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PERFIL
Executivo
bossa-nova
O
guitarrista que deu certo
como dirigente
Pedro
Tinoco
André Valentim/Strana
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| Liber:
da falência para uma empresa com 25 artistas e sessenta funcionários
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Se
quisesse mudar de carreira, o produtor musical Liber Gadelha bem
que podia aventurar-se pelo filão dos livros de auto-ajuda.
Seria o autor ideal de um best-seller chamado A Falência
É um Bom Começo. Foi quebrado e sem perspectivas
que, há seis anos, Gadelha, 46, deu início à
bem-sucedida empreitada da Indie Records. A gravadora independente,
mesmo afetada pela atual crise no mercado fonográfico, chama
a atenção pelas boas vendas de alguns de seus artistas.
Exemplos sobram. O sambista Jorge Aragão estava sem gravadora
e amargava vendas inferiores a 10.000
discos antes de assinar com a Indie. Nos últimos dois anos,
vendeu mais de 2 milhões de cópias de três lançamentos.
A cantora Alcione saltou da média de 30.000
CDs para os 300.000 de Alcione ao
Vivo. Antes dela, Luiz Melodia alcançou pela primeira
vez as 100.000 cópias, com o CD
Acústico.
Mas
a história começa com a falência. Foram dois
tiros n'água. "Primeiro, fui produzir um disco do Lobão,
mas, na segunda semana, ele tinha demitido quase todos os músicos.
Só faltava eu. Pedi as contas e fui cuidar da vida. Duro,
evidentemente", lembra. O segundo tiro foi, a convite do poeta Tavinho
Paes, a produção do disco do grupo de pagode Deita
e Rola, para a gravadora Caju Music. A batucada da turma rendeu
30.000 CDs vendidos e um hit nas rádios,
o infame Perereca na Lagoa, mas não teve jeito. "O
dono da gravadora, um inglês que dizia ter catorze navios
cargueiros, voltou para a terra dele sem pagar ninguém",
conta.
Depois
que a perereca foi pro brejo, Liber Gadelha procurou Philippe Neiva,
amigo de infância e músico como ele, com uma última
bala na agulha. Neiva e o banqueiro Álvaro Otero já
eram sócios na pequena produtora Mega Comunicações
embrião do baita EstudiosMega, que hoje mexe com publicidade,
cinema, DVD, sonorização e engloba a Indie Records
e juntaram-se a Gadelha na criação do selo
independente. "Começamos bem devagar, com três artistas,
a banda Tribo de Jah, Vinny e Eliana Printes", lembra. O trabalho,
com uma equipe enxuta, atenta às peculiaridades de cada artista,
não demorou a funcionar. Entre os 25 cantores contratados
pela Indie Records estão Alceu Valença, Erasmo Carlos
e o astro brega Reginaldo Rossi, além de novos nomes, como
Luiza Possi, filha de Liber e da cantora Zizi Possi, e o grupo LS
Jack.
Carioca
de Copacabana, Liber Gadelha descobriu a música meio por
acaso. Aos 14 anos, juntou-se a uma turma para rodar o Brasil. Na
Bahia, hospedou-se na casa da prima, Sandra Gadelha, então
mulher de Gilberto Gil. "O Gil me deu de presente um violão
com duas cordas e aí pensei seriamente em virar músico",
conta. Tentou o celo na Escola de Música da UFRJ, mas o pai
só tinha dinheiro para pagar a guitarra. Foi conhecer melhor
o instrumento na Berklee School, em Boston. Na volta, começo
dos anos 80, fez bicos como músico de Dângelo e sua
Orquestra e da cantora Fátima Nogueira, que viria a ser mais
conhecida por Joanna. Também tocou com Luiz Melodia e Ney
Matogrosso, antes de virar produtor musical. Há seis anos
como presidente da Indie Records, acrescenta aos problemas de pirataria
e altos impostos outra razão para a crise do mercado. "As
lojas de disco estão em extinção. Só
há grandes magazines, onde você vai procurar um CD,
distrai-se e compra uma jujuba e uma calcinha", reclama, sem perder
o humor. "Comecei falindo. É um bom começo, porque
pior não fica", diz.
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O
campeão
Divulgação
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Na batalha desde os primórdios do grupo Fundo de Quintal,
há mais de vinte anos, o sambista Jorge Aragão
anda meio perplexo. "Quando, na minha vida, eu poderia pensar
no que alcancei hoje?", pergunta-se. Na Indie Records desde
1997, o autor de Coisinha do Pai alcançou, nos
últimos dois anos, 2 milhões de cópias
vendidas dos discos Ao Vivo 1, Ao Vivo 2 e Todas.
Do mais novo, Jorge Aragão Convida, já
chegaram às lojas 250.000
cópias. "O Liber e o pessoal da Indie insistiram em
me botar na TV, o nego véio, no meio daquele
monte de gente bonitinha, e deu certo", diz.
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