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Dez perguntas para Claudia
Raia Débora Ghivelder
Daniela Toviansky  |
Estrelado por Claudia
Raia e assinado pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, o musical
Sweet Charity chega na sexta (20) ao palco do Vivo Rio. Inspirada no filme
Noites de Cabíria, de Federico Fellini, a montagem foi vista por
mais de 100 000 pessoas em São Paulo e rendeu à atriz elogios superlativos.
O espetáculo reúne 27 atores, treze músicos, catorze cenários,
dezenove canções e 136 figurinos para contar, com texto de Neil
Simon e passos de Bob Fosse (com recriação coreográfica de
Alonso Barros), a história da prostituta Sweet Charity Valentine. Claudia,
que completa 25 anos de carreira, deu esta entrevista a Veja Rio.
1
Fazer musical cansa? Como é sua preparação para agüentar
o tranco da temporada? Cansa muito. Em São
Paulo, atuava de quinta a domingo, sendo que no sábado eram duas sessões.
Mortal. Durante as duas horas e 45 minutos do espetáculo, só fico
fora de cena por dez minutos. Canto dez músicas, danço onze coreografias
e falo cerca de noventa páginas de texto. Para estar em forma, faço
aulas de dança e de canto todos os dias. 2
Você parece estar bem mais musculosa...
Jura? Estou malhando menos. Preciso da musculação
para dançar. Mas são exercícios mais brandos do que aqueles
que eu fazia antes da temporada. Não pego em pesos. Tenho um joelho e um
pé operados, a musculação me dá sustentação,
mas estou malhando menos para ficar mais franzina. Não posso ter esse shape.
3
A Charity é frágil, com físico quase oposto ao seu.
Como uma mulher grandalhona, de 1,80 metro, achou um jeito de fazer o papel?
Aí está o desafio. Podia fazer a
grandalhona boba ou seguir pela linha clownesca. Tentei desconstruir o personagem
e confesso que me cansa muito a composição. Não posso ser
a Claudia Raia nem por um segundo. 4
Quantos quilos você perde em cada exibição?
Perco 2 quilos por apresentação. Uso uma peruca que me faz suar
em bicas. Mas reponho tudo o que perco. Eu como horrores! Muito carboidrato, muito
pão, muito sanduíche. Às vezes estou atrás do palco
com um imenso prato de macarrão. Ninguém acredita. Acabo mantendo
meus 65 quilos. 5
Há algum musical que gostaria de fazer?
Nossa, muitos! Não vou falar quais. Eles estão
reservados para outro momento. Não é superstição,
mas vai que eu digo e alguém resolve fazer antes. Sweet Charity
é o grande espetáculo da minha vida. Não devo encontrar de
novo um personagem tão rico. 6
Já podemos falar de um estilo brasileiro de fazer
musical? Não. Falta muita coisa. Temos poucas pessoas que
escrevem para musical. Se bem que há dez anos tínhamos muito menos
material humano. 7
Por quanto tempo imagina ter fôlego para fazer espetáculos que exigem
tanto fisicamente? Espero estar bem por mais
cinco, dez anos. Depois, quero continuar com musicais, só que dançando
menos. Eu me lembro da Chita Rivera, aos 67 anos, na versão musical de
O Beijo da Mulher Aranha, na Broadway. Parecia ter 40 anos. Não
quero é perder o prazer de dançar. 8
Por que você cancelou a temporada de Sweet Charity
em Portugal, que até já vinha sendo anunciada?
O estádio onde nos apresentaríamos não tinha palco. Tudo
precisaria ser construído. Não havia condições técnicas.
Não arrumamos outro lugar imediatamente. Depois, eu já estava sem
agenda. 9 Qual
será o seu papel em Os Sete Pecados, a próxima novela das
7 da Globo? Serei Ágatha, a antagonista
da trama. A última vez que fiz uma vilã assim foi em Torre de
Babel. Ela é rica, poderosa e participa de uma sociedade secreta, ao
estilo de O Código Da Vinci.
10 Ter feito 40 anos (em dezembro) lhe trouxe
algum tipo de reflexão? Ainda não.
Adoro estar com 40. Construí coisas lindas. Estou no auge da minha maturidade.
Ter feito 40 foi mais tranqüilo do que chegar aos 30. Mas, no dia do meu
aniversário, alguém me disse: "Aí, hein, quarentona!". A
palavra entrou como uma facada. |