strana
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| Lenny, com seu golden retriever
Maddox: "Luxo é saber viver.
Quer coisa mais luxuosa do que ter tempo para os amigos e
a família?" |
A estilista, anfitriã
e carioca honorária Lenny Niemeyer não cultiva baixo-astral.
Se acorda menos animada, espia a Lagoa pelo janelão de seu
apartamento apartamento, não: um prédio inteiro,
como se verá adiante e convoca os amigos para um jantar
horas depois. Complicar a vida não é com ela. Festejá-la,
sim. Capaz de flanar entre empresários, jornalistas, modelos
e famosos em geral, ela é a hostess mais celebrada do Rio.
Afinal, quem mais abriria a própria casa para 700 pessoas
numa noite de quarta-feira, com bebida de primeira e pista de dança
funcionando até as 8 da manhã? A festa, no último
dia 6, foi o jeito Lenny de comemorar o desfile de sua grife de
moda praia no Fashion Rio. Todo ano é assim. Seu prestígio
pode ser medido em duas frentes: na platéia da semana de
moda carioca, que neste ano teve até a socialite Carmen Mayrink
Veiga, e na freqüência da celebração pós-desfile,
que já atraiu Ronaldo Fenômeno, Guga, Caetano Veloso
e as modelos Naomi Campbell, Letícia Birkheuer e Ana Beatriz
Barros. "Anfitriã igual a ela não existe em lugar
nenhum do Brasil", diz a relações-públicas
Lalá Guimarães. "Ela consegue receber com glamour
e simplicidade ao mesmo tempo."
Festeira desde criança,
Lenny adora abrir a casa. Todo domingo comanda um tradicional almoço
só para os mais íntimos que, no seu caso, podem
chegar facilmente a vinte pessoas. Assume a cozinha, de onde saem
massas com camarão, vitela assada, risotos. "Luxo para mim
é saber viver", diz ela, entre tragadas de seus cigarros
mentolados invariavelmente encaixados numa piteira da grife inglesa
Dunhill. "Quer coisa mais luxuosa do que ter tempo para os amigos
e a família?" A mais recente comemoração, regada
a champanhe francês e vodca sueca, avançou sobre a
calçada em frente ao prédio. Ali, uma tenda emendava
com os salões, decorados com 120 dúzias de antúrios.
Como sempre, dançou, bebericou, abraçou cada um, bateu
papo. E às 5h30, também como sempre, retirou-se à
francesa, subiu para seu quarto e foi dormir, ignorando o barulho
que seguia. Os mais animados saíram de lá após
o café-da-manhã, enquanto tudo era desmontado e limpo.
"Não me preocupo com a casa", explica. "Os convidados são
todos amigos e amigos de amigos. Mas, quando eu acordo, não
pode ter sinal de festa, copo, cinzeiro. Gosto de encontrar tudo
arrumado."
O lado festeiro ela herdou do
pai o fazendeiro Waldemar Ortiz, morto há vinte anos
e dono de uma notável biblioteca, que reunia mais de 20 000
livros apenas sobre o Brasil, fora mapas e outros títulos.
"Ele adorava ter gente em casa", lembra a jornalista Sônia
Racy, que conheceu a estilista trinta anos atrás. Nascida
em Santos, Lenny aliás, Maria Helena Ortiz
mudou-se para São Paulo aos 15 anos. Estudou desenho industrial
e foi colega de estágio de Sig Bergamin, uma das estrelas
brasileiras da arquitetura de interiores. Andava para cima e para
baixo a bordo de um MG verde, de capota arriada, já de piteira
entre os dedos, cabelo louro ao vento. Num fim de semana, conheceu
o neurocirurgião carioca Paulo Niemeyer, com quem se casou
em 1979. Começava aí seu caso de amor com o Rio. Por
causa do marido, mudou-se para o Leblon. As amigas paulistanas viviam
encomendando biquínis cariocas, mas achavam tudo muito pequeno.
Lenny comprou e descosturou uma peça e fez um modelo maiorzinho.
Logo aprendeu alguma coisa de modelagem, descobriu uma costureira
em Realengo e montou uma fábrica na garagem do prédio.
"Até que veio uma chuva e inundou tudo", lembra.
Os tropeços foram muitos.
Certo dia, invadiram a fábrica e roubaram suas trinta máquinas
de costura. Nenhuma estava no seguro. Em outro, quase quebrou por
causa de um plano econômico. Mas insistiu. Forneceu biquínis
a grifes como Fiorucci, Krishna e Bee. Em 1993 abriu a primeira
loja com seu nome, na Galeria Fórum de Ipanema. "Estava tão
insegura que nem queria ir à inauguração",
conta. O frio na barriga diminuiu, mas mesmo hoje, às vésperas
de lançar uma coleção, abandona as aulas de
pilates, dá adeus às sessões de esqui na Lagoa,
mal consegue comer. "Ela perdeu pelo menos 4 quilos desta vez",
garante sua irmã, a empresária Lulu Ortiz. "Lenny
sempre acha que não vai dar certo. E, quando dá, ela
acha que nunca mais vai conseguir fazer igual", diz Márcia
Parreiras, diretora comercial da grife. Ansiosa e detalhista, envolve-se
em cada etapa do desfile da trilha sonora, há oito
anos a cargo de Dudu Garcia, seu ex-namorado, à luz, passando
pela seleção das modelos. "São apenas dez minutos
para mostrar meses de trabalho", explica. "Tudo tem de estar perfeito.
A mulher precisa saber andar, ter carisma, 1,77 metro de altura
no mínimo e ser chique."
Arquivo pessoal
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| Fazendo esqui na Lagoa: festas e trabalho
têm deixado pouco tempo para os exercícios |
"É impressionante o que
ela consegue fazer em apenas 20 centímetros de tecido", afirma
a consultora de moda Gloria Kalil. "Faz uma moda praia clássica,
arqui-sofisticada, sem ser careta ou senhoril." Depois de anos de
biquínis miúdos, as cariocas aos poucos se renderam
ao estilo praia chique de Lenny. Hoje, a marca tem dezesseis lojas
no país, incluindo Búzios, Angra dos Reis, Trancoso
e Arraial da Ajuda. Nos próximos meses, será inaugurada
mais uma loja em São Paulo, nos Jardins. Lenny vende maiôs
e biquínis para 22 países, entre os quais Dubai e
Ilhas Maldivas. Suas peças podem ser encontradas na Bloomingdale's,
em Nova York, e na Le Printemps, em Paris.
Duas vezes por ano, a estilista
viaja para Paris e Londres. A trabalho, mas com seu jeito de curtir.
Tempos atrás, em Paris, ficou acordada até tardíssimo
com o casal Nazaré e Oskar Metsavaht, donos da grife Osklen.
No dia seguinte, às 9 da manhã, bateu à porta
dos dois. "Levei um susto e falei: 'Mas a gente acabou de dormir...'.
E ela, toda animada: 'Dormir em euro, nem pensar, meu amor", relata
Nazaré. Amiga das mais presentes, a atriz Carolina Ferraz
garante: "Ela é incrível à noite, mas é
muito melhor no café-da-manhã, quando vai para a cozinha
e faz omeletes maravilhosas, conta histórias, fala dos filhos,
do trabalho, do coração". O coração
está ocupado no momento por Lulu Lima e Silva, empresário,
avesso a flashes e badalações. "Há tanta gente
em volta que é difícil ter um momento a dois", ela
desabafa com bom-humor. Os filhos Paulo, de 25 anos, e Isabel,
de 22 , do casamento com Paulo Niemeyer, vivem com ela. (Dá
a idade deles, mas não revela a sua.) Desde 1982, Lenny mora
num pequeno prédio de três andares na Lagoa Rodrigo
de Freitas. Aos poucos, conseguiu comprar os doze apartamentos do
edifício. Derrubou paredes e atualmente vive no espaço
equivalente a três apartamentos. Há um à espera
de reforma que, por enquanto, é usado para festas e outro
para hóspedes. Os demais são alugados para pessoas
próximas, como o dentista Luiz Tepedino e a jornalista Sônia
Racy, que mora em São Paulo e mantém o endereço
carioca.
"Ela só tem um defeito:
não consegue dizer não", entrega o filho, Paulo. Numa
das muitas festas, dois turistas bateram à porta achando
que o lugar fosse uma boate. Lenny esclareceu o mal-entendido, mas
não resistiu. "Convidou os dois a ficar", diz Paulo. Às
vezes ela exagera. "Há muitos anos, eu estava morando no
Rio e pedi a ela que trouxesse meu cachorro de São Paulo.
Ela jurou que não tinha problema", conta Sônia. Mas
tinha. Na época, Lenny não era muito afeita a cães
(hoje ela tem o golden retriever Maddox). Ao recebê-la no
aeroporto, a jornalista encontrou-a sorridente, com o poodle a tiracolo.
Enquanto Lenny repetia, toda elegante, que a viagem fora ótima,
o comandante do avião virou-se para Sônia e disparou:
"Ah, então você é a dona do cachorro? Sua amiga
reclamou sem parar. Disse que, se você não viesse buscar,
ela ia jogar o bicho pela janela". Por histórias assim é
que Lenny mantém uma legião de admiradores, como Carolina
Ferraz: "Com ela, ganhei uma irmã, expatriada como eu, que
ama esta cidade e acabou se tornando a maior tradução
do famoso espírito carioca".
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A criadora
Fotos Márcio Madeira
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| Verão 2008:
desfile com as tops Giane
Albertoni, Letícia Birkheuer,
Caroline Ribeiro, Michelle Alves
e Ana Beatriz Barros |
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A baladeira
Fotos Arquivo pessoal
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| Entre amigas: com
Carolina Ferraz (à esq.), que
Lenny conhece há dez anos, e
Letícia Birkheuer, antiga inquilina
de seu prédio na Lagoa |
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Ao lado de Caetano Veloso, na
festa do ano passado: o agito
vai até de manhã, mas ela sai
à
francesa no fim da noite e
entrega a casa aos convidados |
Com Gisele Bündchen, no desfile de 1999,
surge com seu visual básico: sempre clássica,
não gosta de muita cor |
Fotos Arquivo pessoal
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| De férias no Rio,
em 2005, Ronaldo Fenômeno
se esbaldou no apartamento: papo firme
com as modelos da grife |
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Em família
Fotos Arquivo pessoal
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| Mãe coruja, curtindo
os filhos, Paulo e Isabel: frutos
do casamento com o médico
Paulo Niemeyer, eles moram com
ela até hoje |
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| Em 1979, no dia de
seu casamento, acompanhada pelos
pais, Waldemar e Odete Ortiz:
noiva chique, de chapéu |
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| O primeiro desfile da
grife Lenny foi em 1995, no próprio
prédio da estilista: desde
então, ela nunca deixou de
exibir suas coleções
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