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18 de abril de 2007

CARTA AO LEITOR

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CRÔNICA
  

Dez perguntas para
Claudia Raia

Débora Ghivelder

Daniela Toviansky

Estrelado por Claudia Raia e assinado pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, o musical Sweet Charity chega na sexta (20) ao palco do Vivo Rio. Inspirada no filme Noites de Cabíria, de Federico Fellini, a montagem foi vista por mais de 100 000 pessoas em São Paulo e rendeu à atriz elogios superlativos. O espetáculo reúne 27 atores, treze músicos, catorze cenários, dezenove canções e 136 figurinos para contar, com texto de Neil Simon e passos de Bob Fosse (com recriação coreográfica de Alonso Barros), a história da prostituta Sweet Charity Valentine. Claudia, que completa 25 anos de carreira, deu esta entrevista a Veja Rio.

1 Fazer musical cansa? Como é sua preparação para agüentar o tranco da temporada?
Cansa muito. Em São Paulo, atuava de quinta a domingo, sendo que no sábado eram duas sessões. Mortal. Durante as duas horas e 45 minutos do espetáculo, só fico fora de cena por dez minutos. Canto dez músicas, danço onze coreografias e falo cerca de noventa páginas de texto. Para estar em forma, faço aulas de dança e de canto todos os dias.

2 Você parece estar bem mais musculosa...
Jura? Estou malhando menos. Preciso da musculação para dançar. Mas são exercícios mais brandos do que aqueles que eu fazia antes da temporada. Não pego em pesos. Tenho um joelho e um pé operados, a musculação me dá sustentação, mas estou malhando menos para ficar mais franzina. Não posso ter esse shape.

3 A Charity é frágil, com físico quase oposto ao seu. Como uma mulher grandalhona, de 1,80 metro, achou um jeito de fazer o papel?
Aí está o desafio. Podia fazer a grandalhona boba ou seguir pela linha clownesca. Tentei desconstruir o personagem e confesso que me cansa muito a composição. Não posso ser a Claudia Raia nem por um segundo.

4 Quantos quilos você perde em cada exibição?
Perco 2 quilos por apresentação. Uso uma peruca que me faz suar em bicas. Mas reponho tudo o que perco. Eu como horrores! Muito carboidrato, muito pão, muito sanduíche. Às vezes estou atrás do palco com um imenso prato de macarrão. Ninguém acredita. Acabo mantendo meus 65 quilos.

5 Há algum musical que gostaria de fazer?
Nossa, muitos! Não vou falar quais. Eles estão reservados para outro momento. Não é superstição, mas vai que eu digo e alguém resolve fazer antes. Sweet Charity é o grande espetáculo da minha vida. Não devo encontrar de novo um personagem tão rico.

6 Já podemos falar de um estilo brasileiro de fazer musical?
Não. Falta muita coisa. Temos poucas pessoas que escrevem para musical. Se bem que há dez anos tínhamos muito menos material humano.

7 Por quanto tempo imagina ter fôlego para fazer espetáculos que exigem tanto fisicamente?
Espero estar bem por mais cinco, dez anos. Depois, quero continuar com musicais, só que dançando menos. Eu me lembro da Chita Rivera, aos 67 anos, na versão musical de O Beijo da Mulher Aranha, na Broadway. Parecia ter 40 anos. Não quero é perder o prazer de dançar.

8 Por que você cancelou a temporada de Sweet Charity em Portugal, que até já vinha sendo anunciada?
O estádio onde nos apresentaríamos não tinha palco. Tudo precisaria ser construído. Não havia condições técnicas. Não arrumamos outro lugar imediatamente. Depois, eu já estava sem agenda.

9 Qual será o seu papel em Os Sete Pecados, a próxima novela das 7 da Globo?
Serei Ágatha, a antagonista da trama. A última vez que fiz uma vilã assim foi em Torre de Babel. Ela é rica, poderosa e participa de uma sociedade secreta, ao estilo de O Código Da Vinci.

10 Ter feito 40 anos (em dezembro) lhe trouxe algum tipo de reflexão?
Ainda não. Adoro estar com 40. Construí coisas lindas. Estou no auge da minha maturidade. Ter feito 40 foi mais tranqüilo do que chegar aos 30. Mas, no dia do meu aniversário, alguém me disse: "Aí, hein, quarentona!". A palavra entrou como uma facada.

     
   

 

 
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