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REPORTAGEM
DE CAPA
É
hora de mudança
na decoração
CasaShopping
e Rio Design Center
vão mudar e antecipam liquidação
Sofia
Cerqueira*
A
transformação já começou. E em grandes
proporções. Os três maiores shoppings de decoração
da cidade estão passando por reformulações.
Enquanto o CasaShopping, na Barra, anuncia uma megaampliação
que agregará dois novos blocos de lojas, sempre privilegiando
sua especialidade, nos Rio Design Leblon e Barra a mudança
visa a ampliar o mix de lojas. "Não consideramos que os shoppings
deram errado, apenas que podem ficar melhores. A combinação
de decoração e outros segmentos vai aumentar a circulação
e beneficiar lojistas e consumidores", diz Marcos Carvalho, diretor
da Ancar, empresa que promove a reestruturação dos
Rio Design. A expectativa é que, até outubro, o shopping
da Barra, que consumiu 57 milhões de reais para ser aberto
no ano 2000 como um grandioso templo de decoração,
deixe de ter corredores sem movimento e abrigue cerca de quinze
novas lojas. Também serão trocados, num primeiro momento,
de 15% a 20% dos lojistas do Leblon. As transformações
em andamento nos três shoppings fizeram com que a tradicional
liquidação de móveis e objetos de decoração
começasse mais cedo neste ano. De 17 de junho a 11 de julho,
as lojas estarão cheias de ofertas (clique
aqui para vê-las). E com um atrativo extra:
a queima de estoques de lojas que estão deixando os Rio Design,
como IMI, Rachel, Ornare e Les Urbains.
André Valentim/Strana
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Novidade
à mesa: Rio Design Barra abrigará filial do
Adegão Português
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Cláudia Martins/Strana
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Regina,
da Fernando Jaeger: susto
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As promoções, algumas com descontos superiores a 50%,
prometem agitar um mercado que já vive momentos de ebulição.
"Levamos um susto com a mudança no Design Barra. Como ele
tem arquitetura especial, é sofisticado e bacana, resolvemos
apostar e continuar", diz Regina Kato, sócia da loja Fernando
Jaeger. Outros preferiram não pagar para ver. As marcas House
Garden, Firma Casa, Lacca e Armando Cerello, por exemplo, já
baixaram as portas. "Acreditamos que para o comércio de decoração
é sempre melhor estar num shopping temático", diz
o diretor das lojas IMI, Antônio Luiz Neves Garcia, que vai
fechar as filiais nos Rio Design e abrir um espaço de 2.000
metros quadrados no CasaShopping. Outros lojistas estão em
compasso de espera. "O aumento de público é bom para
todo mundo, mas esperamos que a ampliação do mix não
prejudique o setor de decoração", diz Neila Tostes,
supervisora das lojas de tecido Empório Beraldin. Público,
ou melhor, a falta dele, foi o principal motivo para a transformação
nos dois Rio Design. "Um fica no coração do Leblon
e o outro é tido como uma das mais belas arquiteturas de
shopping no país, mas havia problema de fluxo em ambos",
reconhece Marcos Carvalho. Por mês, segundo a Ancar, o grandioso
Rio Design Barra recebe 75.000 pessoas 15.000 menos que um
shopping como o Rio Sul num único sábado.
André Nazareth/Strana
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Oskar,
da Osklen: aposta no novo
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Não
é difícil confirmar o tal problema: em rápida
passagem pelo Design Barra, por exemplo, percebem-se restaurantes
com bom movimento, cinemas com público razoável, estacionamentos
vazios e corredores ainda mais despovoados. A idéia da mudança
é atrair mais gente, mas sem perder o perfil sofisticado.
Para isso, os Rio Design Barra e Leblon já atraíram
grifes como Richards, Osklen, Salinas e Mariazinha. As quatro marcas
terão lojas nos dois shoppings. Também está
acertada a abertura, na Barra, da primeira filial do Adegão
Português, tradicional restaurante de farturas lusitanas em
São Cristóvão. "O Rio Design vai ser uma espécie
de Fashion Mall da Barra. Tem conforto, sofisticação
e um pé-direito altíssimo, que permite lojas lindas",
acredita Antônio De Biase, sócio da mulher, Jacqueline
De Biase, na grife de biquínis Salinas. "Acredito que o shopping
vai se manter diferenciado e crescer bastante. O conceito de design
é um só, seja para móvel, seja para roupa",
ecoa Oskar Metsavaht, que inaugurará no Design Barra a maior
loja da Osklen, com 200 metros quadrados. A Richards também
já fechou negócio. "Sabemos que não vai ser
um shopping que abrirá com fila na porta, mas será
sempre uma experiência de compra agradável", aposta
Dico Tostes, diretor de marketing da marca. No momento, outros vinte
lojistas estão em fase de assinatura de contrato com a Ancar.
Grifes como Frankie Amaury, Rosa Chá e Sacada estarão
no Design Leblon. Outras, como a Mixed, encontram-se em conversações.
Sabe-se também que o Leblon terá uma grande livraria.
Representantes da Saraiva já estiveram vendo o ponto e analisam
o negócio.
Cláudia Martins/Strana
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Richards:
aposta na mistura de moda e decoração abrindo
duas novas lojas
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André Nazareth/Strana
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Jacqueline:
lojas no Leblon e na Barra
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O
arquiteto Ivan Rezende, diretor da Associação Brasileira
de Designers de Interiores, vê vantagens e desvantagens nas
mudanças no Rio Design. Para ele, o Rio continua tendo espaço
para três shoppings de decoração. "Talvez o
Design Barra precisasse de mais tempo para se firmar. Infelizmente
a vida empresarial hoje é mais corrida. O próprio
CasaShopping teve seu tempo de maturação", diz. De
fato. Quando o CasaShopping abriu, em 1984, tinha 85 lojas. Hoje
tem 110 e, nos próximos três anos, outras vinte serão
abertas. "A chegada, há quatro anos, de mais um shopping
de decoração na Barra assustou. Foi um desafio que
só fez a gente crescer", diz o diretor de marketing Francisco
Grabowsky. Em sete anos, o CasaShopping investiu 30 milhões
de reais em ampliações, metade desse valor nos últimos
dois. Nos próximos três anos pretende aplicar outros
15 milhões de reais. "Acreditamos tanto no poder da decoração
que continuamente estamos nos renovando, revitalizando e expandindo",
conta Grabowsky. Depois da construção de passarelas
e coberturas ligando todas as lojas, o CasaShopping investiu num
centro de design para o Senac; inaugurou um salão de eventos
com 1.100 metros quadrados; construiu um novo bloco e está
revitalizando, com duas megalojas, a área junto à
âncora Tok Stok. Para os próximos três anos ainda
serão erguidos mais dois blocos de lojas e haverá
a implantação de um espaço para o lazer da
garotada, com parque infantil e minigolfe, e a ampliação
do estacionamento em 800 vagas. As mudanças no mercado de
decoração carioca, pelo visto, estão apenas
começando.
*Colaborou
Melissa Jannuzzi
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