| |
|
|
 |
|
CIDADE
O
sino vai voltar a bater
Antiga
Catedral passa por ampla reforma
Isabel
Butcher
André Valentim/Strana
 |
| Altar
principal da Igreja da Antiga Sé, em estilo rococó: restauração
a caminho |
O
cartaz assoma na fachada castigada pela ação
do tempo e dos pichadores, em que se destaca a imagem de São
Sebastião. Ele anuncia a restauração de um
imóvel de valor histórico imensurável. Remanescente
na cidade do estilo rococó, a Igreja de Nossa Senhora do
Carmo da Antiga Sé já recebeu 500.000
reais do BNDES para a reforma. O banco vai destinar ainda neste
ano mais 700.000 reais para a segunda
etapa da recuperação. Em boa hora. "Já fizemos
toda a descupinização", conta o padre José
Roberto. Agora, vem a parte mais complicada das obras, a recuperação
da torre construída em 1889, que está inclinada para
a calçada. Devido ao problema, desde 1976 o sino da antiga
Catedral não pode soar. Com o suporte do Iphan, os técnicos
avaliam a estrutura do telhado do templo situado na esquina das
ruas Sete de Setembro e Primeiro de Março. "Há muitas
coisas a ser feitas. A inclinação da torre é
de 49 centímetros. É preciso descupinizar também
os prédios vizinhos, senão de nada adiantará
a imunização já feita. As talhas e a douração
também têm de ser restauradas", diz o historiador e
arquiteto Milton Teixeira, autor do livro O Rio de Janeiro e
Suas Igrejas.
André Valentim/Strana
 |
| Torre
inclinada: sino em silêncio desde 1976 |
A história da Igreja da Antiga Sé data dos primórdios
da cidade, que se expandia pelo Morro do Castelo e seu sopé.
Em 1570 foi construída uma pequena capela toda talhada em
homenagem a Nossa Senhora da Expectação e do Parto,
mais conhecida como Nossa Senhora do Ó. Em 1590, os frades
carmelitas receberam como doação o pequeno templo,
que tempos depois desabou. Em 1761, durante a época da fartura
do ouro de Minas Gerais, começou a construção
da atual igreja. A ornamentação do altar principal
foi feita por Inácio Ferreira Pinto, que, seis anos depois,
foi o responsável pelo entalhe do Mosteiro de São
Bento. "Por ter sido pouco modificada ao longo dos anos, muitos
historiadores acham que essa igreja é a que melhor conserva
o estilo barroco na cidade", afirma o padre José Roberto.
Durante estes 242 anos de existência, a igreja foi palco de
acontecimentos marcantes da história brasileira, especialmente
depois da chegada da família real, quando foi elevada a Capela
Real. As coroações de dom Pedro I, em 1822, e dom
Pedro II, 25 anos depois, foram realizadas em seu altar principal,
bem como o casamento de dom Pedro I com dona Leopoldina e o batizado
da princesa Isabel. A igreja guarda ainda parte dos restos mortais
de Pedro Álvares Cabral. "O sino vai voltar a tocar depois
das obras", garante Elizabeth São Paulo, do departamento
de comunicação e cultura do BNDES. O carioca fica
na torcida.
|