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16 de junho de 2004
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REPORTAGEM DE CAPA

É hora de mudança
na decoração

CasaShopping e Rio Design Center
vão mudar e antecipam liquidação

Sofia Cerqueira*

 

Divulgação

CasaShopping
Inauguração: 1984
Número de lojas: 110
Área construída: 61 000 metros quadrados
Público: 100 000 pessoas por mês

André Valentim/Strana

Rio Design Center Leblon
Inauguração: 1983
Número de lojas: 50
Área construída: 17 000 metros quadrados
Público: 40 000 pessoas por mês

Rio Design Barra
Inauguração: 2000
Número de lojas: 62
Área construída: 60 000 metros quadrados
Público: 75 000 pessoas por mês


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A transformação já começou. E em grandes proporções. Os três maiores shoppings de decoração da cidade estão passando por reformulações. Enquanto o CasaShopping, na Barra, anuncia uma megaampliação que agregará dois novos blocos de lojas, sempre privilegiando sua especialidade, nos Rio Design Leblon e Barra a mudança visa a ampliar o mix de lojas. "Não consideramos que os shoppings deram errado, apenas que podem ficar melhores. A combinação de decoração e outros segmentos vai aumentar a circulação e beneficiar lojistas e consumidores", diz Marcos Carvalho, diretor da Ancar, empresa que promove a reestruturação dos Rio Design. A expectativa é que, até outubro, o shopping da Barra, que consumiu 57 milhões de reais para ser aberto no ano 2000 como um grandioso templo de decoração, deixe de ter corredores sem movimento e abrigue cerca de quinze novas lojas. Também serão trocados, num primeiro momento, de 15% a 20% dos lojistas do Leblon. As transformações em andamento nos três shoppings fizeram com que a tradicional liquidação de móveis e objetos de decoração começasse mais cedo neste ano. De 17 de junho a 11 de julho, as lojas estarão cheias de ofertas (clique aqui para vê-las). E com um atrativo extra: a queima de estoques de lojas que estão deixando os Rio Design, como IMI, Rachel, Ornare e Les Urbains.

 
André Valentim/Strana

Novidade à mesa: Rio Design Barra abrigará filial do Adegão Português


Cláudia Martins/Strana

Regina, da Fernando Jaeger: susto


As promoções, algumas com descontos superiores a 50%, prometem agitar um mercado que já vive momentos de ebulição. "Levamos um susto com a mudança no Design Barra. Como ele tem arquitetura especial, é sofisticado e bacana, resolvemos apostar e continuar", diz Regina Kato, sócia da loja Fernando Jaeger. Outros preferiram não pagar para ver. As marcas House Garden, Firma Casa, Lacca e Armando Cerello, por exemplo, já baixaram as portas. "Acreditamos que para o comércio de decoração é sempre melhor estar num shopping temático", diz o diretor das lojas IMI, Antônio Luiz Neves Garcia, que vai fechar as filiais nos Rio Design e abrir um espaço de 2.000 metros quadrados no CasaShopping. Outros lojistas estão em compasso de espera. "O aumento de público é bom para todo mundo, mas esperamos que a ampliação do mix não prejudique o setor de decoração", diz Neila Tostes, supervisora das lojas de tecido Empório Beraldin. Público, ou melhor, a falta dele, foi o principal motivo para a transformação nos dois Rio Design. "Um fica no coração do Leblon e o outro é tido como uma das mais belas arquiteturas de shopping no país, mas havia problema de fluxo em ambos", reconhece Marcos Carvalho. Por mês, segundo a Ancar, o grandioso Rio Design Barra recebe 75.000 pessoas – 15.000 menos que um shopping como o Rio Sul num único sábado.

 
André Nazareth/Strana

Oskar, da Osklen: aposta no novo

Não é difícil confirmar o tal problema: em rápida passagem pelo Design Barra, por exemplo, percebem-se restaurantes com bom movimento, cinemas com público razoável, estacionamentos vazios e corredores ainda mais despovoados. A idéia da mudança é atrair mais gente, mas sem perder o perfil sofisticado. Para isso, os Rio Design Barra e Leblon já atraíram grifes como Richards, Osklen, Salinas e Mariazinha. As quatro marcas terão lojas nos dois shoppings. Também está acertada a abertura, na Barra, da primeira filial do Adegão Português, tradicional restaurante de farturas lusitanas em São Cristóvão. "O Rio Design vai ser uma espécie de Fashion Mall da Barra. Tem conforto, sofisticação e um pé-direito altíssimo, que permite lojas lindas", acredita Antônio De Biase, sócio da mulher, Jacqueline De Biase, na grife de biquínis Salinas. "Acredito que o shopping vai se manter diferenciado e crescer bastante. O conceito de design é um só, seja para móvel, seja para roupa", ecoa Oskar Metsavaht, que inaugurará no Design Barra a maior loja da Osklen, com 200 metros quadrados. A Richards também já fechou negócio. "Sabemos que não vai ser um shopping que abrirá com fila na porta, mas será sempre uma experiência de compra agradável", aposta Dico Tostes, diretor de marketing da marca. No momento, outros vinte lojistas estão em fase de assinatura de contrato com a Ancar. Grifes como Frankie Amaury, Rosa Chá e Sacada estarão no Design Leblon. Outras, como a Mixed, encontram-se em conversações. Sabe-se também que o Leblon terá uma grande livraria. Representantes da Saraiva já estiveram vendo o ponto e analisam o negócio.

 

Cláudia Martins/Strana

Richards: aposta na mistura de moda e decoração abrindo duas novas lojas

 
André Nazareth/Strana

Jacqueline: lojas no Leblon e na Barra

O arquiteto Ivan Rezende, diretor da Associação Brasileira de Designers de Interiores, vê vantagens e desvantagens nas mudanças no Rio Design. Para ele, o Rio continua tendo espaço para três shoppings de decoração. "Talvez o Design Barra precisasse de mais tempo para se firmar. Infelizmente a vida empresarial hoje é mais corrida. O próprio CasaShopping teve seu tempo de maturação", diz. De fato. Quando o CasaShopping abriu, em 1984, tinha 85 lojas. Hoje tem 110 e, nos próximos três anos, outras vinte serão abertas. "A chegada, há quatro anos, de mais um shopping de decoração na Barra assustou. Foi um desafio que só fez a gente crescer", diz o diretor de marketing Francisco Grabowsky. Em sete anos, o CasaShopping investiu 30 milhões de reais em ampliações, metade desse valor nos últimos dois. Nos próximos três anos pretende aplicar outros 15 milhões de reais. "Acreditamos tanto no poder da decoração que continuamente estamos nos renovando, revitalizando e expandindo", conta Grabowsky. Depois da construção de passarelas e coberturas ligando todas as lojas, o CasaShopping investiu num centro de design para o Senac; inaugurou um salão de eventos com 1.100 metros quadrados; construiu um novo bloco e está revitalizando, com duas megalojas, a área junto à âncora Tok Stok. Para os próximos três anos ainda serão erguidos mais dois blocos de lojas e haverá a implantação de um espaço para o lazer da garotada, com parque infantil e minigolfe, e a ampliação do estacionamento em 800 vagas. As mudanças no mercado de decoração carioca, pelo visto, estão apenas começando.

 

*Colaborou Melissa Jannuzzi

         
   
     

 

 
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