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16 de junho de 2004
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Tranqüilidade abalada

Moradores do Jardim Pernambuco
brigam na Justiça

 
André Valentim/Strana

Fim do atalho: cancela cria barreira para quem quer fugir do trânsito

O Jardim Pernambuco é quase uma exceção na Zona Sul. Ali, as vias são bem cuidadas e a segurança impressiona. Sessenta homens, vinte por turno, monitoram suas cinco ruas. O lugar não é um condomínio, mas um loteamento de casas de luxo favorecido por um privilégio concedido pela prefeitura: a instalação de cancelas. As ruas são públicas, mas as barreiras tornam o espaço quase exclusivo dos moradores. O isolamento tem seu preço: 900 reais por casa. A taxa é paga mensalmente à Associação de Moradores do Jardim Pernambuco. Segurança e até mesmo a limpeza dos espaços comuns, segundo a associação, são pagas com a quantia arrecadada entre os moradores. A contribuição, porém, não é obrigatória e está gerando briga no oásis das cancelas. Das 140 propriedades da área, 121 pagam a mensalidade. Como as tentativas de atrair os dezenove endereços restantes não evoluíram, a associação tomou uma decisão radical e no mês passado abriu um processo contra os "resistentes".

"Entramos na Justiça porque a segurança do bairro valorizou os bens desses moradores", afirma o empresário José Conde Caldas, presidente da associação de moradores. Ele diz que nos últimos meses tentou evitar que o assunto fosse levado aos tribunais. "Houve um trabalho de persuasão, e o número de associados pulou de noventa para 121", conta Caldas. De acordo com a entidade, um dos moradores que não se filiaram tem cinco propriedades no Jardim Pernambuco, o que o levaria a pagar 4.500 reais em taxas. Procurado por Veja Rio, ele não quis dar declarações.

Enquanto briga na Justiça contra os moradores, a associação investe ainda mais no reforço do esquema de segurança. Uma nova cancela está sendo construída na Rua Jornalista Alberto Sued – que leva ao Jardim Pernambuco e ao Condomínio Marquês de São Vicente, conhecido como "Minhocão". Já a Rua Leôncio Correia, principal acesso à área, ganhará uma cancela eletrônica. "Vamos instalar um chip no pára-brisa dos carros dos moradores que irá abrir automaticamente a cancela", explica Caldas. Os moradores que não integram a associação não receberão os chips. Para chegarem em casa, precisarão se identificar para os seguranças. "Eles estão cerceando o direito de ir e vir e criando normas próprias para uma área pública", protesta João Fontes, presidente da Associação de Moradores do Leblon. O tranqüilo Jardim Pernambuco está estremecido.

         
   
     

 

 
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