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17 de março de 2004
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CIDADE

Um lugar para o samba

Novos barracões ficam prontos em setembro

Fátima Sá


André Valentim/Strana
rana
As obras (à esq.) terminam em seis meses: local terá barracões e shows (à dir.)

A maioria das escolas de samba ainda curte a ressaca do Carnaval, mas o destino de cada uma já está sendo martelado. Em seis meses sai do papel a Cidade do Samba – local que irá reunir, às margens do Cais do Porto, os barracões das catorze escolas do Grupo Especial, com ateliês de fantasias, área para shows e exposições, lanchonete, loja de suvenires, pista para ensaios técnicos e jardins temáticos, com pés de jamelão e mangueiras. Tudo aberto à visitação. A intenção é transformar o novo endereço em cidade turística, gerar receita para o Carnaval e pôr fim à precariedade dos barracões das escolas, espalhados por galpões improvisados na Zona Portuária, onde não são raros inundações e incêndios. "Passamos um ano e meio em barracões e quadras ouvindo todo mundo. Criamos um projeto adequado às necessidades de uma indústria, com equipamentos, dimensionamento, fluxo, operação", conta o arquiteto João Uchôa, que assina o projeto com Vitor Wanderley, seu parceiro também em obras como o restaurante Delírio Tropical de Ipanema, a rede Guapo Loco e o camarote Rio, Samba e Carnaval deste ano.

A Cidade do Samba ocupará uma área de quase 72.000 metros quadrados que pertencia à Rede Ferroviária Federal, em frente ao armazém 10. Ao redor do terreno ficarão os barracões, no centro estará a praça e, entre eles, a pista de ensaios. Uma grande passarela percorrerá os barracões, permitindo que o visitante acompanhe a confecção de carros alegóricos e fantasias como se estivesse olhando uma vitrine. O fim dos segredos? Nem tanto. "Quem viu os carros da Unidos da Tijuca neste ano no barracão não teve a menor idéia do que seria o desfile", argumenta Vitor Wanderley. Os novos barracões contarão com elevador de carga, trilho aéreo com guincho para içar alegorias e pé-direito de 12 metros, o que permite a montagem dos carros ali mesmo. "Hoje há barracões com menos de 5 metros de pé-direito, obrigando as escolas a fazer os carros todos em pedaços", diz Elmo José dos Santos, diretor de Carnaval da Liga das Escolas de Samba. Espera-se, segundo ele, que parte do Carnaval de 2005 já possa ser produzida por lá. As escolas começariam a trabalhar nos velhos galpões e, aos poucos, se mudariam para a nova área. "Todo mundo sai ganhando", comenta o secretário municipal de Obras, Eider Dantas.

 
Fábrica de Carnaval

A Cidade do Samba vai custar 73,6 milhões de reais e será aberta à visitação pública
A obra, num terreno de quase 72 000 metros quadrados, ficará pronta em setembro deste ano
O local terá 14 barracões, estacionamento com 226 vagas, pista para ensaio técnico, uma praça com duas lonas (uma para show e outra para exposições) e quatro lanchonetes

         
     
 
 
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