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MÚSICA
Sons
para transcender
Música
nas Igrejas celebra seus dez anos
Debora
Ghivelder
Cláudia Martins/Strana
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| Antonio
Meneses e Rosana Lanzelotte: concerto de gala |
A temperatura amena indicava aprazíveis
dias de julho e Antonio Meneses, virtuose do violoncelo reconhecido
internacionalmente, empunhava o arco para uma platéia que
lotava a bela nave do Mosteiro de São Bento. Ele dava partida
ao projeto Música nas Igrejas, série de concertos
promovida pela prefeitura que, como o nome anuncia, iria se abrigar
em capelas da cidade e oferecer boa música de graça
aos cariocas. A apresentação aconteceu há dez
anos, e na terça-feira (17) Meneses volta com seu violoncelo
ao Mosteiro de São Bento, ladeado, como uma década
atrás, pela diretora musical da série, a cravista
Rosana Lanzelotte. Estrela do concerto de aniversário, Meneses
vai tocar As Sete Últimas Palavras de Cristo, do austríaco
Joseph Haydn (veja informações na coluna
Concertos).
A
obra é composta de sete adágios que entremeiam a meditação
da cerimônia das Sete Últimas Palavras de Cristo
e foi originalmente composta para orquestra. Uma outra versão,
para quarteto de cordas, do próprio Haydn, é a apresentada
nesse concerto. A parte dos textos bíblicos será lida
por Helder Parente. Para quem acha que a obra pode não ser
a coisa mais alegre para um aniversário é bom lembrar
que a peça, bela e de fôlego, abriu o projeto naquele
julho de 1993. No decorrer dos anos, aliás, foi preocupação
levar ao público que lotou igrejas como a Nossa Senhora do
Outeiro da Glória e a Nossa Senhora de Bonsucesso um repertório
de obras escrito especificamente para esse tipo de local. Ganharam
vida, então, as partituras da famosa e ornamentada Miserere
(Allegri), a importante Lições de Trevas (Couperin)
e Confitebor, do pouco conhecido compositor italiano Baldassare
Galuppi, entre muitas outras. Tudo executado por nomes de primeira
grandeza do cenário nacional, como o competente grupo coral
Calíope e o cravista Roberto de Regina e profissionais de
bom calibre trazidos de fora como o oboísta Heinz Holliger
ou os cravistas Christophe Rousset e Olivier Baumont. "É
muito bom ver que a série, financiada com dinheiro público,
sobrevive há uma década", comemora Rosana. Quem acredita
em Deus pode mesmo pensar em milagre.
Mais
que isso. O Música nas Igrejas não é
um projeto vitorioso só por se manter com qualidade por dez
anos. Ele é o precursor de algo que virou mania na cidade:
a idéia de aproveitar espaços não convencionais,
mas com boa acústica, para oferecer concertos gratuitos ou
a preços muito camaradas à população.
Na esteira da série capitaneada por Rosana surgiram projetos
bem-sucedidos em outras igrejas (como a da Candelária) e
em museus. Mais: desde 2001 os concertos feitos em belas igrejas
do Centro da cidade são repetidos em templos menos concorridos
das zonas Norte e Oeste e também para crianças da
rede de ensino do município, em apresentações
didáticas. A temporada de 2002 levou cerca de 16.000
pessoas às igrejas. Faz dois anos que as apresentações
são religiosamente gravadas e exibidas pela TVE, o que aumentou
ainda mais o alcance da série. "Sempre pensamos na contrapartida
social", diz Mario Calmont, diretor do projeto.
Iniciativas
como essa empolgam Antonio Meneses. 'É muito bom, dez anos
depois, tocar nesta série, ver que ela continua", diz Meneses.
Amém.
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