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19 de janeiro de 2005
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CARNAVAL

Vista sua camisa

Começa a folia de blocos e bandas cariocas

Fabio Brisolla e Gustavo Autran

 

Fotos André Valentim/Strana

É bom preparar o fôlego e a agenda, porque a festa vai começar. A partir de sábado (22), o carioca põe seus blocos e bandas na rua, numa pândega que se prolonga até o domingo pós-Carnaval. Para facilitar as escolhas do folião, Veja Rio pinçou alguns blocos, que estão na lista abaixo. É vestir a camisa e sair por aí.

Banda da Barra. Domingo (30), concentração a partir das 12h. Avenida Sernambetiba, 4700, em frente ao Condomínio Barra Bela. Boa pedida para quem quer fazer um programa que alia praia na Barra e Carnaval. A banda costuma atrair um bando de foliões acima dos 35 anos, mas a garotada da praia também marca presença. Um trio elétrico e ritmistas da Portela garantem o barulho. O homenageado do ano é o quase octogenário Lan, que assina a camiseta.

Banda de Ipanema. Desfiles no sábado (22) e no sábado (5) e na terça (8) de Carnaval. Concentração na Praça General Osório, às 16h. Nascida em 1965, a Banda de Ipanema trocou a sátira política de sua origem pela irreverência do público GLS. Rapazes saradões e drags superproduzidas são figurinhas fáceis no cortejo, que sai da praça e segue pela praia. Este 41º desfile homenageará o compositor Ismael Silva, que completaria 100 anos em setembro.

Barbas. Sábado de Carnaval (5), concentração, a partir das 15h na esquina das ruas Arnaldo Quintela e Assis Bueno. Esse bloco de Botafogo é uma saudável bagunça. Em seu 21° verão, o Barbas apresentará mais do mesmo: o característico carro-pipa que banha o pessoal e um samba bem-humorado, que debocha da queima de fogos do réveillon. O trajeto é curto e costuma acabar na Rua da Passagem.

Bloco de Segunda. Segunda de Carnaval (7), concentração às 16h na Cobal do Humaitá. A marca desse bloco que chega a seu 16º desfile é a diversificação de foliões, dos 8 aos 80 anos, além da sátira política expressa no samba e nos estandartes. O circuito por ruas estreitas de Botafogo é complicado, mas a diversão, garantida. Quem quiser se antecipar, nesta segunda (17) será feita a escolha do samba, no Far Up da Cobal.

Carmelitas. Sexta (4) e terça (8) de Carnaval, concentração na esquina da Rua Dias de Barros com a Ladeira de Santa Teresa. É um dos blocos que mais cresceram. O trajeto por Santa Teresa é entre a Rua Dias de Barros e o Largo do Guimarães, com os foliões exibindo o característico lenço na cabeça. Atrai jovens de diversos cantos da cidade e moradores do bairro. O desfile é uma delícia, mas às vezes a multidão em ruas tão estreitas gera desconforto. Por isso, o horário de saída ainda não está decidido. Ensaios no sábado (22) na quadra do bloco Badalo, na Rua Paraíso, e uma semana depois, no local da concentração, sempre às 18h.

Cordão do Boitatá. Para evitar superlotação, só vão divulgar a data e o local do desfile em cima da hora. Vale a pena ficar atento. É um desfile à moda antiga, sem carro de som e com marchinhas clássicas. Em 2004, o desfile foi na manhã do domingo de Carnaval, da Rua do Mercado à Praça Quinze, no Centro. Formado por oito músicos, o Cordão do Boitatá lançou no ano passado um CD com samba de roda, maxixe e choro. O grupo se apresenta nesta segunda (17) na Gafieira Estudantina (Praça Tiradentes, 79, Centro).

Cordão do Bola Preta. Desfiles na sexta (28), com concentração na Praça Mauá, às 17h, e no sábado (5) de Carnaval, com concentração na Cinelândia às 9h. Programa imperdível para quem curte o genuíno Carnaval de rua carioca. No desfile de sábado, um mar de gente – 70.000 pessoas em 2004 – invade a Cinelândia já no começo da manhã. A banda ataca de sambas e marchas. No sábado, o Bola Preta pela primeira vez mudará seu percurso e o cortejo será de ida e volta pela Avenida Rio Branco.

Dois pra Lá, Dois pra Cá. Sábado (5) de Carnaval, concentração em frente à Academia de Dança Carlinhos de Jesus (Rua Álvaro Ramos, 11, Botafogo), às 14h. Programa para quem gosta de bagunça organizadinha. O bloco do dançarino Carlinhos de Jesus usa cordas para isolar os foliões, distinguidos pelas camisetas à venda na academia (R$ 15,00). Outra diferença é a travessia do Túnel Novo, seguindo pela Princesa Isabel e pela Atlântica até o Copacabana Palace.

Escravos da Mauá. Quinta (3), concentração no Largo de São Francisco da Prainha, Centro, às 19h. São concorridos os ensaios – divulgados com pouca antecedência para não superlotar – e o desfile desse cordão, com treze anos de existência. O trajeto segue pela Praça Mauá e Avenida Rio Branco, e a festa se encerra no local da concentração.

Gigantes da Lira. Sábado (29), concentração na Praça General Glicério, Laranjeiras, às 17h. Atração certa para a criançada, esse bloco infantil sai pela Rua das Laranjeiras com palhaços, pernas de pau e malabaristas. A garotada costuma ir fantasiada, e os pais também se divertem. Quinze músicos animam a turminha, sem carro de som.

Imprensa que Eu Gamo. Sábado (22), concentração no Mercadinho São José (Rua das Laranjeiras, 90), às 16h. Organizado por jornalistas, há muito ganhou foliões de várias tribos. O desfile será no próximo sábado, e a escolha do samba, na terça (18), no Far Up da Cobal do Humaitá. A camisa é assinada por ninguém menos que Luis Fernando Verissimo.

Meu Bem Volto Já. Terça (8), concentração no início da Avenida Atlântica, no Leme, às 16h. O Meu Bem expandiu suas divisas e atrai cariocas de vários cantos. A maior novidade neste ano será a mudança de data e horário. O bloco, que até então animava a noite de quinta-feira pré-carnavalesca, passa a sair mais cedo e no último dia de Carnaval. O trajeto também foi modificado. A turba parte do Leme em direção a Copacabana, sem hora nem esquina para acabar.

Monobloco. Domingo (13) pós-Carnaval, concentração na Praça Ataualpa, na Praia do Leblon. Atendendo a pedido da prefeitura, que temia o caos no trânsito, o Monobloco alterou a data da saída e pela primeira vez desfilará no domingo seguinte ao Carnaval. Seus 120 ritmistas tocam samba, rock, marcha, coco e funk, arrastando uma multidão pela orla entre os postos 12 e 10. Fenômeno do Carnaval de rua carioca, o bloco completa cinco anos e ensaia sempre às sextas, na Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24, Lapa).

Nem Muda Nem Sai de Cima. Sábado (22), concentração na Rua Garibaldi, 13, Muda, às 15h. A animação não poderia ser diferente nesse bloco tijucano apadrinhado por Aldir Blanc e Beth Carvalho. O pessoal se reúne em frente ao Bar da Dona Maria. O ritmo do desfile é ditado pelo conjunto Conversa de Bar, com muito samba de raiz.

Simpatia É Quase Amor. Sábado (29) e domingo (6) de Carnaval, concentração na Praça General Osório, às 16h. Um dos responsáveis pela revitalização do Carnaval de rua, o Simpatia tem público para lá de eclético, com predominância dos trintões em diante. É um luxo o desfile, que escancara o Morro Dois Irmãos e evolui pela Praia de Ipanema. Neste ano o bloco comemora seu vigésimo aniversário. Ensaio no sábado (22), no Clube dos Democráticos (Rua Riachuelo, 91, Lapa).

Suvaco do Cristo. Domingo (30), concentração na esquina das ruas Jardim Botânico e Faro. O tradicional bloco optou há três anos por ficar na encolha, para conter o gigantismo que atrapalhava o desfile. Deu certo. Tanto assim que o Suvaco repetiu neste ano o providencial retiro e nem ensaios programou. A inovação da vez é que não houve escolha de samba. Os compositores se reuniram e fizeram um samba de mutirão. O horário da concentração ainda não está definido.

Vem Ni Mim que Sou Facinha. Sexta (4) e terça (8) de Carnaval, concentração na Praça General Osório, às 18h. Criado há seis anos, o bloco se concentra ao lado da Rua Jangadeiros. E fica por lá mesmo. É, na verdade, uma animada roda de samba.

     
   

 

 
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