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REPORTAGEM
DE CAPA
O
vôo de BoninhoO
vôo de Boninho
O
sucesso de Big
Brother Brasil eleva
o filho de Boni ao primeiro time da Globo
Fabio
Brisolla e Sofia Cerqueira
Ricardo Fasanello/Strana
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"Fiz
o programa da Angélica, que foi um supersucesso, assim
como o TV Colosso, mas também fiz o TV Zona,
que foi um superfracasso. Na televisão, você tem
de saber lidar com o fracasso, que nem sempre significa incompetência."
Boninho |
Dentro
de um contêiner adaptado, um grupo de pessoas mantém
os olhos fixos no conjunto de pequenos monitores a sua frente. É
a semana de estréia do programa Big Brother Brasil e,
em poucos segundos, o apresentador Pedro Bial, postado no estúdio
ao lado do contêiner, vai conversar ao vivo com os doze moradores
da casa. Na hora H, o áudio não funciona. Ninguém
na casa ouve o apresentador. Mas, no contêiner dos monitores,
em outro colocado ao lado e no ponto instalado no ouvido de Bial,
os gritos do diretor do programa, Boninho, são bastante audíveis.
Técnicos correm enlouquecidos e dão o o.k. Bial volta
a chamar o pessoal da casa. Nada. O problema se repete cinco vezes.
Nervoso, Boninho costuma gaguejar. E aí é que ninguém
consegue entender mesmo o que ele está dizendo. A situação
renderia boas gargalhadas se não fosse tão tensa e
o temperamento difícil do diretor, tão conhecido nos
corredores da Globo. Nos três últimos meses, momentos
de stress como aquele aconteceram aos borbotões. Sobre as
costas de Boninho pesava a responsabilidade de comandar o programa
que tinha a obrigação de derrotar o maior trunfo da
concorrência, a Casa dos Artistas. Foram noites e mais
noites de sono perdidas. Boninho passava, no mínimo, catorze
horas por dia no Projac acompanhando os moradores do Big Brother.
Ao chegar em casa, ligava a televisão para continuar a vigília.
O sacrifício, que rendeu 6 quilos a mais ao rechonchudo diretor,
foi recompensado. O último capítulo atingiu 57 pontos
de audiência média e picos de 62 pontos, recorde para
o horário. Foi o melhor resultado da emissora desde fevereiro
de 2001, quando o último capítulo de Laços
de Família alcançou 60 pontos de audiência
média e picos de 64 pontos.
Rede Globo/divulgação
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| Big
Brother: sucesso de audiência tornou Boninho diretor
requisitado |
Só
não foi possível deitar sobre os louros do sucesso.
Mal terminada a primeira edição de Big Brother,
Boninho já ocupava seus dias com o planejamento da segunda,
com estréia prevista para maio. Nos intervalos, grava a toque
de caixa o programa Hipertensão, espécie de
gincana de aventuras com estréia prevista para domingo (14).
O ritmo é de gagueira constante. Às 7 da manhã
de terça-feira, ele cortava os mares de Angra dos Reis rumo
ao cenário em que os seis participantes da prova, cada um
na garupa de um jet-ski em movimento, tentariam saltar para um helicóptero.
Disputavam um prêmio de 50.000
reais. Deu tudo certo. Pouco depois de meio-dia, o helicóptero
levava o diretor para Petrópolis, onde checaria locações
para outra prova. Boninho terminou o dia no Projac, resolvendo pendências
das duas atrações. José Bonifácio Brasil
de Oliveira "O Brasil é nome, não sobrenome.
Foi uma brincadeira de meu pai" , o Boninho, 40 anos, conquistou
seu espaço e, melhor, saiu da sombra do pai. Ele é
filho de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni,
ex-todo-poderoso da Rede Globo e atual consultor da emissora. "Para
mim, é um privilégio ser filho do Boni. Tive um cara
que me ajudou muito e me dá toques até hoje", diz
Boninho. O pai discorda um pouquinho. "Só falo quando estou
na posição de chefe. Ele não pede nem gosta
que dêem opinião. Tem uma herança espanhola,
do tipo dejame solo", define Boni.
Ricardo Fasanello/Strana

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"Ele
é rígido porque é extremamente exigente.
Se quem estiver ao lado dele for um profissional com o mesmo
empenho, não vai ter problema algum."
Ana Furtado, atriz, casada com Boninho
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Boninho
cresceu nos bastidores (do poder) da emissora de televisão.
Menino ainda, dava palpites nos desenhos animados que o pai escolhia
para as outras crianças assistirem. Aos 16 anos, mudou-se
para São Paulo e começou a trabalhar na Globo. Dirigiu
o Clip Clip, produziu clipes para o Fantástico.
Quando Xuxa decidiu parar de fazer sua atração infantil
diária, ele foi escalado para bolar o que entraria no lugar.
Surgiu ali o elogiado TV Colosso. Mais dois anos, assumia
o cargo de diretor de núcleo da Rede Globo. O projeto seguinte
foi formatar um programa para Angélica, que acabara de ser
contratada pela emissora. "Foi um supersucesso, assim como o TV
Colosso", diz ele. Para acrescentar, modesto: "Mas também
fiz o TV Zona, um superfracasso, e o programa do Sérgio
Malandro".
No
estúdio, Boninho é considerado um profissional concentrado
e centralizador, que perde a linha facilmente quando algo sai errado.
"Ele é condescendente com o bom profissional e duro com quem
não se encaixa no esquema. Não tem meias palavras",
diz Roberto Costa, gerente de produção do BBB.
Essa postura lhe rendeu muitos desafetos. Como a irmã da
apresentadora Angélica, Márcia Marba, para quem ele
é "nervoso e, quando qualquer coisa dá errado, vai
logo culpando alguém". Boninho reage dizendo que saiu do
programa após três anos "porque tinha um acerto para
trabalhar com a Angélica e não queria trabalhar com
a irmã dela". Na lista de desafetos de Boninho, o mais conhecido
é Daniel Filho, diretor da Central Globo de Criação.
A antipatia, recíproca e pública, rendeu uma frase
que ainda ecoa nos corredores da Globo. "O Boni já fez muita
coisa boa, mas também fez o Boninho", dizia Daniel. Para
Boninho, a crise entre os dois cresceu com a troca de poder na Globo.
Quando Boni se afastou, em 1997, "eu sobrei de pele do Daniel. Fiquei
na geladeira, de castigo", afirma. Daniel Filho, até hoje
um grande amigo de Boni, não gosta de alimentar o assunto.
Procurado por Veja Rio, limitou-se a mandar um recado: "Se
o Boninho acha que fui eu que o coloquei na geladeira, pode me chamar
de Frigidaire".
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"Se
o Boninho acha que fui eu que o coloquei na geladeira, pode
me chamar de Frigidaire."
Daniel Filho, diretor
da TV Globo
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Sérgio Zalis/ZNZ
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Fora
dos estúdios, Boninho já dividiu a geladeira com a
socialite Narcisa Tamborindeguy. Foi seu primeiro casamento. Na
época, ele tinha 21 anos e deixou o velho Boni amargurado.
O pai nem compareceu ao casamento. "Esse assunto eu pulo. É
passado. Meu pai estava certo", analisa Boninho. Narcisa também
não quer papo. "Com ele não falo nem oi. Quando o
encontro na rua, é como se ele não existisse", é
o mínimo que diz a socialite. Com ela, Boninho teve uma filha,
Mariana, 17 anos. Do segundo casamento, com a coreógrafa
Kátia D'Ávila, nasceu Pedro, 6 anos. A terceira união,
com a atriz Ana Furtado, foi oficializada dois anos atrás.
Os dois compartilham um apartamento na Zona Sul, com vista para
o mar. "Em casa, ele é tranqüilo, simpático,
engraçado e amável. No trabalho, é muito exigente
e extremamente profissional", conta Ana.
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"Não
falo nem oi com o Boninho. Quando o encontro na rua, num restaurante,
é como se ele não existisse. Ou melhor, ele
sai do lugar porque sabe que vou jogar um balde de gelo nele."
Narcisa Tamborindeguy, socialite, ex-mulher de Boninho
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Renata C. Branco
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Talvez
por isso, Boninho tenha optado por deixar de ser Boninho nos créditos
dos programas de TV há muito tempo. Mudou para J.B. de Oliveira,
a conselho do amigo Roberto Talma, também diretor de núcleo
da Rede Globo. "Ele tem muito talento e é bastante sério
para ser chamado só de Boninho", observa Talma. Evandro Carlos
de Andrade, diretor-geral da Central Globo de Jornalismo até
morrer, em junho de 2001, foi outro a apostar no talento do diretor.
Evandro bancou o projeto do programa No Limite, idéia
de Boninho, inspirado no sucesso do reality show americano
Survival. "Saí da geladeira graças a ele",
diz Boninho, referindo-se tanto a Evandro quanto ao projeto. Em
sua primeira edição, No Limite foi um sucesso.
Na segunda, passou despercebido, mas Boninho não estava mais
no comando da atração. A terceira fornada do programa
voltou a ser dirigida por ele. Mas Boninho virou mesmo o rei dos
reality shows da Globo quando fez Big Brother.
Bia Parreiras
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"Não
tenho afinidade com esse formato de programa, mas meu filho
realizou um belo trabalho. Pegou um limão e fez uma limonada."
Boni, consultor da TV Globo, pai do diretor |
O melhor
momento do programa, de acordo com o diretor, foi fruto do acaso
somado à malícia. Ocorreu quando o vencedor do programa,
Kléber de Paula, caiu em prantos porque a produção
retirou da casa a boneca Maria Eugênia. "Não foi proposital,
mas, quando percebemos que ele estava louco atrás da boneca,
mandei não entregar." Boninho chamou Kléber ao confessionário,
onde conversava com os participantes do programa, porém agiu
de forma diferente da usual. "Fiquei em silêncio, uns dois
minutos quieto, porque sabia que ele ia explodir. Aí ele
se abriu 'pô, cadê minha boneca?' , chorou.
Foi hilário", diverte-se. Kléber sofreu, mas só
tem elogios ao diretor. "O cara gostou de mim. O proprietário
do Big Brother é muito bacana", diz. Alessandra Beglionini,
a "Leka", lembra outro aspecto da convivência. "A gente se
perguntava se o Big God (apelido dado a Boninho) não
dormia. A voz dele entrava no sistema de som às 2 da manhã,
ao amanhecer, ao meio-dia, de tarde e à noite", conta. A
falta de sono continua. Na semana seguinte ao fim do programa, Boninho
iniciou a batelada de oitenta entrevistas de uma hora com os candidatos
pré-selecionados para a segunda edição. Realista,
Boninho saboreia o sucesso. "Big Brother não é
um projeto genial. Mas a televisão precisa de projetos que
funcionem e captem audiência", diz.
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Erros
e acertos de Boninho
O
primeiro programa de Boninho na Rede Globo foi Clip Clip,
de 1980. Pouco depois, começou a dirigir clipes para
o Fantástico. Ajudou a criar o canal Multishow.
Comandou a transmissão de shows e, além das
atrações ao lado, dirigiu uma temporada de Malhação.
Armando Gonçalves
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SHOW
DO MALANDRO Estreou em julho de 1991 e ficou
poucos meses no ar. Para Boninho, Sérgio Malandro
é o responsável pelo fracasso. "Foi
insuportável trabalhar com ele" |
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TV
COLOSSO Sucesso em 1993, no lugar do Xou
da Xuxa. Boninho teve a idéia de usar bonecos
e Boni sugeriu que fossem cachorros
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Fotos divulgação/Rede Globo
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TV
ZONA Boninho e Rogério Gallo dirigiram
o VJ Thunderbird na Globo em 1994. A atração
não deu certo e o VJ voltou para a MTV |
reira
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Marcia Moreira
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| ANGÉLICA
Em 1996, ele criou o programa da loirinha
na Globo. Três anos depois, brigou com a irmã
da apresentadora |
GENTE
INOCENTE O diretor elaborou o projeto a
pedido de Daniel Filho, mas saiu antes da estréia,
em 1999. Passou então uma temporada na geladeira
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NO
LIMITE Boninho deu a volta por cima na
Globo, já na era Marluce, com a primeira edição
do programa, que foi um dos sucessos de 2000 e deu início
à febre dos reality shows
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