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18 de junho de 2003
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Executivo bossa-nova

O guitarrista que deu certo como dirigente

Pedro Tinoco


André Valentim/Strana
Liber: da falência para uma empresa com 25 artistas e sessenta funcionários


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Complemento da entrevista

Se quisesse mudar de carreira, o produtor musical Liber Gadelha bem que podia aventurar-se pelo filão dos livros de auto-ajuda. Seria o autor ideal de um best-seller chamado A Falência É um Bom Começo. Foi quebrado e sem perspectivas que, há seis anos, Gadelha, 46, deu início à bem-sucedida empreitada da Indie Records. A gravadora independente, mesmo afetada pela atual crise no mercado fonográfico, chama a atenção pelas boas vendas de alguns de seus artistas. Exemplos sobram. O sambista Jorge Aragão estava sem gravadora e amargava vendas inferiores a 10.000 discos antes de assinar com a Indie. Nos últimos dois anos, vendeu mais de 2 milhões de cópias de três lançamentos. A cantora Alcione saltou da média de 30.000 CDs para os 300.000 de Alcione ao Vivo. Antes dela, Luiz Melodia alcançou pela primeira vez as 100.000 cópias, com o CD Acústico.

Mas a história começa com a falência. Foram dois tiros n'água. "Primeiro, fui produzir um disco do Lobão, mas, na segunda semana, ele tinha demitido quase todos os músicos. Só faltava eu. Pedi as contas e fui cuidar da vida. Duro, evidentemente", lembra. O segundo tiro foi, a convite do poeta Tavinho Paes, a produção do disco do grupo de pagode Deita e Rola, para a gravadora Caju Music. A batucada da turma rendeu 30.000 CDs vendidos e um hit nas rádios, o infame Perereca na Lagoa, mas não teve jeito. "O dono da gravadora, um inglês que dizia ter catorze navios cargueiros, voltou para a terra dele sem pagar ninguém", conta.

Depois que a perereca foi pro brejo, Liber Gadelha procurou Philippe Neiva, amigo de infância e músico como ele, com uma última bala na agulha. Neiva e o banqueiro Álvaro Otero já eram sócios na pequena produtora Mega Comunicações – embrião do baita EstudiosMega, que hoje mexe com publicidade, cinema, DVD, sonorização e engloba a Indie Records – e juntaram-se a Gadelha na criação do selo independente. "Começamos bem devagar, com três artistas, a banda Tribo de Jah, Vinny e Eliana Printes", lembra. O trabalho, com uma equipe enxuta, atenta às peculiaridades de cada artista, não demorou a funcionar. Entre os 25 cantores contratados pela Indie Records estão Alceu Valença, Erasmo Carlos e o astro brega Reginaldo Rossi, além de novos nomes, como Luiza Possi, filha de Liber e da cantora Zizi Possi, e o grupo LS Jack.

Carioca de Copacabana, Liber Gadelha descobriu a música meio por acaso. Aos 14 anos, juntou-se a uma turma para rodar o Brasil. Na Bahia, hospedou-se na casa da prima, Sandra Gadelha, então mulher de Gilberto Gil. "O Gil me deu de presente um violão com duas cordas e aí pensei seriamente em virar músico", conta. Tentou o celo na Escola de Música da UFRJ, mas o pai só tinha dinheiro para pagar a guitarra. Foi conhecer melhor o instrumento na Berklee School, em Boston. Na volta, começo dos anos 80, fez bicos como músico de Dângelo e sua Orquestra e da cantora Fátima Nogueira, que viria a ser mais conhecida por Joanna. Também tocou com Luiz Melodia e Ney Matogrosso, antes de virar produtor musical. Há seis anos como presidente da Indie Records, acrescenta aos problemas de pirataria e altos impostos outra razão para a crise do mercado. "As lojas de disco estão em extinção. Só há grandes magazines, onde você vai procurar um CD, distrai-se e compra uma jujuba e uma calcinha", reclama, sem perder o humor. "Comecei falindo. É um bom começo, porque pior não fica", diz.

 

O campeão

Divulgação


Na batalha desde os primórdios do grupo Fundo de Quintal, há mais de vinte anos, o sambista Jorge Aragão anda meio perplexo. "Quando, na minha vida, eu poderia pensar no que alcancei hoje?", pergunta-se. Na Indie Records desde 1997, o autor de Coisinha do Pai alcançou, nos últimos dois anos, 2 milhões de cópias vendidas dos discos Ao Vivo 1, Ao Vivo 2 e Todas. Do mais novo, Jorge Aragão Convida, já chegaram às lojas 250.000 cópias. "O Liber e o pessoal da Indie insistiram em me botar na TV, o nego véio, no meio daquele monte de gente bonitinha, e deu certo", diz.

         
     
 
 
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