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18 de junho de 2003
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CIDADE

O sino vai voltar a bater

Antiga Catedral passa por ampla reforma

Isabel Butcher


André Valentim/Strana
Altar principal da Igreja da Antiga Sé, em estilo rococó: restauração a caminho

O cartaz assoma na fachada castigada pela ação do tempo e dos pichadores, em que se destaca a imagem de São Sebastião. Ele anuncia a restauração de um imóvel de valor histórico imensurável. Remanescente na cidade do estilo rococó, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé já recebeu 500.000 reais do BNDES para a reforma. O banco vai destinar ainda neste ano mais 700.000 reais para a segunda etapa da recuperação. Em boa hora. "Já fizemos toda a descupinização", conta o padre José Roberto. Agora, vem a parte mais complicada das obras, a recuperação da torre construída em 1889, que está inclinada para a calçada. Devido ao problema, desde 1976 o sino da antiga Catedral não pode soar. Com o suporte do Iphan, os técnicos avaliam a estrutura do telhado do templo situado na esquina das ruas Sete de Setembro e Primeiro de Março. "Há muitas coisas a ser feitas. A inclinação da torre é de 49 centímetros. É preciso descupinizar também os prédios vizinhos, senão de nada adiantará a imunização já feita. As talhas e a douração também têm de ser restauradas", diz o historiador e arquiteto Milton Teixeira, autor do livro O Rio de Janeiro e Suas Igrejas.

André Valentim/Strana
Torre inclinada: sino em silêncio desde 1976


A história da Igreja da Antiga Sé data dos primórdios da cidade, que se expandia pelo Morro do Castelo e seu sopé. Em 1570 foi construída uma pequena capela toda talhada em homenagem a Nossa Senhora da Expectação e do Parto, mais conhecida como Nossa Senhora do Ó. Em 1590, os frades carmelitas receberam como doação o pequeno templo, que tempos depois desabou. Em 1761, durante a época da fartura do ouro de Minas Gerais, começou a construção da atual igreja. A ornamentação do altar principal foi feita por Inácio Ferreira Pinto, que, seis anos depois, foi o responsável pelo entalhe do Mosteiro de São Bento. "Por ter sido pouco modificada ao longo dos anos, muitos historiadores acham que essa igreja é a que melhor conserva o estilo barroco na cidade", afirma o padre José Roberto. Durante estes 242 anos de existência, a igreja foi palco de acontecimentos marcantes da história brasileira, especialmente depois da chegada da família real, quando foi elevada a Capela Real. As coroações de dom Pedro I, em 1822, e dom Pedro II, 25 anos depois, foram realizadas em seu altar principal, bem como o casamento de dom Pedro I com dona Leopoldina e o batizado da princesa Isabel. A igreja guarda ainda parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral. "O sino vai voltar a tocar depois das obras", garante Elizabeth São Paulo, do departamento de comunicação e cultura do BNDES. O carioca fica na torcida.

         
     
 
 
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