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18 de janeiro de 2006

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Bagunça de sobra nas ruas

A prefeitura quer disciplinar manobristas

Fátima Sá

Fotos Bruno Veiga/Strana
Carros por todo lado: em Ipanema (fotos acima), nas calçadas; no Leblon (abaixo), em fila dupla

Um dos mais atraentes pontos de Ipanema, com lojas grifadas e restaurantes estrelados, a Rua Aníbal de Mendonça padece com o lado negativo da fama. Da manhã à noite, por falta de vagas de estacionamento, a rua de comércio sofisticado transfigura-se numa babel urbana, com automóveis sobre calçadas, em filas duplas ou largados no meio da rua. "Vira a maior bagunça. O carro esburaca a calçada, impede a passagem e tumultua o trânsito", lamenta o presidente da Associação Comercial de Ipanema, João Ângelo Gouvêa. "Nosso cliente quer deixar o automóvel perto por questões de segurança, só que há poucas vagas. Nós queremos manter a ordem, mas ficamos numa situação delicada", argumenta o empresário Pedro Delamare, sócio do restaurante Gula Gula.

A prefeitura alega ser inviável construir novos estacionamentos ou criar vagas por ali e sugere que cada estabelecimento procure sua própria solução. "Há edifícios de escritórios que ficam com vagas ociosas à noite", aponta Mário Felippo, subprefeito da Zona Sul. "Já tentamos fazer um convênio desse tipo, mas essas garagens fecham cedo", diz Pedro Delamare. "Quando sei que é um lugar difícil de estacionar, nem vou de carro. É o melhor a fazer", aconselha Mário Felippo.

O problema espalha-se por outras ruas de Ipanema e do vizinho Leblon. "Ninguém pára em fila dupla por má-criação, mas por necessidade", tenta justificar Maria Luiza Macedo, supervisora da grife Maria Bonita Extra, que mantém uma loja na Aníbal de Mendonça. Como alternativa para resolver o problema, restaurantes, bares e lojas aderem cada vez mais aos serviços de manobristas. Mas, como os tais serviços ainda não chegaram ao ponto de fazer o milagre da multiplicação das vagas, o fim do sofrimento do consumidor é, na maioria das vezes, o começo do transtorno para o pedestre. As empresas de parqueamento são freqüentemente apontadas como responsáveis por boa parte dos veículos parados irregularmente. Nas últimas semanas, essas empresas começaram a ser notificadas pela Secretaria Municipal de Governo. Agora, elas devem adequar-se a um decreto assinado pelo prefeito Cesar Maia em dezembro do ano passado. O decreto exige que todas tenham autorização da prefeitura para funcionar e trabalhem com empregados uniformizados e com o nome completo impresso no uniforme e, principalmente, determina que os estabelecimentos e as empresas de parqueamento são responsáveis por eventuais danos causados aos automóveis. Resta saber onde ficarão os carros.

     
  
   

 

 
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