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18 de outubro de 2006

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Bonitinhos e bem-cuidados

Cresce a clientela masculina em salões e clínicas de beleza

Melissa Jannuzzi

 
Fotos André Valentim/Strana
O cabeleireiro Ricardo Moreno e Alexandre Gelli: visitas a cada dois meses para manter o corte

A pesada carga de estudos da faculdade de medicina não afasta o estudante Sávio Porto, 27 anos, de uma rígida rotina de exercícios físicos e de cuidados com o rosto usando produtos específicos para seu tipo de pele. Uma vez por semana, Sávio faz esfoliação e limpeza e aplica máscara na pele. "Você percebe o assédio das mulheres e pensa: 'Sou bonito'. Por que não me cuidar?", diz. O empresário Alexandre Gelli, 22, tem nos cuidados com o cabelo sua grande preocupação. "Não meço esforços nem controlo gastos. Só corto num bom salão e invisto em cremes. Um visual bem-cuidado passa credibilidade. Ninguém fala de negócios com um molambo", comenta. Sem dúvida, os homens estão mais vaidosos e sem medo de assumir sua vaidade. Hoje eles dividem espaço em salões de beleza, clínicas de estética e consultórios dermatológicos com as mulheres.

"As mulheres sempre foram muito vaidosas, e os homens não. Agora, eles estão correndo atrás. Seja para conquistá-las, seja por concorrência no trabalho", diz a dermatologista Paula Bellotti. Os homens atualmente correspondem a 30% de sua clientela. "É impressionante o crescimento que ocorreu nos últimos anos", afirma. Ivani Pimenta, dona do salão de beleza Crystal Care, viu o movimento masculino aumentar tanto nos últimos três anos – hoje corresponde a 20% do faturamento – que há um ano abriu um espaço exclusivo para os homens dentro do salão. "Assim, eles fazem barba, tratam da pele, cortam o cabelo e fazem podologia mais à vontade", comenta Ivani. O advogado Eugênio Raja Gabaglia, 53 anos, trocou o antigo barbeiro pela sala masculina do Crystal. Ali, fazer a barba leva 45 minutos, mas o processo inclui esfoliação, hidratação e tonificação da pele do rosto. Sai caro – 55 reais, o dobro do preço médio cobrado nas barbearias comuns. "É uma forma de estar bem comigo e de mostrar carinho e consideração à minha mulher, de ficar bonito para ela", diz Eugênio.

 
Sávio Porto e a médica Marcelle Miranda: máscaras calmantes

A busca por serviços de alta qualidade tem feito muitos homens abandonar os salões de barbeiro, onde um corte de cabelo custa em média 40 reais, e entregar suas madeixas a hairstylists de luxo, que cobram em torno de 130 reais. "Meu cliente é um homem que se veste bem e se preocupa em ter um corte sempre atualizado e bem-feito", explica Ricardo Moreno. É o caso de Alexandre Gelli, que corta o cabelo a cada dois meses. "Primeiro você começa a cuidar do corpo. Depois se liga nas roupas. E aí começa a querer ter a pele e o cabelo bem-cuidados. Uma coisa puxa a outra, e o resultado é uma aparência saudável", comenta Sávio Porto, que vai toda semana ao consultório da médica Marcelle Miranda, especializada em medicina estética. Lá faz limpeza de pele e aplica máscara de maracujá para acalmar a pele, irritada pela barba. Também já fez mesoterapia para diminuir as medidas da barriga. "De bem com a aparência, você se sente mais confiante", diz. A médica vê a clientela masculina crescer em seu consultório. "Os homens chegam meio tímidos, falam de um amigo que fez um tratamento, perguntam como é e, aos poucos, se soltam e passam a vir com freqüência", conta.

"Antigamente os homens tinham vergonha de parecer sarados e bem-cuidados. Hoje isso é um ponto a favor nas entrevistas de trabalho", afirma Roberto Machado, diretor da empresa de recursos humanos Michael Page. Mas a vaidade masculina é diferente da feminina. "O homem não segue uma rotina diária de passar cremes, mas freqüenta o consultório mensalmente. Não usa protetor solar diariamente, mas já tem consciência da importância dele quando vai à praia", explica Paula Bellotti. O cabeleireiro Ricardo Moreno também vê diferenças. "Eles ainda têm pouca informação e por isso saem comprando indiscriminadamente e gastando mais. A compra da mulher é mais direcionada", diz.

 
Barba de luxo: 45 minutos para esfoliar, barbear, hidratar, massagear e tonificar a pele do rosto

Richard Klevenhusen, diretor da marca Biotherm no Brasil, confirma a expansão da linha de beleza masculina. "As vendas aumentaram cerca de 13% do ano passado para cá, e temos expectativa de mais crescimento. O maior desafio é fazer o homem usar pela primeira vez. Quando vê a diferença, ele vira consumidor", comenta o executivo.

     
   

 

 
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