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GASTRONOMIA
A receita desandou
Z Contemporâneo fecha
em menos de um ano
Livia de Almeida
André Nazareth/Strana
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Felipe Bronze: cozinha premiada
e gestão polêmica no restaurante
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Não se pode dizer que o chef Felipe Bronze tenha começado
2005 com o pé direito. Nos últimos dias de dezembro,
durante um treino de jiu-jítsu, rompeu os ligamentos de um
ombro. Encarou uma mesa de operação no primeiro dia
útil do ano novo. Mas o golpe mais duro viria no Dia de Reis,
uma quinta-feira. Foi quando soube que seus sócios haviam
decidido encerrar as atividades do Z Contemporâneo. O fechamento
do restaurante de Ipanema, eleito revelação do ano
e melhor cozinha contemporânea da cidade pelo júri
de gastronomia de Veja Rio, não chegou a ser uma surpresa
completa para o chef. Desde o início de dezembro, Bronze
procurava novos sócios. "Não deu tempo", reconhece.
Ele explica com simplicidade a razão do fechamento: "O desempenho
do restaurante não estava de acordo com o projetado. Ele
ainda não havia conseguido se pagar, apesar de viver cheio.
O problema é que se gastou muito mais que o previsto antes
da abertura, ou seja, houve um problema de administração.
O restaurante foi mal planejado, mas bem executado. Eu fiz a minha
parte". Cacau Osório, sócio-administrador até
agosto passado, tem outra opinião: "Nenhum negócio
se paga em nove meses. O problema é que Felipe não
admitia intervenções, com um autoritarismo travestido
de egocentrismo que eu não conseguia engolir. Não
era possível mexer nem no preço das bebidas para baratear
o gasto médio em cada mesa". Osório, responsável
também pela implantação dos Esch Café
do Centro e do Leblon, vai mais longe. "O Felipe aparecia na mídia,
mas a marca Z acabou ficando em segundo plano", diz.
O Z Contemporâneo ocupava
uma casa de três andares na movimentada esquina da Paul Redfern
com a Prudente de Morais. Seu lançamento vinha cercado de
expectativa, desde que o jovem chef tinha deixado a cozinha do Zuka,
em outubro de 2003. O adjetivo contemporâneo do nome era levado
a sério: havia tecnologia por toda parte. Um telão
de plasma exibia clipes no andar térreo, onde se destacava
o imenso balcão de sushis. Ali também foi instalada
uma cabine de DJ, que o chef gostava de pilotar de vez em quando.
Os pedidos eram anotados pelos garçons em palmtops e iam
direto para a cozinha. Mesmo com tanta tecnologia, o início
foi atribulado. No primeiro fim de semana houve problemas com infiltrações,
e logo surgiram reclamações sobre a falta de isolamento
acústico, resolvida em seguida com uma obra. O menu era audacioso,
sem concessões a paladares mais convencionais. Fiel à
linha fusion, Bronze criou o sushi e o harumaki de moqueca, o gyoza
de rabada, o tempura de ovo de codorna. "Eu considero a cozinha
de Felipe Bronze uma espécie de laboratório, ainda
em evolução, com direito a momentos sublimes", afirma
o médico Miguel Froimtchuk, integrante do júri de
gastronomia de Veja Rio, que destaca as ostras infladas no
próprio suco servidas sobre granitê de sunamono. Seu
filho Paulo, 23 anos, engenheiro recém-formado, apreciava
tanto a casa que fazia questão de levar amigos para conhecê-la.
"Eu gostava muito, mas nunca entendi qual era o público-alvo.
Para gente da minha faixa etária, os preços eram altos
demais", comenta.
Após o fechamento da casa,
o jovem chef quer dar uma pausa, mas diz ter convites para fazer
televisão ele teve duas participações
no Fantástico, em dezembro e para ser chef
de restaurante em Londres, segundo ele um projeto de 10 milhões
de dólares. "O ano passado foi totalmente punk. Enfrentei
crises de stress e até um princípio de depressão.
Trabalhei para burro, mas a cozinha do Z teve reconhecimento. Fui
coroado", declara Felipe Bronze.
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"O Z foi mal planejado,
mas foi bem executado. Começou caro demais, grande
demais e com uma pecha arrogante."
Felipe Bronze, chef do Z Contemporâneo
"Um negócio
não pode se apoiar apenas no carisma de uma estrela.
A cozinha era boa, o cardápio, ousado, mas o egocentrismo
de Felipe atrapalhou."
Cacau Osório, ex-sócio
do restaurante
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