Publicidade
 


 
 


16 de junho de 2004
REPORTAGEM DE CAPA
VIAGEM
CULTURA
CIDADE
CIDADE
AS BOAS COMPRAS
BEIRA-MAR
CRÔNICA
   

CULTURA

Gala na Cinelândia

Odeon exibe cópia restaurada de
Mulher, clássico da Cinédia de 1931

Rogério Durst

 
Fotos Arquivo Cinédia

Celso Montenegro e Carmen Violeta: em Mulher

A Cinelândia viaja no tempo nesta quinta, 17. Está programada para as 20h30, no Odeon, uma exibição de gala do clássico Mulher, de 1931, dirigido por Octávio Gabus Mendes. Segundo lançamento da Cinédia, o primeiro grande estúdio do Brasil, fundado por Adhemar Gonzaga, o filme foi um marco da transição, no país, do cinema mudo para o sonoro. Foi o primeiro título nacional realizado com a trilha sonora gravada pelo processo Vitaphone, que Gonzaga conheceu em 1929, numa viagem aos Estados Unidos. Essa parte preciosa da história do cinema nacional foi recuperada com a restauração do filme. A cópia nova que chega ao Odeon, feita por profissionais da Cinemateca Brasileira, é resultado de dois anos de trabalho (veja quadro) e custou 300.000 reais, bancados pela Petrobras Distribuidora. O drama mudo volta com a trilha musical original, cujos discos ficaram perdidos por décadas e foram recuperados em 2001. Mulher acompanha a história da pobre e cobiçada Carmen (Carmen Violeta), que, desiludida com o amante casado, se refugia na casa do escritor Flávio Martins (Celso Montenegro), com quem acaba se envolvendo numa ciranda amorosa.

"Mulher é um filme forte, dramático, de crítica social e com uma visão não muito lisonjeira da elite da então capital da República", conta Alice Gonzaga, filha do fundador da Cinédia. O público ganha de volta um título pouco conhecido, diferentemente dos dois clássicos do estúdio já restaurados: O Ébrio, um dos maiores sucessos de bilheteria do país, e Alô, Alô, Carnaval!, musical de 1936 com revelações como Carmen Miranda e Oscarito. Para Clóvis Molinari, do Arquivo Nacional, a restauração de Mulher é motivo de alegria e tristeza. "Alegria porque, afinal, mais uma preciosidade é recuperada. Tristeza porque nos traz à lembrança uma dura realidade: a de que ainda não está em curso no Brasil uma ampla política preventiva de preservação de películas", diz. João Luiz Vieira, professor de cinema da Universidade Federal Fluminense, é mais otimista. Lembra que a UFF criou e mantém, há seis anos, o primeiro curso de restauração e preservação da América Latina. E conta uma emblemática história de descaso acontecida bem longe daqui. "Um clássico mais recente e americano, My Fair Lady, de 1964, quase desapareceu antes de ser restaurado", lembra.

 

O processo de restauração

O roteiro ou uma pesquisa determinam o formato original do filme

Escolhem-se os trechos em melhores condições de uso nas cópias existentes

O material é recuperado manual ou digitalmente e a banda sonora, remasterizada, é sincronizada às imagens

A partir daí é feita uma nova montagem do filme e dela se fazem novas cópias

 

Pérolas recuperadas do cinema brasileiro

 
Fotos Divulgação
Menino de Engenho: clássico do cinema novo de 1965, o filme de Walter Lima Jr. ressuscitou em 2003
O Ébrio, de 1946: primeiro filme da Cinédia restaurado, já foi visto por mais de 8 milhões de pessoas
Alô, Alô, Carnaval!, de 1936: verba de 267 000 reais para um trabalho de restauração que durou dois anos

 

 

         
   
     

 

 
VEJA on-line | Veja Rio | VEJA Noite Rio
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados