| |
| |  | |
CIDADE
Bagunça de sobra nas ruas A
prefeitura quer disciplinar manobristas Fátima
Sá Fotos
Bruno Veiga/Strana
 |  | | Carros
por todo lado: em Ipanema (fotos acima), nas
calçadas; no Leblon (abaixo), em fila dupla |  |
Um
dos mais atraentes pontos de Ipanema, com lojas grifadas e restaurantes estrelados,
a Rua Aníbal de Mendonça padece com o lado negativo da fama. Da
manhã à noite, por falta de vagas de estacionamento, a rua de comércio
sofisticado transfigura-se numa babel urbana, com automóveis sobre calçadas,
em filas duplas ou largados no meio da rua. "Vira a maior bagunça. O carro
esburaca a calçada, impede a passagem e tumultua o trânsito", lamenta
o presidente da Associação Comercial de Ipanema, João Ângelo
Gouvêa. "Nosso cliente quer deixar o automóvel perto por questões
de segurança, só que há poucas vagas. Nós queremos
manter a ordem, mas ficamos numa situação delicada", argumenta o
empresário Pedro Delamare, sócio do restaurante Gula Gula.
A
prefeitura alega ser inviável construir novos estacionamentos ou criar
vagas por ali e sugere que cada estabelecimento procure sua própria solução.
"Há edifícios de escritórios que ficam com vagas ociosas
à noite", aponta Mário Felippo, subprefeito da Zona Sul. "Já
tentamos fazer um convênio desse tipo, mas essas garagens fecham cedo",
diz Pedro Delamare. "Quando sei que é um lugar difícil de estacionar,
nem vou de carro. É o melhor a fazer", aconselha Mário Felippo.
O
problema espalha-se por outras ruas de Ipanema e do vizinho Leblon. "Ninguém
pára em fila dupla por má-criação, mas por necessidade",
tenta justificar Maria Luiza Macedo, supervisora da grife Maria Bonita Extra,
que mantém uma loja na Aníbal de Mendonça. Como alternativa
para resolver o problema, restaurantes, bares e lojas aderem cada vez mais aos
serviços de manobristas. Mas, como os tais serviços ainda não
chegaram ao ponto de fazer o milagre da multiplicação das vagas,
o fim do sofrimento do consumidor é, na maioria das vezes, o começo
do transtorno para o pedestre. As empresas de parqueamento são freqüentemente
apontadas como responsáveis por boa parte dos veículos parados irregularmente.
Nas últimas semanas, essas empresas começaram a ser notificadas
pela Secretaria Municipal de Governo. Agora, elas devem adequar-se a um decreto
assinado pelo prefeito Cesar Maia em dezembro do ano passado. O decreto exige
que todas tenham autorização da prefeitura para funcionar e trabalhem
com empregados uniformizados e com o nome completo impresso no uniforme e, principalmente,
determina que os estabelecimentos e as empresas de parqueamento são responsáveis
por eventuais danos causados aos automóveis. Resta saber onde ficarão
os carros. |