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CIDADE
Guerra
declarada
Prefeitura
contesta publicidade
em totens
Fabio
Brisolla
A prefeitura
declarou guerra às empresas Clear Channel Adshel e Cemusa,
concessionárias da exploração publicitária
do mobiliário urbano da cidade. O motivo da divergência
é o valor que as empresas repassam pelas propagandas nos
totens. A Secretaria Municipal da Fazenda, há quatro meses
responsável pela fiscalização da propaganda
de rua, decidiu contestar a taxa de autorização de
publicidade paga pelas concessionárias. Clear Channel e Cemusa
pagam um valor anual pela exploração de cada totem.
A prefeitura alega ser pouco e exige que a quantia seja equivalente
a cada anúncio exibido. A mudança multiplica as cifras,
pois só a Adshel veicula três anúncios simultâneos
em cada totem, que mudam semanalmente. De acordo com os novos cálculos,
a empresa que desembolsou 109.000 reais
em 2002 para o pagamento da taxa seria obrigada a pagar 5,6 milhões
de reais pelo mesmo período. Progressão igual se repete
com a Cemusa. Os empresários afastam a hipótese de
aceitar os novos valores estabelecidos. A prefeitura contra-ataca
afixando nos totens adesivos com letras garrafais: Notificado
a Retirar Publicidade Irregular.
"Na
semana passada, começamos a colar os adesivos e eles tiraram
em seguida. Vamos adotar medidas mais enérgicas, talvez pintar
os totens, e começaremos também a autuar os anunciantes
que utilizam o serviço", ameaça Francisco de Almeida
e Silva, secretário municipal da Fazenda. Adshel e Cemusa
acusam a prefeitura de estar desrespeitando o contrato vigente.
"Não dá para admitir uma taxa de 109.000
reais pular para 5 milhões", contesta Emilio Medina, presidente
da Clear Channel Adshel. Em dezembro de 1999, na gestão do
prefeito Luiz Paulo Conde, foi firmado o contrato com as duas empresas
vencedoras da licitação. A elas caberiam a instalação
e a manutenção de abrigos de ônibus, sanitários
públicos, totens, relógios eletrônicos, placas
direcionais e cabines de segurança da Guarda Municipal. As
empresas pagariam, ainda, determinada quantia. Em troca poderiam
explorar a publicidade em todo esse mobiliário urbano pelo
prazo de vinte anos.
À
Adshel coube a exploração das peças da Zona
Sul, Centro e parte da Zona Norte (Tijuca, Vila Isabel, Maracanã
e São Cristóvão). A empresa se comprometeu
a pagar a quantia de 8,3 milhões de Ufirs em cinco parcelas
anuais. A terceira parcela, quitada em 2002, chegou a 2 milhões
de reais. A Cemusa ficou com a Zona Oeste, a Ilha do Governador
e o restante da Zona Norte. Por abranger uma área maior,
o valor total do contrato alcançou 15,6 milhões de
Ufirs, com as mesmas condições de pagamento. A parcela
de 2002 ficou em 3,7 milhões de reais. Nos dois casos, após
o quinto ano, a prefeitura passará a receber 40% do faturamento
bruto de toda propaganda nas peças. A taxa de autorização
de publicidade, no entanto, está à parte na conta.
Trata-se de um valor cobrado pela veiculação de qualquer
anúncio em espaços públicos. "A soma de todos
os impostos pagos no ano passado chegou a 3 milhões de reais.
O que não faz sentido é uma simples taxa custar 5
milhões", pondera Emilio Medina.
Os
valores pagos pelas concessionárias estavam corretos até
dezembro de 2001, quando a prefeitura decidiu mudar as regras da
taxa e, por meio da Portaria F/CLF nº 487, passou a exigir
o pagamento referente a todos os anúncios exibidos no mobiliário.
A condição anterior estabelecia o pagamento anual
por totem, em torno de 30 reais (1 Unif), e não pela quantidade
de anúncios em cada um deles. "Elevaram em 1.000%
a taxa de publicidade. É uma loucura", protesta Juan Carlos
Orge, diretor da Cemusa Brasil. A empresa recorreu à Justiça
e obteve liminar para prosseguir as atividades. "A portaria nos
obriga a pagar um valor muito acima do estabelecido. A prefeitura
tem de restaurar nosso direito", argumenta Juan. O apelo, por enquanto,
não surte efeito. O secretário da Fazenda considera
o valor defendido pelas empresas irrisório e contra-argumenta.
"O contrato do mobiliário urbano trata da utilização
do espaço público, mas também é preciso
pagar pela exploração publicitária. O argumento
das empresas pode ser inteligente, mas não é verdadeiro",
comenta Francisco de Almeida e Silva. Segundo o secretário,
apesar de a briga já estar na Justiça, há margem
para acordo. "Existe uma divergência, mas ainda é possível
uma negociação entre a prefeitura e as empresas. O
que não aceitamos é o valor pago atualmente", diz
o secretário.
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Os
argumentos de cada um
Mirian Monteiro/Strana
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Prefeitura
A
alegação é que as concessionárias
não pagam o devido valor pela taxa de autorização
de publicidade, imposto cobrado de todas as empresas que fazem
propaganda em espaços públicos.
Empresas
Os
proprietários argumentam que o novo valor cobrado pela
prefeitura é abusivo. A taxa, anteriormente inferior
a 150 000 reais por ano, subiu para mais de 5 milhões
de reais, de acordo com os novos cálculos.
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