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17 de março de 2004
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Olha, é o Felipe Dylon!

Ídolo da garotada, o cantor, de
16 anos, se prepara para encarar
as fãs em novo show no Claro Hall

Silvio Essinger

Cláudia Martins/Strana
Felipe: o bom moço que mora com a mãe, gosta de surfar e já vendeu mais de 80 000 discos
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O amigo de infância Vinícius Martins é quem conta: Felipe Dylon, que acabara de tocar no Claro Hall, sai pela garagem, certo de uma volta tranqüila para casa. Em seu encalço, aparecem do nada umas 300 meninas ensandecidas. Mais que depressa, ele é empurrado para dentro da van e, por pouco, escapa ileso. A cena tende a se repetir no dia 28, quando o mais novo astro da música pop adolescente brasileira volta ao palco da Barra da Tijuca. Na época daquele show – novembro do ano passado –, músicas como Deixa Disso (a do "ô menina, deixa disso, quero te conhecer") e Musa do Verão ainda não estavam por toda parte. Agora, a onipresença das canções só rivaliza com a reprodução da imagem do rosto imberbe do cantor na TV e nas capas de revista. Felipe, 16 anos, é conhecido e adorado em todo o país. Bastam dois minutos de Arpoador para aparecer uma turista baiana pedindo autógrafo. Ele a atende com a gentileza que exibe a todas que pedem beijos, abraços e discos ou só acenam ao longo da tarde. Menino do Rio por natureza – o pai é o surfista e empresário Lipe e a mãe a atriz Maria Lúcia Priolli –, Felipe lida com a fama com naturalidade e entusiasmo, mesmo que isso implique cansativas viagens, pouca privacidade e aulas perdidas no colégio. "Aproveito muito bem minha vida. Essa é a realização de um sonho que tenho desde os 10 anos", diz. "Não fico triste de estar deixando tantas coisas para trás."

Seu disco de estréia, Felipe Dylon, foi lançado em maio do ano passado e se aproxima das 80.000 cópias vendidas. Recheado de roquinhos, baladas românticas e versões de músicas conhecidas (dos Paralamas, Menudo e Five), o CD foi obra dos produtores Zé Henrique, Sérgio Knust e Marcelão – do Yahoo, antiga banda pop metal de Robertinho do Recife. Não entrou no disco nenhuma das músicas de autoria do garoto, o que para ele não é motivo de mágoa. "Os produtores me mostraram que minhas composições ainda precisam evoluir", admite educadamente. Com seu violão Yamaha 1970, presente do pai, que o comprou de um hippie naqueles loucos anos, Felipe vem cunhando canções (românticas na maioria) há pelo menos seis anos, desde que começou com a primeira banda, Na Boa. Depois, montou outra banda para seguir carreira-solo e, com o primeiro CD demo, conseguiu contrato com a EMI. Para divulgar o lançamento do disco do menino bonito, magro e louro, que surfa desde que se entende por gente, joga futebol na praia e não faz feio no skate, a gravadora não titubeou: distribuiu 60.000 revistas-pôster em portas de colégio na Zona Sul. Deu certo. O site de Felipe Dylon tem, hoje, mais de 100.000 fãs cadastrados.

O Felipe que fará show no Claro Hall será um tanto diferente daquele que o disco apresenta. O cantor é obcecado por guitarras – tem duas Gibson Les Paul, uma Flying V e uma Fender Stratocaster – e guitarristas. Curte Jimi Hendrix, Eric Clapton, Peter Frampton e Rory Gallagher. Com uma banda formada por músicos da época do Na Boa e do começo da carreira-solo, além de um amigo de colégio, Felipe tem carta branca para mexer nos arranjos e escolher repertório. Ele conta que deu toques mais pesados à música Hipnotizado e vai incluir sua versão para Fly Away, de Lenny Kravitz. O resto é segredo. "O show vai ter uma roupagem que é mais a minha cara", adianta ele, que, quando bem pequeno, teve o Canecão como playground. Seu avô, Salvador, foi um dos fundadores da casa e a mãe, assessora de imprensa de lá por três anos. "Conheci Tom Jobim e Tim Maia, que me deu um CD autografado", conta Felipe, que, por incrível que pareça, ainda não subiu ao palco do Canecão como artista.

Toda a afinidade com rock e roqueiros, porém, não conseguiu tirar do cantor a aura de incurável bom moço. Mora com a mãe em Copacabana, pega onda com o pai, esforça-se para terminar o segundo grau ("Sou um aluno mediano, não sou CDF, mas nunca repeti de ano"), é atleta da geração saúde, não fuma, não usa drogas e não pensa no momento em fazer tatuagem. A única coisa que não se pode esperar dele, por enquanto, é que seja um bom genro. Felipe é adepto radical da ficação. "Estou solteiro, aproveitando a vida", avisa. Com as viagens de trabalho cada vez mais constantes, é um amor (ou mais) a cada porto. E, para o jovem matador, não existe essa ética que exclui as fãs da conquista amorosa. "Elas são pessoas normais como quaisquer outras", defende.

         
     
 
 
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