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18 de abril de 2007

CARTA AO LEITOR

SEGURANÇA PÚBLICA
BEBIDA
DEZ PERGUNTAS
ESPORTE
CIDADE
AS BOAS COMPRAS
BEIRA-MAR
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

ESPORTE

Brincando de homem-aranha

No le parkour, o que vale é saltar,
escalar, pular – sem se machucar

Isabel Butcher

André Valentim/Strana
Acrobacias autorizadas: licença municipal para mostrar aos policiais que atletas não são fugitivos

Como sabem os que viram o filme, a primeira seqüência de ação de 007 – Casino Royale (2006) é de tirar o fôlego. Durante seis minutos, James Bond persegue um sujeito capaz de escalar vigas de ferro e andaimes, além de saltar de um guindaste para outro como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Ele é o francês Sébastien Foucan, um dos criadores do le parkour, corruptela de le parcours, o percurso em português. O esporte nasceu no fim dos anos 80, na França, e seu objetivo é transpor obstáculos – como pontes, muros, carros, prédios –, de maneira rápida, sem nenhum equipamento, usando apenas a agilidade do corpo. No Rio, começou a ganhar adeptos há três anos, quando o publicitário Julien Sarrazin montou o grupo Tobu – voar em japonês. "Cerca de 100 pessoas praticam com freqüência o le parkour. No estado são quase 250", conta Sarrazin. Incentivados pelo interesse dos cariocas, ele e um grupo de amigos começaram a dar aulas da técnica na Fundição Progresso. Já têm quarenta alunos. "Grande parte é de adolescentes, na faixa dos 15 anos", diz o professor, que descobriu a modalidade navegando na internet e aprendeu de tanto assistir aos vídeos – o que lhe rendeu várias contusões pelo corpo.

No início, a vida dos atletas cariocas foi difícil. Quando treinavam na Praça Quinze, sofriam para explicar à polícia que não estavam fugindo, roubando ou depredando o patrimônio público e urbano. Por isso caíram do céu as licenças autorizando os esportistas a praticar em alguns espaços tombados da cidade, como o Aterro do Flamengo e a Praça Quinze. A idéia de licenciar o Tobu veio da diretora de projetos da Secretaria Municipal das Culturas, Roberta Alencastro. "O le parkour interage com o patrimônio e leva vida a essas regiões, o que é ótimo para a cidade", explica. Mesmo com o aval da prefeitura, os praticantes já passaram por situações difíceis. Há três semanas, o grupo gravava à noite na Avenida Chile, no centro, sua participação em um programa de TV a cabo. De repente surgiram PMs com armas em punho. "Ouvi uma gritaria e parei. Quando vi, tinha uma arma apontada para mim e outra para um amigo. Foi um susto daqueles", relembra Tey Lemos.

O le parkour foi criado pelo francês David Belle e por alguns amigos – entre eles Sébastien Foucan – quando tinham cerca de 14 anos. O pai de David, Raymond Belle, um francês nascido na Indochina, serviu o Exército na região e ali desenvolveu técnicas de salvamento e fuga na floresta. Anos mais tarde, já morando na França, passou seus conhecimentos para o filho. O esporte ficou popular depois que David apareceu em um comercial da BBC em 2002. No filme, de pouco mais de um minuto, ele sai do escritório na hora do rush, foge do engarrafamento escalando e saltando prédios até chegar a seu apartamento a tempo de assistir ao programa favorito na TV. Um jeito rápido, mas bastante arriscado, de voltar para casa.

     
   

 

 
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