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CULTURA
Gala
na Cinelândia
Odeon
exibe cópia restaurada de
Mulher, clássico da Cinédia de 1931
Rogério
Durst
Fotos Arquivo Cinédia
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Celso
Montenegro e Carmen Violeta: em Mulher
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A
Cinelândia viaja no tempo nesta quinta, 17. Está programada
para as 20h30, no Odeon, uma exibição de gala do clássico
Mulher, de 1931, dirigido por Octávio Gabus Mendes.
Segundo lançamento da Cinédia, o primeiro grande estúdio
do Brasil, fundado por Adhemar Gonzaga, o filme foi um marco da
transição, no país, do cinema mudo para o sonoro.
Foi o primeiro título nacional realizado com a trilha sonora
gravada pelo processo Vitaphone, que Gonzaga conheceu em 1929, numa
viagem aos Estados Unidos. Essa parte preciosa da história
do cinema nacional foi recuperada com a restauração
do filme. A cópia nova que chega ao Odeon, feita por profissionais
da Cinemateca Brasileira, é resultado de dois anos de trabalho
(veja quadro) e custou 300.000 reais, bancados pela Petrobras
Distribuidora. O drama mudo volta com a trilha musical original,
cujos discos ficaram perdidos por décadas e foram recuperados
em 2001. Mulher acompanha a história da pobre e cobiçada
Carmen (Carmen Violeta), que, desiludida com o amante casado, se
refugia na casa do escritor Flávio Martins (Celso Montenegro),
com quem acaba se envolvendo numa ciranda amorosa.
"Mulher
é um filme forte, dramático, de crítica
social e com uma visão não muito lisonjeira da elite
da então capital da República", conta Alice Gonzaga,
filha do fundador da Cinédia. O público ganha de volta
um título pouco conhecido, diferentemente dos dois clássicos
do estúdio já restaurados: O Ébrio,
um dos maiores sucessos de bilheteria do país, e Alô,
Alô, Carnaval!, musical de 1936 com revelações
como Carmen Miranda e Oscarito. Para Clóvis Molinari, do
Arquivo Nacional, a restauração de Mulher é
motivo de alegria e tristeza. "Alegria porque, afinal, mais uma
preciosidade é recuperada. Tristeza porque nos traz à
lembrança uma dura realidade: a de que ainda não está
em curso no Brasil uma ampla política preventiva de preservação
de películas", diz. João Luiz Vieira, professor de
cinema da Universidade Federal Fluminense, é mais otimista.
Lembra que a UFF criou e mantém, há seis anos, o primeiro
curso de restauração e preservação da
América Latina. E conta uma emblemática história
de descaso acontecida bem longe daqui. "Um clássico mais
recente e americano, My Fair Lady, de 1964, quase desapareceu
antes de ser restaurado", lembra.
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O
processo de restauração
O roteiro ou uma pesquisa determinam o formato original do
filme
Escolhem-se os trechos em melhores condições
de uso nas cópias existentes
O material é recuperado manual ou digitalmente e a
banda sonora, remasterizada, é sincronizada às
imagens
A partir daí é feita uma nova montagem do filme
e dela se fazem novas cópias
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Pérolas
recuperadas do cinema brasileiro
Fotos Divulgação
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Menino
de Engenho: clássico
do cinema
novo de 1965, o filme de Walter
Lima Jr. ressuscitou em 2003 |
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O
Ébrio, de 1946: primeiro filme da Cinédia
restaurado, já foi visto por mais de 8 milhões
de pessoas |
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Alô,
Alô, Carnaval!, de 1936: verba de 267 000 reais
para um trabalho de restauração que durou
dois anos |
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