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ENTRETENIMENTO
Para uso externo Pouco
conhecidos aqui, eles fazem sucesso no exterior Gustavo
Autran Jurrien
WOuters/Divulgação
 | Zuco
103 Quem
são: Lilian Vieira, nascida em Teresópolis, mudou-se para Amsterdã
em 1989, para trabalhar como enfermeira. Acabou nos vocais da banda, ao lado de
Stefan Schmid (teclados) e Stefan Kruger (baterista)
O que fazem:
uma fusão de samba, bossa nova, trip hop, jazz, funk e drum'n'bass
Sucesso
além-mar: o grupo realiza em média oitenta shows por ano na
Europa, no Japão e nos Estados Unidos e já vendeu 200 000 CDs
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Algo
parecia conspirar contra a carreira do músico Pierre Aderne. O compositor
francês, radicado no Rio desde pequeno, trancou-se num estúdio da
extinta Polygram, em 1995, para gravar um CD que nunca chegou às lojas.
No ano seguinte, criou seu próprio selo, mas o projeto do disco independente
não vingou. A sorte começou a mudar em 2004, quando ele preparava
seu novo CD, Casa de Praia, lançado no Brasil em julho. Durante
uma busca na internet, o músico deu de cara com a página do selo
japonês Impartment Rip Curl e resolveu arriscar. "Mandei algumas músicas
para o diretor artístico da empresa, e dois dias depois recebi convite
para lançar o disco no Japão", diz. Pierre assinou contrato, e Casa
de Praia está entre os dez CDs mais vendidos de MPB-pop na rede de
lojas HMV, uma das maiores do Japão. Paralelamente, sua agenda de shows
internacionais não pára de crescer. Em março de 2006, o músico
vai abrir o show do astro internacional Jack Johnson no Pavilhão Atlântico,
em Lisboa. Ricardo
Fasanello/Strana
 | Pierre
Aderne Quem
é: filho de português e brasileira, nasceu na França mas
mora no Rio desde pequeno O
que faz: música pop com influência da surf music Sucesso
além-mar: abrirá o show do astro Jack Johnson no Pavilhão
Atlântico, em Lisboa, no dia 13 de março de 2006. Seu CD Casa
de Praia está entre os dez mais vendidos de MPB-pop na ampla rede de
lojas HMV, do Japão. Tem shows neste ano em Portugal, na Espanha e na França
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A
trajetória de Pierre rumo ao mercado externo coincide com a de diversos
outros músicos fora do mainstream que nasceram ou moram no Rio.
Em vez de só se lamentarem, eles vão à luta e buscam, com
sucesso, alternativas profissionais além-mar. Um deles é Seu Jorge,
indicado para o BBC World Music Awards após longa turnê européia
de lançamento do CD Cru pelo selo francês Naive. O experiente
baixista Dadi, parceiro de palco e de discos de medalhões da MPB, gravou
neste ano seu primeiro CD-solo, com participação de Caetano Veloso,
Rita Lee e Marisa Monte. O disco é sucesso no Japão desde setembro,
mas não tem previsão de lançamento por aqui. "Procurei as
gravadoras, as pessoas elogiaram, mas nada aconteceu", diz ele. Outro da turma
é o compositor Moska, hoje artista independente cultuado na Argentina e
no Uruguai graças à parceria com o músico uruguaio Jorge
Drexler, ganhador do Oscar pela canção Al Otro Lado del Río,
de Diários de Motocicleta. "Antes, eu parecia dublar novela mexicana.
Agora falo espanhol fluentemente, de tanto fazer shows em Buenos Aires e Montevidéu",
conta ele, com humor. Daniela
Dacorso/Divulgação
 | Bossacucanova
Quem são:
Alexandre Moreira (teclados), Márcio Menescal (baixo) e o DJ Marcelo da
Lua O
que fazem: bossa nova com batidas eletrônicas Sucesso
além-mar: neste ano o trio fez turnê de quarenta dias por Estados
Unidos e Europa e esteve em cartaz por três semanas no Cabaret Salvage,
em Paris, com convidados |
Alexandre
Moreira (teclados), Márcio Menescal (baixo) e o DJ Marcelo da Lua, trio
do Bossacucanova, também souberam agarrar a chance no exterior. A escalada
começou em 1998, quando o rapper Marcelo D2 mostrou o repertório
de Bossacucanova Vol. 1 ao produtor Béco Dranoff, do selo Ziriguiboom,
o mesmo que lançou o aclamado Tanto Tempo, de Bebel Gilberto. Desde
então, as apresentações lá fora viraram rotina. Só
neste ano o trio passou quarenta dias em turnê pela Europa e pelos Estados
Unidos. "O artista tem de saber criar oportunidades de trabalho sem esperar um
milagre", diz Da Lua. A teresopolitana Lilian Vieira, vocalista do trio Zuco 103,
teve trajetória diferente. Ela mudou-se para Amsterdã, em 1989,
sem pretensão artística. Sonhava levar uma vida pacata como enfermeira,
ao lado do marido. "Então eu fiquei dura, desisti do curso de enfermagem
e me matriculei no Conservatório de Rotterdam. Foi aí que tudo começou",
lembra ela. Obscuro no Brasil, o Zuco 103 faz em média oitenta shows por
ano em toda a Europa, Japão e Estados Unidos. Márcio
Faraco e Vinicius Cantuária são dois dos desbravadores da turma
que brilha mais lá fora que no Brasil. Morador de Nova York desde 1994,
Cantuária já lançou CD pela Verve e faz mais de oitenta espetáculos
por ano. Faraco adotou Paris em 1992 e hoje é artista exclusivo da Universal
Music Jazz, com discos distribuídos em dezessete países. Foi na
capital francesa que ele conheceu Chico Buarque, durante as gravações
de um programa de TV. Convidado por Faraco, Chico fez um dueto com o músico
em seu disco de estréia, Ciranda. "Falei para o Chico que ele foi
exilado político e que eu vivia no exílio poético", compara
Faraco. São artistas que seguem a máxima atribuída a Tom
Jobim de que a saída para a música brasileira é o Aeroporto
do Galeão. |