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CIDADE
Tranqüilidade
abalada
Moradores
do Jardim Pernambuco
brigam na Justiça
André Valentim/Strana
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Fim
do atalho: cancela cria barreira para quem quer fugir do trânsito
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O
Jardim Pernambuco é quase uma exceção na Zona
Sul. Ali, as vias são bem cuidadas e a segurança impressiona.
Sessenta homens, vinte por turno, monitoram suas cinco ruas. O lugar
não é um condomínio, mas um loteamento de casas
de luxo favorecido por um privilégio concedido pela prefeitura:
a instalação de cancelas. As ruas são públicas,
mas as barreiras tornam o espaço quase exclusivo dos moradores.
O isolamento tem seu preço: 900 reais por casa. A taxa é
paga mensalmente à Associação de Moradores
do Jardim Pernambuco. Segurança e até mesmo a limpeza
dos espaços comuns, segundo a associação, são
pagas com a quantia arrecadada entre os moradores. A contribuição,
porém, não é obrigatória e está
gerando briga no oásis das cancelas. Das 140 propriedades
da área, 121 pagam a mensalidade. Como as tentativas de atrair
os dezenove endereços restantes não evoluíram,
a associação tomou uma decisão radical e no
mês passado abriu um processo contra os "resistentes".
"Entramos
na Justiça porque a segurança do bairro valorizou
os bens desses moradores", afirma o empresário José
Conde Caldas, presidente da associação de moradores.
Ele diz que nos últimos meses tentou evitar que o assunto
fosse levado aos tribunais. "Houve um trabalho de persuasão,
e o número de associados pulou de noventa para 121", conta
Caldas. De acordo com a entidade, um dos moradores que não
se filiaram tem cinco propriedades no Jardim Pernambuco, o que o
levaria a pagar 4.500 reais em taxas. Procurado por Veja Rio,
ele não quis dar declarações.
Enquanto
briga na Justiça contra os moradores, a associação
investe ainda mais no reforço do esquema de segurança.
Uma nova cancela está sendo construída na Rua Jornalista
Alberto Sued que leva ao Jardim Pernambuco e ao Condomínio
Marquês de São Vicente, conhecido como "Minhocão".
Já a Rua Leôncio Correia, principal acesso à
área, ganhará uma cancela eletrônica. "Vamos
instalar um chip no pára-brisa dos carros dos moradores que
irá abrir automaticamente a cancela", explica Caldas. Os
moradores que não integram a associação não
receberão os chips. Para chegarem em casa, precisarão
se identificar para os seguranças. "Eles estão cerceando
o direito de ir e vir e criando normas próprias para uma
área pública", protesta João Fontes, presidente
da Associação de Moradores do Leblon. O tranqüilo
Jardim Pernambuco está estremecido.
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