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BEBIDA
Nostalgia etílica Martínis
estão de volta em bares e restaurantes Lívia
de Almeida
Fotos Felipe Varanda/Strana e Caca
Bratke  |
| O clássico (foto maior) e as novidades
que irritam os puristas: com pimenta e com maçã |
Ele já foi o rei do pedaço. Alegrou clandestinamente as melindrosas
nos anos da Lei Seca. Freqüentou o Algonquin, em Nova York, na companhia
da escritora Dorothy Parker e de sua turma. Foi festejado por cineastas tão
díspares quanto Alfred Hitchcock e Luis Buñuel e virou um ícone
pop por obra de Bond, James Bond. Elegante e enganadoramente simples – seis partes
de gim para uma de vermute seco, enfeitado com uma azeitona ou twist de limão
–, o dry martíni voltou a figurar na lista de coquetéis dos bares
cariocas. "Azeitona ou limão? Batido ou misturado? Qual a quantidade ideal
de vermute seco? Nenhum outro coquetel inspira tanta polêmica", diz o bartender
Waldeck Rocha, gerente do Giuseppe Grill do Leblon, partidário do dry martíni
com gim inglês misturado cuidadosamente com discretas gotas do vermute francês
Noilly Pratt. "O segredo é a qualidade dos ingredientes. Mas nunca, nunca,
nunca o martíni deve ser servido com cereja", enfatiza. O diretor da rede
de hotéis Iberostar no Brasil, Orlando Giglio, aprendeu a fazer o drinque
em casa: "Tempos atrás era difícil encontrar um bom dry martíni
na cidade porque os coquetéis andaram fora de moda".
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| Ana e Adriana: mais chique do que beber caipirinha |
A situação mudou. Da
descolada Drinkeria Maldita, em Botafogo, ao requintado Gero, em Ipanema, o drinque
está em todas. E ao clássico somaram-se variações
– a maioria com vodca e suco de frutas, xaropes e licores –, que, servidas no
tradicional copo de coquetel, também aparecem nas cartas de bebidas como
martínis. "Mas elas não devem ser confundidas com o verdadeiro martíni",
ressalva Rocha. No One Two by Pederneiras, em Ipanema, há sete maneiras
de servir o clássico, além de versões consagradas como vodca
martíni (com vodca no lugar do gim), gibson (com cebolinha no lugar da
azeitona) e outros quatro coquetéis que o bartender Rodolfo Werner Brandão
define como "mais contemporâneos". No recém-inaugurado Moon Lounge,
no topo do hotel Marriott, em Copacabana, há vinte tipos, incluindo o chocotíni,
com chocolate. A carta do restaurante chinês Mr. Lam tem cinco opções.
O maior sucesso é o gisela red hot, uma combinação de melancia
e vodca flavorizada com pimenta, apresentada na taça com uma pimenta dedo-de-moça.
"Num sábado, preparo mais de quarenta", afirma o bartender Alex Miranda.
A chef Adriana Mattar, do bufê Cooking, e sua sócia Ana Cecília
Gros adoram as combinações. "É uma maneira mais elegante
de unir álcool e frutas do que a caipirinha", diz Adriana. Tintim! |