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REPORTAGEM DE CAPA
Eles são (quase) tão importantes quanto os noivos
Quem são os cerimonialistas que organizam os mais badalados casamentos do Rio
Sofia Cerqueira e Debora Ghivelder
Sim. A palavra
curta, simples e tão esperada é o ápice de qualquer casamento.
Para que os noivos cheguem a ela, entretanto, uma longa jornada recheada de "sins"
e "nãos" terá se iniciado, freqüentemente, um ano antes, em
um encontro comercial. E só terminará muitas horas depois, quando
o último convidado deixar a recepção. Atento a todos os passos,
um especialista se responsabiliza pelo sucesso da cerimônia. Desde a escolha
da igreja, entrega dos convites, decoração do salão, segurança
dos convidados, bufê, música até a limpeza dos banheiros.
É o cerimonialista, um tipo de profissional cada vez mais requisitado por
quem deseja se casar em grande estilo. "Nossa função é interpretar
os desejos dos noivos, reunir todos os serviços e cuidar para que tudo
dê certo", resume Roberto Cohen, o mais procurado cerimonialista da cidade
e que faz em média oito casamentos por mês. "A gente lida com a ansiedade
de várias pessoas. É uma adrenalina muito grande. Você não
pode falhar, a festa não tem conserto no dia seguinte", acrescenta o cerimonialista
Ricardo Stambowsky, um dos preferidos da alta sociedade carioca. Para viabilizar
as vontades dos noivos, essa seleta turma cobra entre 4 000 e 12 000 reais pelo
serviço. É só o começo. Uma grande boda, com direito
a igreja ornamentada, fundo musical, recepção em lugar badalado,
serviço de primeira, DJ e banda ao vivo, ultrapassa a casa dos 100 000
reais e pode beirar os 200 000 facilmente. "O casamento mais caro não é
necessariamente o melhor. O importante é aliar os serviços aos sonhos
dos noivos", completa a pioneira no mercado, Helena de Brito e Cunha, quarenta
anos de experiência. São
justamente os anos de prática que fazem com que esses profissionais jamais
saiam para um evento sem levar a mala de trabalho. Nela carregam martelo, prego
e superbonder para saltos quebrados, linha e agulha para frágeis alças
de vestidos, uma bela caneta na falta de uma na hora de assinar a certidão,
sachê de sal para pressão baixa, band-aid, analgésicos, antiácidos
e até remédios para o coração. A atividade envolve
enorme expectativa, boas doses de tensão e, não raro, grandes imprevistos.
Roberto Cohen já teve de providenciar o resgate de um noivo e de sua mãe
de um elevador que despencara momentos antes de começar a cerimônia.
"Foi um sufoco! Tive de mandar a noiva voltar e, ao mesmo tempo, achar alguém
para tirá-los dali. Deu tudo certo", conta ele, com vinte anos de estrada.
Cohen, que era dentista, como a maior parte dos cerimonialistas começou
no ofício meio por acaso. Socorreu uma amiga enlouquecida com os preparativos
de seu casamento. Nunca havia feito isso. Hoje tem uma extensa lista de clientes,
que vão de celebridades, como a modelo Georgia Wortmann e o jogador de
vôlei Tande, a filhas de grandes empresários e gente de famílias
como Matarazzo, Geyer e Galotti. Sobrenomes de peso também são o
forte da agenda de Ricardo Stambowsky, advogado por formação, que
descobriu o talento para eventos ao aceitar o desafio de um amigo de fazer o casamento
da filha de um político, para 2 500 convidados, em 1985. Até hoje
é a maior festa realizada por ele, que se orgulha de ter ajudado a unir
filhas do advogado Sérgio Fadel, netos de Roberto Marinho, membros da família
Natan Kimelblat e famosos, como Regina Casé e Estevão Ciavatta.
"Na organização de um casamento, você acaba virando analista",
diz. Em algumas ocasiões, até médico. Certa vez, um senhor
caiu duro na primeira fila da igreja, supostamente morto. Stambowsky fez com que
os seguranças tirassem o homem da igreja pelos braços, como se o
estivessem amparando, e providenciou socorro. Era só uma queda de pressão,
e o casamento foi salvo. Jogo
de cintura é fundamental. Mas algumas regras também fazem parte
do cotidiano de um cerimonialista. O trabalho com os noivos começa um ano
antes da data escolhida, com sucessivas reuniões para escolher os serviços.
No dia da troca de alianças, o profissional acompanha a montagem da igreja
e do local da recepção e segue, madrugada adentro, supervisionando
tudo. É em média uma jornada de mais de doze horas, andando de lá
para cá. "Sempre oriento toda a minha equipe. Ninguém deve se sentar
ou comer no salão. Beber, jamais", destaca Thaïs de Carvalho Dias,
que, depois de trabalhar dois anos com Helena de Brito e Cunha, montou sua empresa,
há dezoito anos. Atualmente, ela faz uma média de seis eventos por
mês. Thaïs se casou cedo, era dona-de-casa, mas sempre adorou festas.
"Ainda choro em casamentos. A gente se apega às noivas", conta ela, que
se permite quebrar apenas esse protocolo. As regras não valem só
para os organizadores. A cerimonialista Amarilis Vianna, que atua na área
desde os anos 70, estende os cuidados aos noivos. Tem uma lista de conselhos que
sempre repete: "Digo que não deixem de comer, que não esqueçam
a caneta e que gastem a sola do sapato para não escorregar". Thaïs
chega ao extremo de designar uma das recepcionistas para a função
de "babá de noivos". Ela lembra que eles costumam ficar de barriga vazia
e bebericar nos copos dos convidados. "Para não se embebedarem, oriento
a funcionária a dar o tempo todo água, refrigerantes e comida",
diz. Mesmo com todos os cuidados, alguma coisa pode fugir ao controle. Amarilis
já teve de tirar do próprio dedo a aliança e pegar outra
com um dos padrinhos para substituir as esquecidas pelo noivo.
Se existem regras,
também é quase uma convenção entre os cerimonialistas
se vestir de preto ou azul-marinho. "O profissional não tem de competir
com os convidados", decreta Helena de Brito e Cunha, que estudou relações
públicas em Bruxelas, fez assessoria de cerimonial no Ministério
da Fazenda na década de 60 e tem uma bagagem de mais de 500 eventos, como
banquetes, festas de 15 anos e incontáveis casamentos. Na clientela, políticos,
empresários e sobrenomes como Monteiro de Carvalho, Magalhães Pinto,
Haegler, Galvêas e Peixoto de Castro. Ela começou numa época
em que não havia casas de festas, as mães organizavam o casamento
das filhas e pouca gente era familiarizada com a sigla francesa RSVP (em português,
responda, por favor). Ela criou rituais adotados por todos, como a apoteótica
entrada dos noivos no salão depois de os convidados estarem acomodados,
e lançou vários profissionais, de floristas a decoradores. Mas nem
tudo são flores nesse campo. "Já tive gente que trabalhou comigo
e foi embora levando a minha lista de fornecedores e clientes agendados naquele
ano", dispara ela, que hoje organiza apenas um matrimônio por mês.
Não
importa o número. Cuidar de uma cerimônia dessas é um trabalho
insano. Uma única festa envolve mais de 150 profissionais e uma lista de
serviços em torno de 35 itens. Entre eles, reserva da igreja, aluguel do
carro, contratação do fotógrafo e pagamento ao Ecad pelos
direitos autorais das músicas tocadas na festa. Sem falar na compra de
brindes, como maracas, pisca-piscas e marabus, hoje uma febre nas pistas de dança.
Também virou mania animar a festa com bateria de escola de samba. Existem
outras dificuldades. "Todo mundo quer se casar no sábado", diz Cohen. Há
sempre as igrejas mais concorridas e os salões da moda. "Maio deixou de
ser o mês preferido. E ninguém quer se casar nos meses de verão",
comenta Amarilis. As exceções são os noivos estrangeiros,
que juntam casamento e férias por aqui (veja quadro).
Embora a cidade registre a cada ano enlaces suntuosos, como os das filhas de Sérgio
Fadel, que tiveram 1 500 convidados e envolveram a construção de
pavilhões especiais no Forte de Copacabana, em 2001, e na Marina da Glória,
em 2002, para abrigá-los, a média é de 300 a 500 convidados.
E o curioso é que às vezes o noivo (ou a noiva) é mais fiel
ao cerimonialista do que ao parceiro. "Já fiz três casamentos para
uma mesma noiva. Ela brinca que muda de marido, mas nunca de cerimonialista",
diverte-se Stambowsky. Como se vê, o que não falta é gente
querendo dizer sim.
HELENA
DE BRITO E CUNHA
Felipe Varanda/Strana
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Perfil: clássico, atende principalmente famílias da tradicional
sociedade carioca, políticos, empresários e alguns artistas.
Número de casamentos: um por mês. Pioneira, tem no
currículo mais
de 500 festas.
Quanto cobra: entre R$ 6 000,00 e R$ 8 000,00.
Clientes: fez o casamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello e Lilibeth
Monteiro de
Carvalho; dos filhos dos ministros Mário Henrique Simonsen e Ernane
Galvêas; da filha do ex-presidente João Goulart; da filha do colunista
Ibrahim Sued; e de Eike Batista e Luma de Oliveira (foto).
Ari Lago  |
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THAÏS
DE CARVALHO DIAS
Felipe Varanda/Strana
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Perfil: variado, atende de empresários a nomes da sociedade, gente
famosa e da classe média alta.
Número de casamentos: em média, seis por mês, mas pode
fazer até três em um único dia.
Quanto cobra: de R$ 4 000,00 a R$ 12 000,00.
Clientes: organizou casamentos de integrantes de famílias tradicionais,
como o de Daniela Klabin e João Basílio e de Ana Luiza Fischer e
Mariano Marcondes Ferraz; de televisivos, como Renato Aragão e Lilian;
e da classe empresarial, como o de Rita Leta, filha do sócio do supermercado
Zona Sul. |
ROBERTO
COHEN
Felipe Varanda/Strana
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Perfil: arrojado, começou com a comunidade judaica e hoje domina
o mercado, atendendo empresários, políticos e celebridades.
Número de casamentos: em média, oito por mês.
Quanto cobra: entre R$ 5 000,00 e R$ 10 000,00.
Clientes: famílias como Frering, Galotti e Matarazzo; famosos como
Georgia Wortmann e Almir Ghiaroni, Tande e Lisandra Souto; o filho do ex-presidente
da Petrobras e do BNDES Francisco Gros; e o diretor da TV Globo Mário Lúcio
Vaz. |
RICARDO
STAMBOWSKY
Felipe Varanda/Strana
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Perfil: tradicional, organiza casamentos da sociedade, de políticos,
do empresariado e também de artistas.
Número de casamentos: um por fim de semana.
Quanto cobra: de R$ 5 000,00 a R$ 10 000,00.
Clientes: herdeiros de famílias como Marinho e Natan Kimelblat;
nomes como Márcia Fadel, que teve um pavilhão construído
para o casamento (foto), Camila Bueno Grossi, filha do dono da Amil, Joana
Havelange, neta de João Havelange; e globais, como Regina Casé e
Estevão Ciavatta e Adriana Esteves e Vladimir Brichta.
Azmann  |
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AMARILIS
VIANNA
Felipe Varanda/Strana
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Perfil: eclético, atende de famílias de sobrenome quatrocentão
a representantes da classe média alta. Fala cinco idiomas.
Número de casamentos: quatro por mês.
Quanto cobra: a partir de R$ 1 000,00.
Clientes: casou Maria Antônia e Maria Pia, ambas da família
Orleans e Bragança; Joaquim, o filho de Fernando Collor e Lilibeth; e herdeiros
das famílias Rigoni, Niemeyer e Severiano Ribeiro de Castro. |
"Yes"
e "oui" são respostas cada vez mais comuns
 | | Camila
e Anthony: no Copa |
A
cerimônia de casamento ocorreu na sexta-feira 7. O salão do Copacabana
Palace ganhou decoração de lírios brancos e uma passarela
vermelha sobre o piso de mármore. Os 200 convidados se emocionaram quando
apontaram no corredor os noivos Camila Santos Chaves e Anthony Wajsfisz, que vieram
de Paris para festejar a data. Depois de assinarem a papelada na França,
eles decidiram celebrar a união com direito à vista da Praia de
Copacabana. O casal é mais um a engrossar a lista de europeus e americanos
que escolhem o Rio para realizar a cerimônia. Camila é brasileira,
mas mora em Paris há vinte anos. A idéia de se casar no Rio foi
do marido, que é francês. "Ele se empenhou para que tivéssemos
tudo isso", derreteu-se ela. Com eles, desembarcaram no Galeão 92 convidados.
"Esse
mercado cresceu pelo menos 200% nos últimos dois anos", calcula Roberto
Cohen, responsável pelo cerimonial da festa. "Antes eu fazia um casamento
de estrangeiros por semestre. Agora, há pelo menos um por mês", diz
Cohen. Nem todos têm laços evidentes com o Brasil como Camila e Anthony.
Os americanos Carrie Pike e David McKeegan só estiveram por aqui de férias.
Foi o bastante para escolherem a cidade para a celebração. "O Rio
alia beleza e conforto, e as pessoas são calorosas", justifica a noiva.
A união foi celebrada com uma recepção no Copa para 62 convidados
estrangeiros. "Faço muitos casamentos de gente de fora. Eles gostam de
vir no verão ou perto de algum feriado", diz Amarilis Vianna, que passou
o histórico sábado do show dos Rolling Stones em função
de um casal americano. "Eles se casaram e ficaram para o Carnaval." |
Na
hora da festa... Faça
a coisa certa
A caipirinha está com tudo no salão.
In, também, são lounges repletos de pufes.
Idem para os bolos com bonequinhos bem-humorados de casal (pode ser com a camisa
do time do noivo ou montados numa moto).
Espalhe bares pelo salão para o convidado se servir quando quiser.
Opte pelo sistema de bufê. Assim a música não pára
nem esfria enquanto os convidados comem.
Boa novidade é a cobertura "fotojornalística", que vai gerar revistas/álbuns.
O mesmo vale para exibição de bateria de escola de samba e distribuição
de chinelos.
É o máximo ter mesas de vidro ou de madeira de demolição
para os doces. Bem-casados de chocolate estão em alta.
Esqueça
Salgadinhos fritos. Estão totalmente fora de moda.
Para que dispor de lugares à mesa para todos os convidados? O lounge
serve para isso. Para facilitar no jantar, ofereça algo que se possa comer
com o prato no colo, como um risoto.
Mesas de doces cobertas por volumosas toalhas de tule.
Serviço à francesa ou empratado (prato pronto,
levado à mesa pelo garçom).
Bebida servida exclusivamente pelo garçom.
Os noivos saírem no meio da festa.
Noivo usar terno branco.
A noiva cobrir o rosto com véu. A exceção são os casamentos
judaicos.
Distribuir lembrancinhas aos convidados no fim da festa. |
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