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16 de novembro de 2005

REPORTAGEM DE CAPA
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AS BOAS COMPRAS
BEIRA-MAR
CRÔNICA
  

ENTRETENIMENTO

Para uso externo

Pouco conhecidos aqui, eles
fazem sucesso no exterior

Gustavo Autran

 

Jurrien WOuters/Divulgação

Zuco 103
Quem são: Lilian Vieira, nascida em Teresópolis, mudou-se para Amsterdã em 1989, para trabalhar como enfermeira. Acabou nos vocais da banda, ao lado de Stefan Schmid (teclados) e Stefan Kruger (baterista)

O que fazem: uma fusão de samba, bossa nova, trip hop, jazz, funk e drum'n'bass
Sucesso além-mar: o grupo realiza em média oitenta shows por ano na Europa, no Japão e nos Estados Unidos e já vendeu 200 000 CDs

Algo parecia conspirar contra a carreira do músico Pierre Aderne. O compositor francês, radicado no Rio desde pequeno, trancou-se num estúdio da extinta Polygram, em 1995, para gravar um CD que nunca chegou às lojas. No ano seguinte, criou seu próprio selo, mas o projeto do disco independente não vingou. A sorte começou a mudar em 2004, quando ele preparava seu novo CD, Casa de Praia, lançado no Brasil em julho. Durante uma busca na internet, o músico deu de cara com a página do selo japonês Impartment Rip Curl e resolveu arriscar. "Mandei algumas músicas para o diretor artístico da empresa, e dois dias depois recebi convite para lançar o disco no Japão", diz. Pierre assinou contrato, e Casa de Praia está entre os dez CDs mais vendidos de MPB-pop na rede de lojas HMV, uma das maiores do Japão. Paralelamente, sua agenda de shows internacionais não pára de crescer. Em março de 2006, o músico vai abrir o show do astro internacional Jack Johnson no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

 
Ricardo Fasanello/Strana

Pierre Aderne
Quem é: filho de português e brasileira, nasceu na França mas mora no Rio desde pequeno
O que faz: música pop com influência da surf music
Sucesso além-mar: abrirá o show do astro Jack Johnson no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, no dia 13 de março de 2006. Seu CD Casa de Praia está entre os dez mais vendidos de MPB-pop na ampla rede de lojas HMV, do Japão. Tem shows neste ano em Portugal, na Espanha e na França

A trajetória de Pierre rumo ao mercado externo coincide com a de diversos outros músicos fora do mainstream que nasceram ou moram no Rio. Em vez de só se lamentarem, eles vão à luta e buscam, com sucesso, alternativas profissionais além-mar. Um deles é Seu Jorge, indicado para o BBC World Music Awards após longa turnê européia de lançamento do CD Cru pelo selo francês Naive. O experiente baixista Dadi, parceiro de palco e de discos de medalhões da MPB, gravou neste ano seu primeiro CD-solo, com participação de Caetano Veloso, Rita Lee e Marisa Monte. O disco é sucesso no Japão desde setembro, mas não tem previsão de lançamento por aqui. "Procurei as gravadoras, as pessoas elogiaram, mas nada aconteceu", diz ele. Outro da turma é o compositor Moska, hoje artista independente cultuado na Argentina e no Uruguai graças à parceria com o músico uruguaio Jorge Drexler, ganhador do Oscar pela canção Al Otro Lado del Río, de Diários de Motocicleta. "Antes, eu parecia dublar novela mexicana. Agora falo espanhol fluentemente, de tanto fazer shows em Buenos Aires e Montevidéu", conta ele, com humor.

 
Daniela Dacorso/Divulgação

Bossacucanova
Quem são: Alexandre Moreira (teclados), Márcio Menescal (baixo) e o DJ Marcelo da Lua
O que fazem: bossa nova com batidas eletrônicas
Sucesso além-mar: neste ano o trio fez turnê de quarenta dias por Estados Unidos e Europa e esteve em cartaz por três semanas no Cabaret Salvage, em Paris, com convidados

Alexandre Moreira (teclados), Márcio Menescal (baixo) e o DJ Marcelo da Lua, trio do Bossacucanova, também souberam agarrar a chance no exterior. A escalada começou em 1998, quando o rapper Marcelo D2 mostrou o repertório de Bossacucanova Vol. 1 ao produtor Béco Dranoff, do selo Ziriguiboom, o mesmo que lançou o aclamado Tanto Tempo, de Bebel Gilberto. Desde então, as apresentações lá fora viraram rotina. Só neste ano o trio passou quarenta dias em turnê pela Europa e pelos Estados Unidos. "O artista tem de saber criar oportunidades de trabalho sem esperar um milagre", diz Da Lua. A teresopolitana Lilian Vieira, vocalista do trio Zuco 103, teve trajetória diferente. Ela mudou-se para Amsterdã, em 1989, sem pretensão artística. Sonhava levar uma vida pacata como enfermeira, ao lado do marido. "Então eu fiquei dura, desisti do curso de enfermagem e me matriculei no Conservatório de Rotterdam. Foi aí que tudo começou", lembra ela. Obscuro no Brasil, o Zuco 103 faz em média oitenta shows por ano em toda a Europa, Japão e Estados Unidos.

Márcio Faraco e Vinicius Cantuária são dois dos desbravadores da turma que brilha mais lá fora que no Brasil. Morador de Nova York desde 1994, Cantuária já lançou CD pela Verve e faz mais de oitenta espetáculos por ano. Faraco adotou Paris em 1992 e hoje é artista exclusivo da Universal Music Jazz, com discos distribuídos em dezessete países. Foi na capital francesa que ele conheceu Chico Buarque, durante as gravações de um programa de TV. Convidado por Faraco, Chico fez um dueto com o músico em seu disco de estréia, Ciranda. "Falei para o Chico que ele foi exilado político e que eu vivia no exílio poético", compara Faraco. São artistas que seguem a máxima atribuída a Tom Jobim de que a saída para a música brasileira é o Aeroporto do Galeão.

     
  
   

 

 
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